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Tumores Hepáticos

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1 Felipe Antônio Dal'Agnol 
TUMORES HEPÁTICOS 
Podem se originar do fígado - a partir de hepatócitos, do epitélio dos ductos biliares ou 
do tecido mesenquimal hepático - ou podem se implantar no parênquima hepático a 
partir de lesões primárias em órgãos próximos ou distantes do fígado. 
 
 No geral, as metástases hepáticas são mais comuns que os tumores hepáticos 
malignos primários (exceções: áfrica subsaariana, grande parte do leste asiático e 
em crianças); 
 Com exceção dos hemangiomas cavernosos, os tumores hepáticos benignos são 
raros em todas as faixas etárias, em todo o mundo. 
TUMORES BENIGNOS DO FÍGADO 
1 - Adenoma Hepatocelular (AHC) 
 É uma rara lesão hepática sólida identificada, principalmente, em mulheres em 
idade fértil; 
 Há clara relação entre o AHC e o uso de Anticoncepcionais Orais (ACO); 
 O maior risco ocorre em mulheres com mais de 30 anos que fazem uso de ACO por 
mais de cinco anos; 
 A incidência anual em mulheres que nunca usaram é na ordem de 1 a 1,3 por 
milhão, ao passo que nas usuárias crônicas sobre para 3,4; 
 Relação quantitativa com a concentração de estrógenos nos ACO; 
 Além de estarem relacionados com uma maior incidência, os ACOs também geram 
tumores que tendem a ser maiores e que possuem um maior risco de 
sangramentos; 
 Outras associações: diabetes mellitus, 
glicogenose tipo I ou III, gravidez e uso 
crônico de esteroides anabolizantes; 
 
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 Adenomas múltiplos estão mais relacionados às glicogenoses que ao uso de ACO. 
 
 É um tumor geralmente único, macio, bem circunscrito, com ou sem cápsula, 
variando entre 1 a 30 cm. Pode haver áreas centrais de necrose e hemorragia; 
 Histologia: presença de hepatócitos discretamente atípicos (pálidos, pouco 
aumentados) dispostos em cordões separados por sinusoides dilatados e com finas 
paredes (o que pode justificar sua tendência hemorrágica). Uma característica 
marcante é a ausência de ductos biliares, tratos portais e, na maioria dos 
pacientes, das células de Kupffer; 
 Apesar de poder ser um achado incidental, o AHC pode cursar com a seguinte 
sintomatologia: 
1. Dor epigástrica ou em hipocôndrio direito (sintoma mais comum, em 52%, 
causado por sangramento ou infarto intratumoral), a qual pode ser súbita e 
intensa em 30% dos pacientes; 
2. Massa abdominal palpável (25% a 35%); 
3. Hepatomegalia; 
4. Dor abdominal crônica e intermitente (20% a 25%), causada por 
compressão de estruturas próximas; 
5. Sinais e sintomas compatíveis com ruptura subcapsular ou para peritônio 
livre: dor abdominal súbita, palidez cutânea, hipotensão arterial ou morte 
súbita. 
 A ruptura ocorre comumente com tumores solitários e grandes, embora o principal 
o fator de risco é a sua localização superficial; 
 Sangramento ocorre em 25% a 41% com uma mortalidade de 6; 
 Sintomas agudos costumam ocorrer durante ou logo após a menstruação; 
 Laboratório: a Alfafetoproteína (AFP) e os testes bioquímicos hepáticos encontram-
se normais, exceto por eventuais elevações de FA e GGT em subgrupo de pacientes 
que evoluem com hemorragias intratumorais ou intraperitoneais ou ainda nos 
casos de adenomatose hepática; 
 
Diagnóstico 
 É feito, basicamente, por achados à TC, US ou RNM, sendo a arteriografia hepática 
um procedimento de grande valia. Casos de difícil diagnóstico (especialmente para 
afastar CHC), pode-se fazer ressecção para diagnóstico histopatológico. Biópsias 
percutâneas por aspiração não são feitas (risco elevado de sangramento e baixo 
valor diagnóstico; 
 
Tratamento 
 Consiste, fundamentalmente, em excisão cirúrgica, em virtude de: 
1. Risco de hemorragia intratumoral ou intraperitoneal; 
2. Risco - provavelmente baixo - de transformação maligna em CHC; 
 
