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CASTELLS, Manuel - A Sociedade em Rede - Capítulos 01 e 02

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Capítulo 01 
“A crise de legitimidade e representação na política é um fenômeno global” 
● Conjuntura contemporânea se marca por crises multissetoriais 
● Crise é um fenômeno social que causa um prolongamento da precariedade da vida 
(econômica e social) 
● Instabilidade como fator sistêmico 
 
Ruptura da relação entre governantes e governados é expressa pela incapacidade social em 
lidar/superar com a multiplicidade de fatores em crise 
Deslegitimação da representação nas democracias como sistema político + desconfiança das 
instituições = colapso gradual de modelos de governança e manutenção de preservação de 
interesses comuns 
● Rejeição a representação como principio democrático causa alterações profundas na 
ordem política social e mundial 
● “novos fenômenos políticos” – negação a formas partidárias (pré)existentes (anti 
establishment) 
 
“caos pós liberal” – decomposição de sistema político expresso em crises institucionais 
● O principal desdobramento das crises políticas e “caos liberal” é situação da 
consolidação de regimes autoritários (maioria) ou, a incipiência de novas formas de 
organização entre representação parlamentar e representação social (minoria) 
● Horizonte instável de difíceis alianças e equilíbrio entre forças políticas e visões de 
mundo 
 
“Democracia se constrói a partir de relações de poder social” 
● A democracia liberal se adapta a evolução e divisão de poder das instituições 
● “Crise de legitimidade é a quebra do vínculo subjetivo entre cidadãos e os eleitos para 
tomar decisões em seu nome” 
● A estabilidade das instituições depende da vigência da manutenção da “legitimidade” 
como um fator estruturante do sistema político democrático 
 
 
“A origem da crise está na forma de atuação de políticos e partidos que detém o “monopólio de poder 
dentro de um quadro preestabelecido”, e zelam mais por seus interesses do que o interesse 
comum” 
 
● A repetida frustração de pautas e esperanças políticas leva a descrença e a 
ressignificação da legitimidade e indignação (com consequências para o 
funcionamento social, político e econômico) 
 
 
O problema da rejeição a política é o não conhecimento ou interesse do funcionamento da burocracia 
institucional, que rege as formas de distribuição e exercício de poder (no limite definindo o 
que é possível/ desejável ou não, no processo de tomada de decisão e atuação do Estado) 
 
● A globalização alterou o funcionamento das instituições econômicas e políticas de 
diversos países ao redor do mundo, fazendo com que o enfrentar de problemas 
diversos encontrasse paralelos e desafios na proposição de soluções e equilíbrios cada 
vez mais distantes 
 
● A articulação transnacional derivou numa atuação em redes que por um lado facilitou 
o processo de gestão da globalização, e por outro lado, minou capacidades 
institucionais e estatais de responder a demandas complexas e sobrepostas 
 
● “Há uma crise identitária surgida a partir do processo de globalização” o que leva a 
fraturas sociais e econômicas, que mobilizam sentido para além do sentido político e 
reproduzem e acentuam contradições 
 
A corrupção é um dos fatores que mais contribuiu para a emergência da crise de legitimidade 
● “se a aplicação de regras de convivência não constrange aquelas que as fazem e 
discutem, por que deveria se aplicar aos indivíduos sociais?” 
● Corrupção é uma característica sistêmica da política atual 
● A extensão da democracia liberal por ser “incapaz” de atenuar a corrupção é falha 
(pressuposto de questionamento a legitimidade do sistema político democrático) 
 
 
O personalismo no sistema político democrático liberal é um fator que contribuiu para a ascensão da 
crise de legitimidade 
 
● A dinâmica de construção de uma mensagem simples e facilmente debatível em um 
universo multiforme conduz à personalização (polarização) da política. 
● A forma de luta política mais eficaz é a destruição de confiança através da destruição 
moral e da imagem de quem se postula como líder. 
● Política do escândalo - inspira o sentimento de desconfiança e reprovação moral sobre 
o conjunto dos políticos e da política, contribuindo assim para a crise de legitimidade. 
A incapacidade do indivíduo social de questionar e verificar informações diversas na ação do 
direito e da atividade política é responsável pela desarticulação entre vínculo pessoal e 
institucional. 
Capítulo 02 
“Política do medo”- princípio político que em nome da segurança faz com sejam aceitas atitudes de 
vigilância, militarização e formas de controle social que incutem e se introjetam no 
desempenho de atividades e relações sociais 
 
Terrorismo (grupos não estatais) x contra terrorismo (estados e organizações internacionais) – 
mobilização do medo como discurso, ação e ideologia para o alcance de interesses e ganhos 
políticos, justificando e legitimando atos de violência, vigilância e controle 
 
“O terrorismo transformou internacionalmente a arena política em um campo de batalha” 
 
● “Assume-se aqui como válido o fato de que o terrorismo de matriz islâmica é fruto da 
marginalização e segregação de indivíduos cujos interesses diversos não são 
reconhecidos ou relevados” 
 
● A busca de um sentido social, associada ao promover o encontro de soluções fora do 
escopo político descreditado e deslegitimado, permite o assumir da “violência” como 
um instrumento social e político para a realização no alcance de interesse 
 
● “narrativa sistemática sobre o vazio”- a consciência da precariedade social, política e 
econômica a se encontrarem em discursos e práticas extremas 
 
● Repressão policial ou militar, pode atenuar mas não eliminar efeitos negativos e atos 
de violência decorrentes da radicalização e “restrição sistemática de reconhecimento e 
liberdade” 
 
 
A “hipocrisia da democracia liberal” vincula a promulgação de um Estado de emergência permanente 
justificável no imaginário coletivo quanto a restrição sistemática das liberdades civis e 
políticas, retro alimentando contradições que minam capacidades de superação de assimetrias 
e desequilíbrios entre coletividades e grupos