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Case Mount Everest - Português

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não podia 
aguentar mais. Simplesmente me encolhi como uma bola e torci para a morte chegar 
depressa.79 
Depois de um respiro no tempo, Klev Schoening, cujo pai doente havia escolhido não fazer parte 
da investida ao topo, concluiu que sabia a direção do acampamento. Ele começou a incentivar os 
outros a voltar a se mexer. Alguns alpinistas, entretanto, não conseguiam ficar de pé; outros perdiam 
e recuperavam a consciência. Beidleman, Groom, Schoening e Gammelgaard conseguiram encontrar 
For the exclusive use of T. Veronez, 2015.
This document is authorized for use only by Tarik Veronez in Analise da Decis?o 2015 - 2 sem-1 taught by Fernando de Almeida, Universidade de Sao Paulo (USP) from March 2015 to 
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o caminho de volta ao Acampamento IV pouco antes da meia-noite. Forneceram informações 
detalhadas a Boukreev, que partiu socorrer os outros. Ele percebeu a lanterna frontal de Madsen no 
meio da tempestade e localizou o grupo. Ajudou Pittman, Fox e Madsen a voltar ao campo 
aproximadamente às quatro e meia da manhã. Com relutância, eles deixaram Namba e Weathers 
para trás, supondo que os alpinistas moribundos não podiam ser salvos naquele momento. 
Às quatro e quarenta e três, Hall entrou em contato com o pessoal do Acampamento Base pelo 
rádio. Disse-lhes que Hansen havia morrido e que Harris havia desaparecido. Hall acabou descendo 
para o Cume Sul, mas não conseguiu prosseguir além daquele ponto. Enquanto isso, vários xerpas 
partiram em socorro de Fischer ao raiar do dia. Encontraram-no quase morto. Os xerpas forneceram-
lhe oxigênio, mas logo concluíram que não podiam ajudá-lo. Deixaram-no e voltaram ao 
Acampamento IV. Ninguém jamais viu Fischer outra vez. 
Depois, naquela tarde, o Dr. Weathers espantou seus companheiros ao entrar no Acampamento 
IV. Deixado como morto, de algum modo recobrara suas forças e encontrara o caminho de volta ao 
acampamento. Incrivelmente, Hall também sobreviveu ao longo da tarde, sozinho no alto da 
montanha. Às seis e vinte, Hall falou com a mulher, que havia sido conectada a seu rádio através do 
telefone via satélite do Acampamento Base. Ele lhe disse, “Eu amo você. Durma bem, meu amor. Por 
favor não se preocupe demais.”80 Tristemente, ninguém falou com Hall novamente após esta 
comovente chamada. 
Na manhã de 12 de maio, os alpinistas deram-se conta de uma sombria realidade. Cinco de seus 
companheiros alpinistas não voltariam mais; Hall, Fischer, Hansen, Namba e Harris haviam morrido. 
Transtornados e exaustos, os sobreviventes iniciaram sua descida ao Acampamento Base. 
Refletindo sobre o Passado 
Desde 1996, muitos analisaram as decisões tomadas por Hall e Fischer durante sua escalada, e 
citaram algumas possíveis causas para a tragédia. Há muitas teorias rivais, e muito desacordo entre 
os sobreviventes e outros peritos alpinistas. Alguns indivíduos, como Krakauer, reconheceram que 
erros foram cometidos, mas enfatizaram que escalar o Everest sempre será um empreendimento 
arriscado e perigoso. Afinal, tempestades, avalanches e quedas de grandes pedaços de gelo causaram 
muitas mortes ao longo dos anos. Esta escola de pensamento enfatizava a inevitabilidade do fracasso 
e da tragédia nas encostas do Everest. Krakauer explicou: 
Analisar o que deu errado no Everest é uma atividade bastante útil; poderia provavelmente 
prevenir algumas mortes adiante. Mas é ilusão acreditar que dissecar os trágicos eventos de 
1996 em detalhes mínimos vai realmente reduzir a taxa futura de mortalidade de maneira 
significativa. A ânsia de catalogar as centenas de asneiras para “aprender com os erros” é na 
maior parte um exercício de negação e auto-engano. Se você conseguir se convencer de que 
Rob Hall morreu porque cometeu uma série de erros estúpidos e você é esperto demais para 
repetir esses mesmos erros, fica mais fácil para você tentar o Everest apesar de provas bem 
fortes de que fazê-lo é desaconselhável. Verdade seja dita, escalar o Everest sempre foi um 
empreendimento extraordinariamente perigoso e sem dúvida sempre será...os mais fortes 
guias do mundo são às vezes impotentes para salvar até mesmo suas próprias vidas. Quatro 
companheiros meus morreram não tanto porque os sistemas de Rob Hall eram falhos – na 
verdade ninguém tinha sistema melhor – mas porque no Everest é a natureza dos sistemas 
desmontar-se para valer.81 
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Outros colocaram que falhas humanas causaram a tragédia, e portanto essas mortes podiam ser 
evitadas. Isso aponta para uma série de erros cruciais cometidos por Hall e Fischer durante a 
expedição. Um guia experiente foi mais duro: “Os eventos de 10 de maio não foram acidente ou ato 
de Deus. Foram o resultado final de pessoas que estavam tomando decisões sobre se deviam 
prosseguir e como.”82 
Boukreev reconheceu que as equipes cometeram erros críticos durante a escalada. Entretanto, ele 
discordava dos que procuravam identificar um fator predominante na raiz da tragédia. Concluiu, 
“Citar uma causa específica seria promover uma onisciência que somente deuses, bêbados, políticos e 
dramaturgos podem alegar.”83 
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Anexo 1: Chegadas ao Topo e Mortes no Everest 
 