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3. Frequente dificuldade de diferenciação histológica com hepatocarcinomas 
bem diferenciados. 
 Adenomas multifocais ou difusos podem requerer Transplante Ortotópico de 
Fígado (TOF), principalmente se a AFP 
estiver aumentada ou se uma transformação 
maligna já estiver sido diagnosticada; 
 Se o TOF não for possível, uma USG 
associada à dosagem de AFP a cada seis 
meses; 
 A embolização pode ser usada para controle 
do sangramento, para reduzir o tamanho do 
tumor no pré-operatório ou para aliviar os 
sintomas em pacientes inoperáveis; 
 Se o AHC não for retirado, as mulheres devem ser orientadas a cessar o uso de ACO 
(o que pode reduzir o tumor) e a manter um método contraceptivo não hormonal, 
em virtude dos riscos potenciais de uma gestação. 
2 - Hiperplasia Nodular Focal (HNF) 
 Embora rara, é o tumor sólido hepático mais comum depois dos hemangiomas, 
com uma incidência em séries de necrópsias entre 0,31% e 0,6%; 
 Consiste de uma lesão nodular não neoplásica encontrada em todas as idades e 
em ambos os sexos, embora seja mais frequente em mulheres entre 20 e 50 anos; 
 Relação com ACOs ainda não é bem estabelecida. Não houve aumento na 
incidência após os ACOs, mas sabe-se é a HNF é hormônio-dependente; 
 Os ACOs pode macentuar anormalidades vasculares (causando o aumento da 
lesão), maior incidência de sintomas e, muito raramente, podem levar à ruptura da 
lesão; 
 
 Acredita-se que a HNF seria uma resposta hepatocelular hiperplásica (e não 
neoplásica) à hipoperfusão ou injúria vascular originada por uma preexistente 
artéria anômala no locas da lesão. 
 
 Macroscopia: a lesão é lobulada e facilmente demarcável, mas não encapsulada. 
Geralmente são subcapsulares e localizadas no lobo hepático direito. Tamanho 
médio é inferior a 5 cm, raramente excedendo 10 cm. Frequentemente únicos, mas 
podem ser múltiplos (7 a 20%), pedunculados ou lobares. Possuem uma espessa 
cicatriz central com septos radiais que subdividem o tumor em nódulos. 
 Microscopia: assemelha-se à cirrose inativa, com o parênquima hepático dividido 
por septos fibrosos contendo numerosos dúctulos, vasos sanguíneos e células 
inflamatórias crônicas. Lesões maiores podem mostrar focos de hemorragia ou 
 
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necrose, embora seja menos comum do que nos AHCs. Os septos fibrosos, por 
vezes, são pouco desenvolvidos e a cicatriz central pode estar ausente. 
 Em 5-10%, a HNF associa-se a hemangiomas hepáticos. Assim, as características 
histológicas quase sempre proporciona a sua diferenciação em relação aos AHCs, 
embora isso não seja possível em alguns casos. 
Clínica 
 Geralmente assintomáticos (50 a 90%). Cerca 50 a 60% das mulheres portadoras 
possuem história de uso de ACOs. Maioria se descobre incidentalmente; 
 A dor abdominal (ao contrário do AHCs) não é tão comum e não é aguda; 
 Lesões sintomáticas são mais comuns em usuárias de ACO; 
 Exame físico normal em 83%. Nos demais, podem haver hepatomegalia, massa 
abdominal ou dor abdominal; 
 Raramente se rompem. 
 
Exames complementares 
 Provas bioquímicas hepáticas e a AFP são normais; 
 A cintilografia com enxofre coloidal-TC é bastante útil na diferenciação com o AHC: 
a captação do radioisótopo só costuma ocorrer na HFN, já que os adenomas quase 
nunca contêm células de Kupffer; 
 Na angiografia, a captação do contraste é central, e a captação periférica no AHC; 
 Na TC, podem ser observadas as cicatrizes hipodensas centrais, típicas da HNF. 
 
 Prognóstico das HNFs não ressecadas é excelente: a maioria permanece 
assintomática, assim como a maioria das lesões permanece sem alterações. 
Tratamento 
 É expectante na maioria dos casos, uma vez que costumam ser assintomáticas e 
não se associarem com transformação maligna; 
 Lesões volumosas ou pedunculadas raramente podem ser complicadas com torção 
ou infarto, requerendo tratamento cirúrgico; 
 A cirurgia também é recomendada para pacientes com sintomas intensos ou nos 
raros casos de crescimento progressivo da lesão, em que a enucleação é a 
estratégia preferida; 
 A embolização por angiografia e a ligadura da artéria