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FARMACOLOGIA DA ASMA- RESUMO

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-Na fisiologia respiratória, o parassimpático atua no tônus de forma predominante. Acontece por meio de 
receptores muscarínicos do tipo 3, que estão presentes na musculatura lisa, glândulas e vasculatura. 
Logo, a produção de muco, vasodilatação e broncoconstrição. 
OBS: Não temos inervação simpática nos músculos lisos, ela acontece via hormônio e ação sanguínea. 
-Na divisão simpática, existem alguns efeitos antagônicos como a broncodilatação por receptores B2 e 
vasoconstrição por alfa 1. 
 
-As respostas involuntárias do músculo liso são reguladas pelo sistema nervoso autônomo. Nas vias 
respiratórias, o tônus simpático (adrenérgico) provoca broncodilatação, enquanto o tônus 
parassimpático (colinérgico) causa broncoconstrição. O tônus do músculo liso brônquico também é 
regulado por fibras não adrenérgicas não colinérgicas (NANC), que inervam a árvore respiratória. 
 
Resposta alérgica na asma 
A asma produz respostas inflamatórias agudas e crônicas nas vias respiratórias. As células 
apresentadoras de antígeno fagocitam e processam os alergénios, apresentando os antígenos às 
células T CD4+. Essas células diferenciam-se em linfócitos TH2 produtores de citocinas. As células TH2 
ativadas liberam IL-4, IL-13 e IL-5, que recrutam células B e eosinófilos. As células B diferenciam-se em 
plasmócitos produtores da IgE, a qual se liga aos receptores FcεRI presentes em mastócitos e células 
apresentadoras de antígeno. Após nova exposição ao alergênio, ocorre ligação cruzada do FcεRI ligado 
à IgE, induzindo extrusão de grânulos do mastócito e liberação de mediadores inflamatórios 
pré-formados e recém-produzidos, incluindo histamina, cisteinil leucotrienos, fator de ativação das 
plaquetas e outras citocinas. Essas citocinas provocam inflamação aguda das vias respiratórias e 
produzem sintomas asmáticos agudos (“crise” de asma ou exacerbação). Cronicamente, as células TH2 
ativadas e os mastócitos produzem IL-5 circulante, que recruta eosinófilos, e as células TH2 liberam 
produtos que estimulam mastócitos e neurônios locais. Em seu conjunto, os mediadores inflamatórios e 
as enzimas catabólicas produzidos por eosinófilos, mastócitos e neurônios provocam inflamação crônica 
das vias respiratórias e levam à sua remodelagem. 
 
Origens da resposta imune asmática 
Nos indivíduos não atópicos, os antígenos derivados de alergênios são englobados por células 
dendríticas apresentadoras de antígeno, desencadeando resposta fisiológica de baixo nível das células 
TH1. Essa resposta não provoca inflamação nem broncoconstrição das vias respiratórias (à direita). A 
interferona-γ, produzida pelos linfócitos TH1 ativados, inibe a ocorrência de resposta das células TH2. 
Nos indivíduos suscetíveis à asma, os antígenos derivados de alergênicos que são apresentados a 
células T CD4+ imaturas induzem a diferenciação dessas células em linfócitos TH2 ativados. Em 
seguida, os linfócitos TH2 liberam citocinas, que recrutam outras células inflamatórias, incluindo 
eosinófilos, mastócitos e células B produtoras de IgE. Juntas, essas células desencadeiam resposta 
inflamatória nas vias respiratórias. As células TH2 ativadas também induzem diretamente uma resposta 
asmática, em parte por meio da liberação de IL-13. O resultado final – hiper-responsividade das vias 
respiratórias, produção de muco pelas células caliciformes, edema das vias respiratórias, fibrose 
subepitelial e broncoconstrição. 
 
1. Fase aguda (imediata) 
 
 
BEATRIZ GURGEL - MEDICINA UFMS CPTL 
FARMACOLOGIA DA ASMA 
 
 
⌐ Resposta direta ao alérgeno ou estímulo (hipersensibilidade I); 
⌐ Degranulação maciça (mastócito); 
⌐ Mediadores: histamina, LT (mediadores inflamatórios de curto prazo) e PG; 
⌐ Citocinas: IL-4, IL-5, IL-13, TNF-α; 
 Broncoespasmo (contração musculatura lisa). 
Racional terapêutico da fase aguda: reduzir a broncoconstrição causada por mediadores inflamatórios. 
Controlar efeitos causados por LT, PG. Para isso, utilizamos broncodilatadores com intuito de reduzir a 
resistência respiratória. 
 
