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Case Mount Everest - Português

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For the exclusive use of T. Veronez, 2015.
This document is authorized for use only by Tarik Veronez in Analise da Decis?o 2015 - 2 sem-1 taught by Fernando de Almeida, Universidade de Sao Paulo (USP) from March 2015 to 
September 2015.
Monte Everest - 1996 
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espesso, como uma pasta. Vasos capilares em nossas retinas estavam sangrando espontaneamente. 
Mesmo em repouso, nossos corações batiam a uma cadência furiosa.”63 
Acampamento IV 
As equipes subiram ao Acampamento IV em 9 de maio. Quando Boukreev chegou ao campo, 
encontrou vários xerpas lutando para montar as barracas com ventos estimados em mais de 60 
milhas por hora. Boukreev perguntou a Hall sobre as condições: “Que vamos fazer? Tenho certeza de 
que o tempo, claramente, não está bom o suficiente para atacar o topo.” Hall respondeu, “Minha 
experiência é que frequentemente fica calmo depois de uma tormenta dessas, e se ela se dissipar à 
noite faremos nossa investida amanhã. Se o tempo não mudar até meia-noite, então meu grupo 
esperará mais 24 horas. Se o tempo ainda estiver ruim no segundo dia, então desceremos.”64 
Vários clientes tinham ressalvas quanto ao plano de prosseguir naquela noite de ventania. 
Kasischke recordou a conversa em sua barraca: 
Havia uma tempestade rugindo lá fora no acampamento alto, e eu me lembro que em nossa 
barraca estávamos discutindo...e éramos três contra um pela decisão de esperar. Estávamos 
preocupados por não termos tido um dia inteiro de tempo bom e simplesmente...pensávamos 
que seria sensato esperar um dia...quer dizer, se continuasse assim 24 horas depois, iríamos ter 
um problema tentando descer.65 
Pelas oito da noite, entretanto, os ferozes ventos se acalmaram; o ar parecia notavelmente parado. 
Hall e Fischer anunciaram seus planos de prosseguir na investida ao topo. As equipes partiriam do 
Acampamento IV pouco antes da meia-noite. Chegariam ao topo no início da tarde e desceriam ao 
Acampamento IV antes de cair a noite. Hall e Fischer novamente ressaltaram a importância de voltar 
se os alpinistas se atrasassem em relação ao plano, mas nenhum dos dois guias definiu uma hora 
exata para a meia-volta. Krakauer explicou: 
No Acampamento Base, antes de nossa investida ao topo, Hall havia contemplado dois 
horários possíveis para a meia-volta – ou uma ou duas da tarde. Ele nunca declarou, 
entretanto, qual dessas horas tínhamos de obedecer – o que era curioso, considerando o quanto 
ele havia falado a respeito da importância de definir um prazo rígido e ater-se a ele o que quer 
que acontecesse. Ficamos simplesmente com um entendimento vagamente articulado de que 
Hall evitaria tomar uma decisão final até o dia no cume, depois de avaliar o tempo e outros 
fatores, e então assumiria a responsabilidade de fazer todos voltarem na hora certa.66 
Os clientes completaram suas preparações na noite de 9 de maio. Boukreev lembrou que os 
clientes de Fischer pareciam estar animados. Entretanto, vários clientes de Hall preocupavam-se com 
a condição física de Hansen, em rápida deterioração. Dr. Weathers explicou: 
Ele estava reclamando que não dormia fazia dois dias, não havia comido. Mas estava 
determinado a amarrar seu material nas costas e subir quando chegasse a hora. Eu estava 
preocupado...ele havia passado o ano anterior inteiro remoendo o fato de ter chegado a 300 pés 
do topo e tido de voltar. E eu quero dizer que isso o havia roído todo santo dia. Estava bem 
claro que ele não seria impedido uma segunda vez. Doug ia continuar subindo em direção ao 
topo enquanto ainda fosse capaz de respirar.67 
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O Dia no Cume 
As duas expedições partiram do Acampamento IV às onze e meia da noite de 9 de maio. Hall e 
Fischer escalavam pela retaguarda, servindo de “varredores” para cada grupo. Cada cliente levava 
duas garrafas de oxigênio. Cada garrafa duraria aproximadamente cinco a seis horas, supondo um 
fluxo constante de dois litros por minuto. Os alpinistas planejavam pegar uma terceira garrafa no 
Cume Sul durante a descida. Assim, os alpinistas precisavam completar a trajeto de ida-e-volta entre 
o Acampamento IV e o topo em não mais que 18 horas ou enfrentar a possibilidade de descer na 
escuridão sem oxigênio suplementar. 