Chegadas ao Topo 
 
 
Mortes 
 
 
 
 
Fonte: Adaptado pelo autor do caso do livro de Broughton Coburn, Everest: Mountain Without Mercy (Everest: Montanha 
Impiedosa) 
 
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Anexo 2: Principais Eventos na História do Everest 
 
1921: Na primeira expedição ao Everest, George Leigh Mallory e Guy Bullock alcançam o Colo 
Norte (7.000 metros aproximadamente) 
1922: Mallory e três outros alpinistas atingem 8.170 metros. Algumas semanas depois, Mallory faz 
outra tentativa ao topo. Entretanto, encontra uma avalanche, o que resulta na morte de sete 
xerpas (as primeiras mortes registradas no Everest) 
1924: Edward Norton atingem 8.570 metros sem uso de oxigênio suplementar. Mallory e Andrew 
Irvine fazem uma tentativa usando garrafas de oxigênio. Os dois morrem, e até hoje não se 
sabe se chegaram ao topo durante sua escalada 
1936: A sexta expedição britânica com objetivo Everest, mas falha em atingir o topo devido ao 
início prematuro da temporada de monções. O grupo inicia o uso de pequenos rádios para 
manter comunicações durante a expedição 
1952: Raymond Lambert e o xerpa Tenzing Norgay atingem 8.595 metros usando oxigênio 
suplementar. Tornam-se os primeiros alpinistas a quebrar o recorde de Norton de 1924. 
1953: Edmund Hillary e o xerpa Tenzing Norgay tornam-se os primeiros alpinistas a chegar ao 
topo do Everest. Sobem pela rota do Colo Sul 
1960: Uma equipe tibetana e chinesa torna-se o primeiro grupo a chegar ao topo pela rota do Norte 
1975: Junko Tabei é a primeira mulher a atingir o topo 
1978: Peter Habeler e Reinhold Messner fazem a primeira escalada de sucesso sem oxigênio 
suplementar 
1980: Messner faz a primeira escalada solo 
1983: David Breashears transmite as primeiras imagens televisionadas ao vivo do cume 
1985: Breashears guia o negociante texano de 55 anos Dick Bass até o topo, tornando-se o primeiro

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