A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
4 pág.
DRENAGEM TORÁCICA Isadora

Pré-visualização | Página 1 de 2

DRENAGEM TORÁCICA
CONCEITO: A drenagem pleural é definida como um procedimento cirúrgico cujo objetivo fundamental e restaurar ou manter a negatividade da pressão do espaço pleural, por meio da eliminação de qualquer conteúdo anômalo. Consiste na introdução de um dreno através da parede torácica, promovendo o esvaziamento desse conteúdo.
INDICAÇÕES: A indicação de drenagem no caso de conteúdo líquido está na dependência do tipo e do volume de líquido acumulado no espaço pleural. Em determinadas situações não traumáticas, a punção pleural com agulha precede a drenagem, pois permite a caracterização macroscópica desse conteúdo, bem como sua análise laboratorial. Líquidos estéreis podem ser esvaziados por punção pleural sem a necessidade de drenagem tubular. Entretanto, coleções purulentas, líquidos contaminados, sangue e linfa devem ser sempre drenados independentemente do volume.
Principais indicações de drenagem torácica:
Pneumotórax: presença de ar entre as duas camadas da pleura, resultando em colapso parcial ou total do pulmão. 
Hemotórax: fruto de um trauma torácico, seja ele contuso ou penetrante, pós-operatório de cirurgia torácica ou abdominal superior ou condições cardíacas ou aórticas não traumáticas como infarto agudo do miocárdio e dissecção aguda de aorta. Casos em que ocorre um rápido acumulo com mais de 1500ml ou 1/3 do volume de sangue do doente na cavidade torácica são considerados como hemotórax maciço, sendo capazes de promover compressão pulmonar suficiente para gerar importante desconforto respiratório, hipotensão e choque. 
Derrame pleural sintomático ou recidivante: o derrame pode ser estéril, infectado ou inflamatório como no empiema ou no derrame parapneumônico, maligno, ou seja, condições não emergenciais decorrentes de um tumor causando derrame pleural, como no quilotórax, que é o acúmulo de linfa no espaço pleural, podendo resultar de obstrução da drenagem linfática, de lesão do ducto torácico ou do aumento da produção linfática, tem como causas mais comuns neoplasias, trauma, causas congênitas, infecções e trombose venosa do sistema da veia cava superior, ruptura esofágica/brônquica ou síndrome de Boerhaave (protocolo de drenagem bilateral).
Realização de pleurodese: inserção do tubo torácico para facilitar a instilação de agentes esclerosantes (Tetraciclina, Nitrato de Prata, Povidine, Bleomicina, talco estéril) no espaço pleural para o tratamento de derrame refratário. 
Hemopneumotórax 
Após procedimento cirúrgico (com abertura de pleura) 
CONTRAINDICAÇÕES: Não há contraindicação absoluta para a drenagem pleural. Existem situações, no entanto, em que sua indicação é controversa, como nos doentes que podem ser trata- dos por punção pleural esvaziadora, tratamento medicamentoso ou mesmo apenas com conduta expectante.
Por outro lado, existem algumas condições as quais o médico deve estar atendo, que caracterizam contraindicações relativas à drenagem de tórax:
• Coagulopatias ou uso de anticoagulantes orais.
• Cirrose hepática 
• Paquipleuris 
MATERIAIS PARA DRENAGEM: 
• Equipamentos de proteção individual (EPIs): luva estéril, bata, máscara, óculos de proteção.
• Material de antissepsia: pinça Foerster; PVPI tópico ou Clorexidina alcoólica e gaze.
• Campo cirúrgico
• Anestésico: lidocaína 1% 
• Agulha e seringa para anestesia 
• Cabo de bisturi (n° 3 ou 4) 
• Lâmina de bisturi (n° 11 ou 15 para o cabo 3 ou 21, 22, 23 ou 24 para o cabo 4) 
• Pinça hemostática Kelly ou Rochester 
• Material para sutura: porta-agulha Mayo-Hegar; pinça traumática; fio Sertix (agulhado); e tesoura reta 
• Material para curativo: gaze; e esparadrapo ou micropore 
• Dreno: diâmetro de 2-6mm (6- 26 French) para uso pediátrico e 5-11mm (20-40 French) para uso adulto 
• Sistema selo d`água
PREPARAÇÃO: Durante a preparação do paciente, alguns pontos importantes devem ser analisados, dentre eles, a necessidade de profilaxia antibiótica antes da colocação dos drenos. De modo geral, a maioria das evidências da profilaxia com antibióticos envolve a população adulta acometida por traumas penetrantes e cirurgias torácicas eletivas, sendo administrada apenas como uma dose pré-operatória.
