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RESENHA CRÍTICA - O DIREITO DO TRABALHO LÍQUIDO

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FACULDADE DE CIÊNCIAS SOCIAIS DE CASCAVEL – UNIVEL
BACHARELADO EM DIREITO
LAÍS CRISTINA CATAPAN
7º SEMESTRE - B
RESENHA CRÍTICA
 
CASCAVEL
2018
RESENHA CRÍTICA - O DIREITO DO TRABALHO LÍQUIDO
É possível observar, no que tange as relações de emprego, a precariedade, a instabilidade e a vulnerabilidade, características estas que decorrem da atual estrutura e condições do trabalho, que não mais garantem segurança e estabilidade.
Assim, nitidamente há um descompromisso entre seus sujeitos (empregados e empregadores), que fazem de seus laços humanos algo inviável, “negociando” todo o conjunto trabalhista, resumindo-a em uma relação única e exclusiva de consumo instantânea. 
Aliás, a própria proposta do modo de trabalho é um ciclo de produção, ou seja, a base da relação é fundada sob o descompromisso, o que na pratica enseja menos regras, maior flexibilidade nos contratos já curtos e precários, e novamente o descompromisso.
De certa forma, seja tacitamente ou por falta de alternativas, a política da precarização do direito do trabalho líquido e descompromissado conduzida pelo atual mercado, acaba gerando um conflito interior, interferindo na política de vida – plano pessoal – do homem submetido ao contrato. Isto se dá pelo fato de que o modo de trabalho impõe um alerta sobre os homens, que criam táticas de sobrevivência que resultam numa fuga pessoal e o afastamento dos laços humanos.
A linha é tênue, haja vista que o limite do tolerável estabelecido anda junto com o que a sociedade define como bem comum e aceitável.
“Contudo, ao que parece, o capitalismo liquido e hiperliberal e a sua proposta de um direito do trabalho liquido e descompromissado pretender levar o homem a uma existência irracional, sem ao menos lhe permitir a exata percepção de como isso ocorreu. ”
Não há dúvidas que empresas usam de todos os meios acessíveis para garantir a efetivação de todo o já exposto, trata-se de um sutil e elaborado jogo de subordinação, o qual possui três momentos: reinvenção descontinua de instituições, especialização flexível de produção e concentração de poder sem centralização.
O primeiro citado, reinvenção descontinua de instituições, se respalda numa grande administração empresarial, através de sistemas operacionais (programas de computador) que avaliam o quantitativo de seus empregados e os qualificam, numa proposta de “delayering”, que ao fim resulta num corte de empregados e em um maior controle de subordinação. Assim como a reengenharia significa dizer “fazer maios com menos”.
Nesse mesmo sentido, necessário se faz citar a concentração sem centralização, que se funda, principalmente, na ilusória ideia de oferecer ao empregado controle sobre suas atividades. Para exemplificar fora da teoria e deixar mais visível, é possível citar o teletrabalho – home-office, o qual, embora aparente possuir maior liberdade que o empregado “preso” em uma rotina, está na verdade submetido em um novo meio de controle.
Também conhecido como flexitempo, o home-office está sempre submetido ao controle eletrônico, fiscalização essa que ocorre através de ligações frequentes e e-mails, a qual tem por objetivo uma desorganização do tempo, a qual se remete novamente a ausência do plano pessoal do empregado.
Embora pareça obvio todo o exposto, existem diversas formas de camuflagem desenvolvidas pelo empregador para ocultar a superficialidade das relações de trabalho liquida e descompromissada, como por exemplo o trabalho em equipe. Desenvolve-se então uma ideia de foco e metas que transferem do empregador a responsabilidade, o qual justifica suas decisões na falta de comprometimento dos empregados, que sequer percebem o ocorrido.
Em decorrência do trabalho em equipe, denota-se a pressão da equipe um com os outros que gera desgaste excessivo, depressão, opressão e a errônea mensagem de que o agente é o responsável, libertando o empregador para mudar, adaptar e despedir sem visibilidade e responsabilidade.
Há de se mencionar novamente, que a exploração tolerável está limitada pelo que a sociedade aceita, e quanto mais abre espaço para tais atitudes por parte do empregador, mais o empregado se transforma em um homem descompromissado sem caráter. 
Entretanto, o capitalismo não pretende resolver esse problema, muito pelo contrário, visa incentivar ainda mais, o que deixa a população a mercê de grandes empresas e administradores. 
Por fim, conforme todo o exposto, é possível auferir após uma leitura crítica, que infelizmente a relação de emprego vai muito além do ambiente de trabalho do empregado, a forma de tratamento, incentivo e diálogo entre os sujeitos resultaria em uma sociedade ética, segura e confortável, entretanto, esta não é a realidade.
Os empregadores visam apenas o lucro e controle, não há laços humanos nem compromissos. A medida que se impõe é subordinação, desenvolvida essa, através do controle exorbitante, o qual em muito atrapalha a vida pessoal dos empregados – já tensos e oprimidos com um desgastante trabalho sem retorno e incentivos. 
Porém, é possível por meio de um processo de conscientização dos empregados, retomar as condições dignas de um emprego saudável. Assim, cabe a sociedade como um todo resolver-se e opor-se as práticas abusivas por parte do empregador, impondo-se como cidadãos e funcionários necessários, que trabalham motivados junto com a empresa, sentindo-se útil, retomando uma sociedade que zela pela ética, respeito e dignidade no ambiente de trabalho.