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Case Mount Everest - Português

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Universidade de Sao Paulo (USP) from March 2015 to 
September 2015.
Monte Everest - 1996 
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Antes de partir do Acampamento Base, Hall e Fischer lembraram a suas equipes a importância de 
aderir à programação do dia no cume. A investida final teria lugar em 10 de maio, e exigia uma 
dificílima caminhada de ida-e-volta de 18 horas do Acampamento IV ao topo. Os indivíduos 
enfrentariam um enorme perigo caso não atingissem o topo ao meio-dia, porque nesse caso a descida 
demoraria até a noite e iria faltar oxigênio suplementar. Os alpinistas precisariam dar meia-volta se 
percebessem que não alcançariam o topo até o meio da tarde. Entretanto, Hall e Fischer sabiam que 
os indivíduos achariam difícil dar meia-volta depois de chegar tão longe e despender tanto esforço. 
Guy Cotter, um guia que escalara o Everest com Hall no passado, descreveu o problema que haviam 
enfrentado em tentativas anteriores ao topo: “É muito difícil fazer alguém voltar do cume da 
montanha. Se um cliente vê que o topo está perto e está firmemente decidido a chegar lá, vai rir da 
sua cara e continuar subindo.”51 
Hall e Fischer falavam com frequência da necessidade de estabelecer uma hora pré-determinada 
para a meia-volta, para evitar uma situação perigosa. Na verdade, seis semanas apenas antes da 
escalada, um jornalista havia escrito uma matéria sobre a famosa “Regra das Duas Horas” de Fischer 
– “se você não está no topo às duas, é hora de voltar. A escuridão não é sua amiga.”52 Da mesma 
forma, Hall regularmente lembrava a sua equipe a importância de aderir a uma regra estrita em 
relação à necessidade e ao momento de voltar para o dia no cume. Krakauer lembrou que Hall “fazia 
repetidos sermões sobre a importância de se ter uma hora pré-determinada para a meia-volta em 
nosso dia no cume – em nosso caso seria provavelmente uma ou duas da tarde no máximo – e de se 
respeitá-la por mais perto que estivéssemos do topo.”53 
Na noite de 5 de maio, os alpinistas completaram suas preparações para a investida ao topo. 
Enquanto descansava em sua barraca, Krakauer considerava os desafios à frente e refletia sobre sua 
experiência como membro da equipe da Adventure Consultants: 
Nesse fim de mundo, eu me sentia desconectado dos alpinistas em minha volta...Percebi 
com tristeza que éramos uma equipe apenas no nome. Embora em poucas horas fôssemos 
deixar o acampamento como um grupo, subiríamos como indivíduos, sem estar ligados um ao 
outro por alguma corda ou por algum sentido profundo de lealdade. Cada cliente estava nisso 
em proveito próprio, bem por aí.54 
Do Acampamento Base ao Acampamento II 
A expedição da Mountain Madness partiu para o Acampamento II em 6 de maio. Os alpinistas 
começaram pela navegação através da Queda-de-gelo de Kumbu outra vez. Logo, Kruse ficou bem 
doente e decidiu voltar. Fischer acompanhou-o até o Acampamento Base. Durante a descida, um guia 
de outra expedição questionou por que Fischer escolhera acompanhar Kruse montanha abaixo 
enquanto sua equipe lançava sua investida ao topo. Disse o outro guia, “O que você está fazendo 
aqui em baixo? Seu pessoal está subindo.”Fischer explicou que Kruse estava mal. O guia questionou-
o novamente, “Por que não o mandou para baixo com outra pessoa?” Fischer respondeu, “O homem 
estava em lágrimas, e eu não podia mandá-lo para baixo com qualquer outro... Eu não queria que 
Anatoli [Boukreev] ou Neal [Beidleman] ou um dos xerpas [o fizesse]. Ele é meu amigo.”55 
A equipe de Hall também partiu do Acampamento Base em 6 de maio. Os alpinistas chegaram ao 
Acampamento II sem incidentes, embora Hansen continuasse a sentir os efeitos nocivos de sua 
laringe e seus dedos enregelados. Ele não se sentia nem forte nem energético, e mesmo assim 
avançava com determinação. Krakauer notou que “Doug estava com uma determinação infernal para 
juntar-se ao esforço rumo ao topo.”Num certo momento, Hansen disse aos outros, “Dei demais de 
mim para esta montanha para desistir agora, sem dar tudo o que eu tenho.”56 
For the exclusive use of T. Veronez, 2015.