2. Fase tardia (“noturna”) 
⌐ Resposta inflamatória reativa e progressiva (costuma acontecer em torno de +6 h); 
⌐ Relacionada à proliferação CD4+ Th2 (exacerbação da resposta imune). 
⌐ Mediadores: LT, substância P, NO, adenosina; 
⌐ Citocinas: IL-4, IL-5, IL-8 (quimiotaxia/cronificação). 
 
2. Fase tardia (“noturna”) 
Edema (↑muco e migração); 
Proteínas tóxicas (catiônica, básica maior e neurotoxina); 
Perda epitelial (↑sensibilidade a estímulos); 
Hiperplasia da musculatura lisa (oclusão brônquica); 
Hiperplasia da camada mucosa. 
 
 
 
AGONISTAS B ADRENÉRGICOS 
Ativam adenilato ciclase que aumenta AMP cíclico, ativação da PKA e consequentemente causando 
broncodilatação. 
✓ Broncodilatação (antagonismo fisiológico de espasmogênicos); 
✓ ↓Muco e mediadores inflamatórios. 
Todos os farmacos tem estruturas analogas as catecolaminas. 
Análogos de catecolaminas naturais. Núcleo catecol 
Norepinefrina: tem mais afinidade por receptores ​α​ > β 
 
Epinefrina: mais afinidade por receptores α <​ β 
 
Isoproterenol: α <<< ​β (não-seletivo).​ É uma catecolamina sintética. Análogo. Agonista seletivo para B, 
embora ele não seja seletivo para os subtipos de B, ativando todos. O que isso quer dizer? se for 
utilizado, deve-se imaginar que há ativação de B1, tendo taquicardia sendo esperada, frente ao uso 
desse fármaco. 
 
Salbutamol: β1 <<<​ β2 seletivo, mais afinidade com o 2 do que o 1. 
 
Salmeterol: β1 <<<​ β2 seletivo 
 
 
BEATRIZ GURGEL - MEDICINA UFMS CPTL 
FARMACOLOGIA DA ASMA 
 
 
 
Formoterol: β1 <<< ​β2 seletivo 
Esses três últimos possuem perfis cinéticos diferentes. 
 
Agonistas de ação curta: ​utiliza-se somente sob demanda, ou seja, em pacientes que não possuem 
crises repetitivas, justamente pelo perfil cinético. Não há necessidade de manter broncodilatação 
constante.Utilizados em crises agudas. 
● Salbutamol- tem tempo de ação curta, de no máximo 5-6 horas. 
● Terbutalina- tem tempo de ação curta, de no máximo 5-6 horas. 
 
Agonistas de ação longa: ​possuem duração do efeito em torno de 10-12 horas. Pacientes que 
possuem um quadro constante e difícil de controlar, podem usar de forma regular, BID (duas vezes ao 
dia). 
● Salmeterol- possui um início de broncodilatação maior, em torno de 1h 
● Formoterol- 
 
Efeitos indesejados dos agonistas de receptores β2 -adrenérgicos (Gs). OBS: esses efeitos são 
causados por doses altas ou constantes, ou ainda, utilizado via sistêmica e não por bombinhas. 
 
- Tremores e ansiedade (β2)- está presente na musculatura esquelética. 
- Vasodilatação e hipotensão (β2); presentes em grandes vasos. 
- Relaxamento uterino (β2)- podem ser usados para atrasar o parto. 
- Taquicardia e arritmias (β1);- quando usamos agonistas não seletivos ou altas doses de fármacos que 
são seletivos para B2, podendo perder a seletividade. 
OBS: não é raro encontrar pacientes com asma relatando taquicardia. 
 
✓ São o tratamento base para fase aguda. 
 
 
 
 
 
METILXANTINAS 
✓ Antagonista de adenosina (A1-3) 
✓ Inibição de PDE (↑AMPc/GMPc) 
Duas metilxantinas, teofilina e aminofilina, são utilizadas ocasionalmente no tratamento da asma. O 
mecanismo de ação desses fármacos é complexo, porém seu principal efeito broncodilatador parece 
dever-se à inibição inespecífica de isoenzimas da fosfodiesterase. A inibição da fosfodiesterase dos 
tipos III e IV impede a degradação do AMPc nas células do músculo liso das vias respiratórias, 
resultando em relaxamento do músculo