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RELATÓRIO FINAL- HOSPITALAR

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compreender que o trauma conferido a esse adoecimento está relacionado como a forma que ele é vivido no âmbito de suas conexões. Entende-se que toda experiência que gera um trauma precisa ser elaborada, num processo individual do sujeito. Nesse momento, o terapeuta ajuda o indivíduo no processamento de formação de seu luto (MORETTO, 2019).
Percebe-se que quando o outro não está disponível para ouvir sobre o adoecimento faz com que o sujeito adoecido se sinta imperceptível. Dessa forma, o cuidado se faz necessário em contextos onde há traumas gerados pelo adoecimento (MORETTO, 2019). 
Assim, é entendido a importância de o terapeuta deixar o paciente abeto a fala, para que ele mesmo crie sua narrativa, sendo assim o autor da sua própria história, fugindo da passividade. Isso gera um reconhecimento por parte do paciente sobre a relevância de sua fala, e também reconhecimento de suas chances e limites para batalhar (MORETTO, 2019).
Segundo a autora supracitada acima, as narrativas dos pacientes sobre seu adoecimento estão relacionadas com o corpo, porém é importante que o terapeuta dê atenção também para a vivência do fiasco pessoal. 
Durante sua fala, o sujeito vai dando indicações da forma como ele sente essa vivência relacionando com o fiasco pessoal, se mostrando através de falas onde mostra seus sentimentos de inatividade, constrangimento e remorso, mostrando que ele acredita que ao adoecer faz com que ele seja um fracasso (MORETTO, 2019).
Para Moretto (2019), quando o indivíduo passa pela vivência de um adoecimento faz com que ele perca a ideia de imortalidade e passa a entender que morrer é possível. Acredita-se que a morte passa para um âmbito possível, de forma que faz com o indivíduo passe a batalhar pela sua vida. Nesse momento, a construção do luto passa ser relacionado com a perdas de suas ideologias e não mais com a crença de imortalidade.
De acordo com Moretto (2019), existe contextos onde há uma surpresa do paciente quando o mesmo percebe que não tem sempre o controle do que acontece com seu corpo. Há momentos também em que se chocam por ter adoecido e se questionam o porquê aquilo aconteceu com ele. 
Portanto, quando o indivíduo acredita que seu adoecimento está relacionado com seu fracasso pessoal ele sofre. É necessário que se compreenda que o que está em jogo é a conexão do indivíduo com o impossível e não com vivência de incapacidade. “Frente ao impossível, cabe o luto; frente o possível cabe a luta” (MORETTO, 2019, p. 36).
2.3 ATUAÇÃO DA PSICOLOGIA NOS HOSPITAIS
2.3.1 Processos culturais (trabalho realizado com as diversas formas de produção cultural, incluídas as formas de expressão artística)
No campo da saúde, conhecer a diversidade cultural representa um dispositivo disparador de alternativas e possibilidades para auxiliar na solução de problemas e atendimento das demandas da população.
Há muitos grupos que somente conseguem ser acessados e promovida sua adesão ao serviço através de manifestações culturais. Particularmente nos trabalhos voltados a saúde mental é bastante comum uso do teatro, dança, música, artesanato como produtores de vínculos e restabelecimento de coesão social e comunitária.
2.3.2 Processos educativos (formação/capacitação/ orientação de professores; planejamento educacional; elaboração de projetos educacionais; avaliação de processos educativos; orientação profissional/vocacional; planejamento e acompanhamento de medidas socioeducativas)
A educação em saúde pode ser entendida como uma forma de abordagem que, enquanto um processo amplo na educação, proporciona construir um espaço muito importante na veiculação de novos conhecimentos e práticas relacionadas.