Durante a escalada, quatro clientes (Taske, Hutchison, Kasischke e Fischbeck) preferiram voltar 
antes de alcançar o topo. Krakauer descreveu sua decisão: 
Para ter sucesso você precisa ser extremamente competitivo, mas se você for 
excessivamente competitivo, você provavelmente morrerá. Além disso, acima de 26.000 pés a 
linha entre o zelo adequado e a imprudente febre do topo se torna perigosamente fina. Assim 
as encostas do Everest são cobertas com cadáveres. Taske, Hutchison, Kasischke e Fischbeck 
haviam gasto cada um US$ 70.000 e aguentado semanas de agonia para ganhar essa única 
chance de chegar ao topo...e mesmo assim, com uma dura decisão pela frente, estiveram entre 
os poucos que fizeram a escolha certa naquele dia.68 
Os outros continuaram sua jornada para o cume. Às cinco e meia da manhã, Krakauer e Ang 
dorje, um dos xerpas, descobriram que nenhuma corda havia sido fixada ao longo dos últimos 500 
metros da escalada. Hall e Fischer haviam planejado mandar vários xerpas à frente para fixar cordas 
ao longo da rota, mas descartaram esses planos após ouvir que a expedição montenegrina havia 
instalado linhas de corda durante sua investida anterior ao topo. Infelizmente, os montenegrinos sem 
querer gastaram todas as cordas nos primeiros 400 metros acima do Acampamento IV. Krakauer e 
Dorje queriam resolver o problema, mas os procedimentos de segurança de Hall exigiam que todos 
os clientes esperassem pelos guias antes de prosseguir além do Balcão (localizado a 8.500 metros). 
Isso significava que Krakauer não podia fixar nenhuma corda além daquele ponto. Os dois alpinistas 
esperaram mais de uma hora pela chegada do resto da equipe de Hall. Restrições retardaram os 
alpinistas pelo restante da subida, enquanto esperavam que os guias fixassem as linhas de corda. 
De acordo com os procedimentos usuais de Fischer, Lopsang Jangbu, um xerpa da equipe da 
Mountain Madness, deveria ter escalado à frente do grupo e ficado disponível para ajudar Dorje 
enquanto Krakauer esperava os outros. Entretanto, Jangbu sentiu que Pittman estava penando logo 
após a partida do Acampamento IV, e rebocou-a com uma corda curta por seis horas. Um dia antes, 
Jangbu havia carregado o telefone-satélite de Pittman por horas, para diminuir a carga de sua 
enfraquecida e sobrecarregada cliente. Esses extraordinários esforços deixaram-no exausto e doente 
no dia do cume, fazendo-o ficar bem para trás dos primeiros alpinistas. Pittman reconhecia que o 
nível extraordinário de assistência podia colocar uma exagerada carga sobre ele, mas não fez objeção 
a sua decisão. Pittman explicou que “ela não se desatou do xerpa por respeito a sua autoridade.”69 
Por outro lado, Fischer não conseguiria resolver o problema da linha de corda. Seus 
procedimentos de segurança exigiam que servisse de “varredor” no dia do cume. Ele ficou para trás 
do grupo para auxiliar clientes em dificuldades e fazê-los voltar se necessário. Entretanto, os 
problemas de logística descritos anteriormente haviam desorganizado a rotina de aclimatação de 
Fischer e prejudicado sua condição física. Além disso, Fischer parecia ter voltado a sofrer de uma 
doença crônica contraída havia mais de uma década. Esses problemas de saúde fizeram-no afastar-se 
muito dos outros e impediram-no de cumprir suas obrigações de “varredor”. Como resultado, ele 
não podia avaliar a situação ou fazer clientes voltar quando os atrasos ocorreram.

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