This document is authorized for use only by Tarik Veronez in Analise da Decis?o 2015 - 2 sem-1 taught by Fernando de Almeida, Universidade de Sao Paulo (USP) from March 2015 to 
September 2015.
 Monte Everest - 1996 
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Em 6 de maio, as duas expedições encontraram um alpinista descendo a montanha depois de 
voltar a apenas uma hora de distância do topo. Göran Kropp, um alpinista sueco que tentava subir 
sozinho, voltava porque concluíra que sua condição física enfraquecida não o deixaria atingir o topo e 
descer com segurança. Ao ouvir esta notícia, Hall comentou o seguinte sobre a decisão de Kropp: 
Dar meia-volta tão perto do topo...Isso mostrou um juízo incrível do jovem Göran. Estou 
impressionado – na verdade, consideravelmente mais impressionado que se ele tivesse 
continuado a escalada e conseguido chegar ao topo...Com determinação suficiente, qualquer 
idiota pode subir este monte. A esperteza é voltar para baixo vivo.57 
Do Acampamento II ao Acampamento III 
Ambas as equipes passaram o dia seguinte no Acampamento II e partiram para o Acampamento 
III em 8 de maio. Durante a escalada, uma pedra que caía, quase do tamanho de um pequeno 
televisor, atingiu o peito de Harris. Felizmente, ele não caiu muito longe porque havia se amarrado a 
cordas ancoradas ao longo do caminho. Embora Harris alegasse sentir apenas rigidez e hematomas, 
ele parecia abalado após o incidente. 
Enquanto isso, Breashears e a expedição do filme IMAX decidiram voltar durante sua investida ao 
topo. Eles haviam passado uma noite de muita ventania no Acampamento III e concluíram que o 
tempo estava muito instável para uma escalada ao cume. Preferiram esperar alguns dias antes de 
tentar de novo.58 Viesturs lembra-se de ter sentido um certo constrangimento com a decisão: 
“Sentimo-nos acanhados na descida. Estava todo o mundo subindo e pensamos, ‘Meu Deus, estamos 
tomando a decisão certa?”59 
Depois de encontrar a equipe do IMAX, Boukreev começou a preocupar-se com as prováveis 
condições de tempo durante a investida ao topo pelo grupo: 
Como Ed Viesturs, eu não estava feliz com as condições na montanha. Depois de mais de 
duas décadas de alpinismo eu havia desenvolvido certas intuições, e minha sensação era de 
que as coisas não estavam certas. Por vários dias o tempo não havia ficado estável, e fortes 
ventos haviam soprado em elevações mais altas. Eu queria muito que ouvissem minhas 
impressões, mas havia ficado cada vez mais claro para mim que Scott [Fischer] não respeitava 
meu conselho do mesmo modo que o de Rob Hall...Minha voz não era tão autoritária como eu 
teria gostado, então tentei não discutir, escolhendo em vez disso conter minhas intuições.60 
Embora preocupado com o tempo, Boukreev sentia-se mais confortável com a atuação e a 
condição física dos clientes da Mountain Madness. Eles pareciam estar em boa forma para a investida 
ao topo. Entretanto, ele mantinha receios quanto a alguns membros da equipe de Hall. A escalada ao 
Acampamento III provou-se bastante desafiadora para muitos clientes. Em particular, Kasischke e 
Fischbeck penaram durante a subida. Quando Kasischke finalmente chegou ao Acampamento III, 
exclamou frustrado, “Estou acabado. Estou acabado. Completamente sem gás.”61 Infelizmente o 
trabalho dos alpinistas não terminava com sua chegada ao Acampamento III. Várias pessoas 
precisavam picar gelo por horas para gerar água potável para os outros. Isso se provou um trabalho 
esgotante em tamanhas altitudes. 
Os guias então distribuíram garrafas de oxigênio, reguladores e máscaras aos clientes, e 
instruíram-nos a respirar o oxigênio engarrafado à noite. Hall lembrou-os, “Cada minuto que vocês 
passam a esta altitude e acima, suas mentes e corpos estão se deteriorando.”62 Krakauer lembrou-se 
que pensara, “Células cerebrais estavam morrendo. Nosso sangue estava ficando perigosamente

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