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Questões de Economia Política - I) produção e troca de mercadorias; II) trabalho concreto e trabalho abstrato

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EXERCÍCIOS DE ECONOMIA POLÍTICA
Discente: Wendell da Costa Magalhães 
1. Apresente os principais pressupostos para a existência de uma sociedade organizada
em torno de mercados autorreguláveis. Explique como que a troca de mercadorias
proporciona os meios para a satisfação das necessidades individuais. Como se dá a
satisfação das necessidades numa sociedade não-produtora de mercadorias?
Primeiramente, a justificação de uma sociedade organizada em torno de mercados
autorreguláveis se dá pelo pressuposto que tem no mercado o melhor meio de assegurar a
satisfação das necessidades dos indivíduos de uma sociedade. Isto é, o mercado é aquele que,
por vias harmônicas – como a troca de produtos e fatores de produção –, aloca os recursos de
uma sociedade da maneira mais eficiente e eficaz. Para isso, subentende-se que o indivíduo
atuante neste mercado é, por natureza, racional e egoísta e que tenta sempre maximizar seu
ganho ou utilidade ao menor custo no ato da troca. 
Em uma sociedade que se acredite composta por tais indivíduos, pressupõe-se que as
relações egoístas entre tais tendem sempre a proporcionar o bem-estar social geral, na medida
em que eles se veem compelidos a ofertarem o que é útil uns aos outros, se assim quiserem ter
suas necessidades individuais atendidas no ato da troca com os demais. Daí a razão de se
acreditar que o mercado atua como uma “mão invisível”, que guia seus agentes através do
mecanismo de preços, cuja serventia é sinalizar onde, quando e quanto demandar e ofertar.
Nesse contexto, sempre que houvesse um hiato entre demanda e oferta de produtos e fatores
de produção, os preços no mercado sinalizariam para tal, o que levaria os chamados agentes
econômicos na direção que regulasse o dito mercado, evidenciando o caráter autorregulador
deste, o qual tende sempre ao equilíbrio entre demanda e oferta.
Por sua vez, para a existência dessa sociedade regulada pela troca, pressupõe-se
indivíduos que, de início, não produzissem e nem possuíssem o que quisessem, ou aquilo de
que necessitassem. Esses agentes, desse modo, têm sempre que recorrerem à troca para
satisfazerem suas necessidades individuais. Nesse sentido, a troca de mercadorias, na medida
que possibilita a troca de valores-de-uso (que se refere às qualidades físicas particulares de
uma mercadoria), permite também a satisfação das diferentes necessidades de uma sociedade,
além de evidenciar a mercadoria como o depositário material do valor de troca. Isso, cabe
dizer, só ocorre assim pela prévia existência de uma divisão social do trabalho, que conduz
esses indivíduos independentes e proprietários a produzirem uma ou pouco mais espécimes de
produtos. Portanto, os indivíduos necessitam trocar produtos entre si por que é a troca que
possibilita a alienação de uma mercadoria, que não contém valor-de-uso para o seu possuidor,
por uma outra que contém.
Por fim, numa sociedade não produtora de mercadorias, as satisfações das
necessidades materiais costumam se dar por meio da interação direta entre os trabalhadores e
seus meios de trabalho, produzindo objetos para o seu próprio uso; para satisfação de suas
próprias necessidades. Há a possibilidade de haver divisão social do trabalho aqui, mesmo que
não com o intuito de produzir mercadorias. Como Marx já demonstrara em O capital (1867),
usando o exemplo da velha comunidade indiana e da própria produção interna de uma fábrica,
a divisão social do trabalho é condição básica para a existência da produção de mercadorias,
isto é, da produção voltada para a troca. Entretanto, o inverso não se faz verdadeiro, pois a
produção de mercadorias não é condição para a existência da divisão social do trabalho, dado
que esta última pode existir com o fim de produzir exclusivamente valores de uso para uma
comunidade e não, necessariamente, valores de troca.
2. Segundo Marx, na produção do tipo familiar, a forma concreta (útil) do trabalho é
imediatamente (diretamente) social, mas quando a produção se dá numa sociedade
produtora de mercadorias, o trabalho realizado, ao ser socializado, aparece como
trabalho abstrato. Compare a produção social do tipo familiar com a produção de
mercadorias por produtores privados e independentes. Como o trabalho privado, nesse
último caso, aparece como trabalho social? O trabalho abstrato surge apenas através da
troca ou ele é algo comum a todas as formas de produção (i.e. corresponde ao dispêndio
da capacidade de trabalho do ser humano)?
Na produção social familiar, os indivíduos trabalham em interação direta com os
membros de sua família e com seus meios de trabalho, produzindo para sua própria
subsistência, principalmente, e revelando de forma mais explícita os nexos entre seus
trabalhos e sua existência, que caracterizam sua produção como uma produção social. Aqui,
portanto, está em evidência aquilo que Marx chamou de caráter útil do trabalho e que, por sua
vez, se verifica no valor de uso dos bens que produzem. O valor de uso dos objetos
produzidos, assim, é o sentido de ser da produção familiar. 
Na produção privada e independente, temos diferentes indivíduos produzindo somente
parte dos produtos que necessitam para sobreviver e, por isso, sua produção está voltada para
a produção de um excedente destinado a ser trocado no mercado. Portanto, se produz para a
troca, ou seja, produz-se mercadorias e não produtos que satisfaçam as necessidades de
consumo simplesmente do produtor. Nesse sentido, os produtores se confrontam como
proprietários autônomos que levam os produtos de seus trabalhos independentes até o
mercado para serem trocados, o que os igualam como produtos de dispêndio de trabalho
humano, ou seja, como valores, e, por isso, possibilita que sejam trocados. 
Nesse último caso, a produção social aparece em forma de imensa produção de
mercadorias que incorporam trabalhos de diversos indivíduos. Desde o trabalho com a
retirada de matéria-prima da natureza, do trabalho que transforma a matéria-prima, do
trabalho necessário para produzir os instrumentos que modificam a matéria-prima, até o
trabalho que dá acabamento ao produto e o leva até o mercado para que se realize na troca
como mercadoria. Todos esses trabalhos estão corporificados na mercadoria pronta que é
levada até o mercado, mas se revelam neste último despidos de suas particularidades e,
portanto, como simples dispêndio de trabalho humano em geral. São como produtos do
trabalho humano abstrato, gerador de valor, portanto, que esses produtos são levados ao
mercado na forma de mercadoria e, no mercado, revelam seu caráter social, ao se igualarem
como valores produzidos pelo trabalho geral abstrato, trocando-se uns pelos outros. É,
portanto, no valor útil da mercadoria de outro, que o produtor individual vê materializar-se
seu trabalho e, nesse sentido, revelar-se seu caráter social. 
O trabalho abstrato, assim, aparece, ou melhor, revela-se somente no ato da troca
como valor de troca, mas surge no ato da produção como produtor do valo, além de ser uma
abstração de uma relação social, que é a produção da sociedade por meio do trabalho. É o
trabalho desprovido de qualquer valor qualitativo ou o que não pertence especificamente a um
único ser. Ele somente corresponde àquele trabalho geral que é dispêndio de força física,
mental, espiritual, etc. de qualquer indivíduo com capacidade média inserido em uma
sociedade. Portanto, é o trabalho que, na sua dimensão qualitativa, produz valor, sendo este
visto como dispêndio de trabalho humano em geral, mas que se verifica unicamente na sua
expressão quantitativa de valor de troca efetuada no mercado. 
Nesse sentido, o trabalho humano abstrato, sendo o produtor do valor, não pode ser
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