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BIOPOLÍTICA - FOUCAULT, M. (2005). "Aula de 17 de março de 1976"; Em defesa da Sociedade, pp. 285-315.

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FOUCAULT, M. (2005). "Aula de 17 de março de 1976"; ​Em defesa da Sociedade, 
pp. 285-315. 
 
Um dos fenômenos mais importantes do século XIX foi a ​estatização do ser 
biológico 
 
Em um primeiro momento, no decorrer do século XVIII, havia o direito de soberania 
sobre a vida e a morte, mais precisamente, sobre o direito de ​deixar viver ou fazer 
morrer​. 
● Anátomo-política: técnicas centradas no corpo individual, ao homem-corpo 
● Direito soberano de matar 
 
Em um segundo momento, um novo direito de soberania se instala: o de ​fazer viver 
e deixar morrer, é a ​biopolítica 
● Biopolítica​: nova técnica de poder não disciplinar dirigida ao homem ser 
vivo, ao homem-espécie. 
● Campos de intervenção da biopolítica: 
○ medicina e higiene como ferramentas para o controle da vida da 
população, controle de doenças e pandemias. 
○ Velhice e acidentes, controlados por mecanismos mais sutis de 
poupança, seguridade, etc. 
○ Preocupação com os seres humanos e o meio em que vivem: o 
problema da cidade 
 
Pontos sobre os quais se constituiu a biopolítica: 
"é da natalidade, da morbidade, das incapacidades biológicas diversas, dos 
efeitos do meio, é disso tudo que a biopolítica vai extrair seu saber e definir o 
campo de intervenção de seu poder." (p.292) 
 
Pontos importantes do biopoder: 
● Noção de "população" —> a biopolítica lida com a população como problema 
político, como problema biológico e como problema do poder 
● Importância dos fenômenos que são levados em consideração: se dirige, em 
suma, aos acontecimentos aleatórios que ocorrem numa população 
considerada o espaçamento de tempo 
● Implementação 
 
 
Foucault argumenta que ​em um Estado que opera a partir da biopolítica​, ou seja, 
que tem o objetivo de fazer viver, ​o racismo entra como um mecanismo para que 
o Estado possa exercer a função da morte. 
 
O que é o racismo: 
● É o recorte entre quem deve viver e quem deve morrer 
● Não é tido em termos propriamente étnicos, trata-se de um racismo 
evolucionista, de cunho biológico. 
 
Segundo o filósofo, o racismo exerce duas funções: 
● A primeira é de fragmentar o corpo biológico da população 
● A segunda é a de estabelecer uma relação biológica na qual é possível 
justificar a eliminação dos perigos biológicos, que colocariam em risco a 
própia espécie humana -> faz funcionar a ideia de que para que você viva, é 
preciso que o outro morra. A morte do outro, da raça inferior, é o que vai 
deixar a vida em geral mais sadia e mais pura. 
 
Dessa maneira, o racismo é uma condição indispensável para que o Estado possa 
exercer o direito de matar, de deixar morrer. Esse direito de matar não se limita 
somente ao assassinato em si, mas também a modos indiretos, como o fato da 
exposição à morte, da multiplicação do risco dela e também da morte política, a 
expulsão, etc. 
 
A Alemanha nazista, por exemplo, teve a biopolítica como ferramenta fundamental, 
conseguindo unir a biopolítica ao direito soberano de matar. 
 
O racismo tem sido um mecanismo importante para o biopoder há muitos e muitos 
anos.