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A nova cultura do controle do crime - Garland, David

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contrastam fortemente entre si e com a criminologia previdenciarista oficialmente 
dominante. Esta possuía uma lógica de integração social, com a criminalidade sendo o 
“resultado disposicional da privação social” 
 
● Criminologia da vida cotidiana: ​abordam a ordem social como um problema de 
integração do sistema. É pós-moderna. Em vez de tratar de seres humanos e de suas 
atitudes morais ou disposições psicológicas, as novas criminologias tratam das partes 
integrantes dos sistemas e das situações sociais. “Sua concepção de ordem social gira 
em torno de arranjos inteligentes que minimizam as oportunidades de ruptura e de 
desvio”, desafiando as ideias tradicionais que concebem a ordem como decorrente da 
disciplina moral e da obediência à autoridade. Essa abordagem “convive bem com 
políticas econômicas e sociais que excluem contingentes populacionais inteiros, desde 
que uma segregação deste tipo faça o sistema social operar mais harmonicamente.” 
Ela argumenta que a conjuntura social e econômica normalmente gera eventos 
criminosos, e por isso sugere formas de modificar essa conjuntura. 
○ Propõe o desenvolvimento gradual de uma rede silenciosa de controles 
situacionais no intuito de modificar as rotinas existentes. 
 
● Criminologia do Outro – ​criminologia do outro perigoso, eco criminológico das 
políticas neoconservadoras e dos conflitos culturais. É antimoderna (tem como temas 
centrais a manutenção da ordem e da autoridade, afirmação de padrões morais 
absolutos e preservação do senso comum e da tradição) e profundamente antiliberal 
(crença de que certos criminosos são profundamente maus e intrinsecamente 
diferentes de nós). Nesta criminologia os criminosos são tratados como criaturas 
monstruosas e incompreensíveis, fazendo com que a consciência de matar e 
neutralizar milhões de pessoas seja aliviada. Afirma que uma subclasse imoral é a 
fonte do problema e sugere formas de excluí-la e policiá-la. 
○ Exerce um excesso de controle e tem pouca preocupação com os custos sociais 
e as consequências penais, condenando e excluindo aqueles que 
desobedecerem. 
 
● Apesar de diferentes na maioria de seus aspectos, ambas criminologias compartilham 
a ênfase sobre a cultura do controle, “o reconhecimento de que o crime se tornou um 
fato social normal e a reação às ideias criminológicas e políticas criminais associadas 
ao previdenciarismo penal.” Ambas formas de pensar o crime estão fundamentadas 
em nossa cultura.