Nos serviços de transplantes, os processos educativos passam a ser parte do papel do profissional de saúde que ali trabalha, incluindo o psicólogo. Esse procedimento pode provocar inúmeras implicações psicológicas capazes de afetar todas as pessoas envolvidas. O tempo de espera, a insegurança quanto ao sucesso do procedimento e a aceitação da ideia sobre a necessidade do transplante são questões emocionais presentes nas pessoas assistidas que se encontram nesta condição e podem ser minimizados quando o trabalho educativo for efetivo e constante.
Existem outras intervenções que também exigem os processos educativos: na prevenção das IST/HIV/aids, na prevenção oncológica, na gravidez na adolescência, no incentivo a amamentação, dentre outros.
2.3.3. Processos formativos (formação de profissionais de diferentes áreas; capacitação de trabalhadores de campos diversos)
O psicólogo está envolvido na formação de novas equipes, ou na implantação de novos serviços. São requisitados a participar de treinamentos para profissionais de saúde, agente comunitários ou grupos profissionais específicos, como técnicos de enfermagem, pessoal da higienização, enfermeiros, médicos, equipes multidisciplinares.
O princípio da integralidade do SUS indica ações que envolvam diferentes saberes e com a interdisciplinaridade tentamos superar as barreiras da fragmentação do homem e dos fenômenos apresentados pela subjetividade.
Uma nova concepção que envolve subjetividade, vínculos de confiança e diálogo nas relações interpessoais, no caso, do paciente, da família e equipe de cuidados. Teremos como resultado deste desafio uma equipe mais sensível e coesa, espontânea e criativa que agrega conhecimento técnico favorecendo a qualidade do atendimento.
2.3.4 Processos formativos de psicólogas (os) (formação profissional em nível de graduação, pós-graduação stricto sensu e especialização)
A preceptoria no SUS é uma das atividades mais importantes na construção do sistema de saúde que desejamos. Uma das principais funções da supervisão é a de desenvolver no supervisionando a capacidade de perceber suas próprias dificuldades. Essa seria a forma de conquistar a independência, seguindo ele sozinho, através de sua autocrítica no processo de aprendizagem.
Quando o psicólogo é contratado para trabalhar em um hospital, nem sempre ele apresenta um amplo conhecimento das especificidades de manejo clínico utilizados em uma instituição hospitalar. 
Com isto, uma das formas de se dar continuidade ao aprimoramento e a possibilidade de aquisição de novos conhecimentos na área de atuação é a manutenção da prática supervisionada.
Devolver o compromisso de propiciar o atendimento mais qualificado possível e comprometendo-se no desenvolvimento da profissão é um atestado de compromisso social, solidariedade e amor a profissão.
2.3.5. Processos grupais (desenvolvimento de grupos em situações diversas; condução de dinâmicas de grupo; avaliação de processos grupais)
Um dos pontos importantes do atendimento grupal é a possibilidade de troca de experiências entre os membros do grupo. No hospital, geralmente, os grupos são abertos e com duração de um encontro. A cada semana os grupos são formados com os pacientes ou familiares que se encontram na instituição e são focados em orientações e trocas de experiências. Devido a esta característica, cada encontro do grupo deve ter começo, meio e fim.
No entanto, na assistência a pacientes ambulatoriais, pode-se propor grupos semanais fechados, com um número limitado de participantes com o objetivo de catalisar as necessidades dos membros e promover uma reflexão para possíveis mudanças e com maior efeito psicoterapêutico.
2.3.6. Processos de mobilização social (organização de grupos para atividades de participação social; desenvolvimento comunitário)
No exercício profissional do psicólogo hospitalar muitas ações são de caráter de mobilização social. Seja uma campanha para doação de lei ao Banco de Leite Humano, sejam as campanhas internas para assepsia de mãos ou para aceitação da presença do acompanhante no parto ou na UTI neonatal. São diversas ações de mobilização social a serem implementadas, tanto para o público interno de colaboradores, ou externo voltados para a comunidade.
2.3.7. Processos organizativos (atuação em organizações ou trabalho, cujas ênfases sejam as diversas formas de processos organizativos)
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