A escolha do dreno apresenta uma ampla variação. Nos adultos, estão disponíveis tubos torácicos padrão, variando de 24 a 40 French, para crianças, os tamanhos variam de 16 a 24 French e, em bebês, os tamanhos variam de 8 a 12 French. Deve-se lembrar que quanto mais viscoso o conteúdo a ser drenado (pus ou sangue) mais calibroso será o dreno.
O procedimento necessita ser informado ao paciente e consentido pelo mesmo, a exceção de uma situação de emergência. Feito isso, a drenagem pode ser iniciada, seguindo apropriadamente a técnica e os cuidados necessários.
TÉCNICA: O tipo mais executado de drenagem é a drenagem pleural tubular fechada simples, mas em situações especiais pode-se recorrer a outras formas como a drenagem fechada sob aspiração continua e mesmo a drenagem pleural aberta. Na maior parte das drenagens utilizamos drenos multifenestrados de material plástico e siliconizado.
Na drenagem tubular fechada simples, um tubo ou dreno é introduzido no interior da cavidade pleural. A outra extremidade é conectada ao sistema de selo d’agua que consta de um tubo de borracha mergulhado 2-3 cm na superfície líquida de um frasco, cuja tampa existe um respiro para o meio externo e que não está em contato com o líquido. Dessa forma, o selo d’agua garante um fluxo unidirecional ao conteúdo drenado: da cavidade pleural para o frasco, sem possibilidade de retorno a ela. O ar drenado pode ganhar o meio externo pelo respiro, mas não consegue voltar ao espaço pleural, pois o nível líquido impede o retorno ao sistema.
Em algumas situações como no conteúdo purulento espesso ou na fístula aérea pode-se recorrer a drenagem pleural sob aspiração continua e, nesse caso, e necessário mais um frasco. Utilizamos um segundo frasco fechado para o exterior por uma tampa com três vias. A do meio representa a abertura para o ar de um tubo mergulhado na superfície líquida cerca de 15 a 20 cm de H2O. Uma das vias laterais está conectada ao vácuo da parede ou a um aparelho que faz aspiração constante, e a outra via serve para conectar esse frasco ao frasco coletor com selo d’agua.
Assim, se o tubo central (aberto para o meio externo) está mergulhado 15 cm no líquido, então essa é a pressão de aspiração que está sendo gerada no sistema. A pressão de aspiração não deve ultrapassar 25 a 30 cm de H2O pelo risco de lesão pulmonar, motivo pelo qual não devemos conectar a fonte de aspiração diretamente no frasco de drenagem convencional sem o auxílio do frasco de três vias.
Segue abaixo as etapas da técnica de drenagem de tórax:
• Comunicar/informar ao paciente sobre o procedimento 
• Paramentação completa com os EPIs 
• Posicionar paciente em decúbito dorsal (braços abduzidos com a mão atrás da cabeça facilitando a exposição do tórax) 
• Antissepsia/assepsia e colocação de campos estéreis 
• Bloqueio anestésico com lidocaína a 1% no local escolhido para inserção do dreno (anestesia-se a pele, subcutâneo e periósteo) 
• Incisão cutânea de 1,5 a 2,0 cm de extensão, paralela aos arcos costais e junto à borda superior da costela inferior, no 5° espaço intercostal (EIC) anterior à linha axilar média, buscando assim, não atingir os vasos nessa região (em uma situação de emergência, os pontos de referência são a linha do mamilo nos homens e o vinco infra mamário nas mulheres). 
Divulsão romba com pinça Kelly ou Rochester dos planos subcutâneos e muscular até perfurar a pleura parietal. Deve-se, nesse tempo, manter a pinça dentro da cavidade e abri-la para garantir o espaço para passagem do dreno.
Exploração digital do interior da cavidade: avaliar consistência dos órgãos, presença de aderências, corpo estranho, tumorações ou hérnia/ lesões diafragmáticas.
O dreno deve ser pinçado com a Kelly ou Rochester na extremidade em que será inserido na cavidade (proximal) e na porção distal.
Com o auxílio de uma pinça tipo Kelly ou Rochester, o dreno é introduzido