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RELATÓRIO FINAL- HOSPITALAR

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‘bem-estar’, presente na definição da OMS, é um componente tanto do conceito de saúde, quanto de saúde mental, é entendido como um construto de natureza subjetiva, fortemente influenciado pela cultura. A OMS define saúde mental como "um estado de bem-estar no qual um indivíduo percebe suas próprias habilidades, pode lidar com os estresses cotidianos, pode trabalhar produtivamente e é capaz de contribuir para sua comunidade”.
Definições de saúde mental é objeto de diversos saberes, porém, prevalece um discurso psiquiátrico que a entende como oposta à loucura, denotando que pessoas com diagnósticos de transtornos mentais não podem ter nenhum grau de saúde mental, bem-estar ou qualidade de vida, como se suas crises ou sintomas fossem contínuos. (GAINO et al., 2018)
Nos anos 1960, o psiquiatra italiano Franco Basaglia propôs uma reformulação no conceito de loucura, mudando o foco da doença e expandindo-o com questões de cidadania e inclusão social. Tal ideia ganhou adeptos e acendeu um movimento que influenciou o conceito de saúde mental no Brasil e resultou na Reforma Psiquiátrica Brasileira. (GAINO et al., 2018)
Para Gaino et al. (2018) há dois paradigmas principais para discussão dos conceitos de saúde e saúde mental, ou seja, o paradigma biomédico e o da produção social de saúde. No primeiro, o foco é exclusivamente na doença e em suas manifestações, a loucura como sendo essencialmente o objeto de estudo da psiquiatria. No segundo, a saúde é mais complexa que as manifestações das doenças e inclui aspectos sociais, econômicos, culturais e ambientais. Neste paradigma, loucura é muito mais que um diagnóstico psiquiátrico, pois os pacientes com um transtorno psiquiátrico podem ter qualidade de vida, participar da comunidade, trabalhar e desenvolver seus potenciais.
Por conseguinte Correia et al. (2011) mostra que para adquirir a cidadania e estar incluído socialmente, o indivíduo deve ter um poder de contratualidade e está se apresenta sobre três cenários. O primeiro seria o habitat (casa), que é o espaço onde se vive e onde se tem poder contratual elevado na relação organizacional e na relação afetiva com os outros. O segundo seria o cenário da rede social, onde estaria empobrecida, com poucos vínculos. E o terceiro cenário seria o trabalho, onde tem valor social, num contexto da economia solidária (cooperativa) superando, assim, o referencial do trabalho protegido. 
3.3.2 Sobrecarga no trabalho
Existe um número expressivo de doenças relacionadas a sobrecarga de trabalho, umas das mais conhecidas pela sociedade são: LER/DORT, lesão por esforço repetitivo e distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho, como também outros sinais de sintomas de estresse, depressão, ansiedade e doenças do trato intestinal.
De acordo com Grazziano (2008, p.18), “As exigências da vida moderna e do mercado de trabalho nas últimas décadas vem consumindo a energia física e mental dos trabalhadores, minando seu compromisso, sua dedicação e tornando-os descrentes quanto às suas conquistas e ao sucesso no trabalho”. Afirma ainda que essas mudanças trazem consequências negativas para o trabalhador como: aumento da carga de trabalho, insegurança pela instabilidade do emprego, redução de ganhos e perda de benefícios. Além das situações de estresse o profissional de saúde, ainda enfrenta tensões decorrentes da própria profissão, como afirma Batista (2011, p. 26).
Nessa atividade, há uma estreita ligação entre o trabalho e o trabalhador, com a vivência direta e ininterrupta do processo de dor, morte, sofrimento, desespero, incompreensão, irritabilidade e tantos outros sentimentos e reações desencadeadas pelo processo doença.
 No entanto, os profissionais de saúde enfrentam, situações conflituosas como controle supervisionado, excesso de trabalho e acúmulo de tarefas, isso pode causar desgaste físico e mental do profissional comprometendo a sua saúde. O cansaço diminui sua capacidade de prestar um serviço de excelência, com uma possibilidade maior de estresse na resolução de problemas e convivência social com outros funcionários.
A longa jornada de trabalho é um fator que contribui para que o aparecimento do estresse, este profissional exposto a estes estressores pode sofrer consequências graves, prejudicando a si e aqueles que necessitam de seu trabalho.
No momento em que a situação já não era das melhores o COVID-19 se faz presente, sem nenhuma previsão de ser erradicado, momento em que pandemia requer maior atenção ao trabalhador de saúde também no que se refere aos aspectos que concernem à sua saúde mental, aumentando sintomas psicossomáticos e medo de se infectarem ou transmitirem a infecção aos membros da família.
Assim, a fim de garantir um atendimento de qualidade aos pacientes, observa-se que funcionários da área hospitalar necessitem buscar uma assistência de acordo com suas necessidades e dificuldades. Por outro lado, fortalecer os vínculos entre estes funcionários, organizar reuniões com seus supervisores, na tentativa de encontrar uma forma de trabalho que os deixem menos sobrecarregados, só assim poderá exercer um serviço de qualidade, e ao final do expediente sentir que o foi prazeroso o trabalho realizado naquele dia.
3.3.3 Síndrome de Burnout 
Segundo Trigo et al. (2007) o trabalho é uma atividade que pode ocupar grande parcela do tempo de cada indivíduo e do seu convívio em sociedade. Dejours (1992) afirmava que o trabalho nem sempre possibilita realização profissional. Pode, ao contrário, causar problemas desde insatisfação até exaustão.
Freudenberger (1974) apud Trigo et al. (2007) criou a expressão staff burnout para descrever uma síndrome composta por exaustão, desilusão e isolamento em trabalhadores da saúde mental. O termo burnout é definido, segundo um jargão inglês, como aquilo que deixou de funcionar por absoluta falta de energia. Logo a Síndrome de Burnout é um processo iniciado com excessivos e prolongados níveis de estresse (tensão) no trabalho.
O mesmo foi reconhecido como um risco ocupacional para profissões que envolvem cuidados com saúde, educação e serviços humanos (GOLEMBIEWSKI, 1999; MASLACH, 1998; MUROFUSE et al., 2005 apud TRIGO et al., 2007). 
No Brasil, o Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999, aprovou o Regulamento da Previdência Social e, em seu Anexo II, trata dos Agentes Patogênicos causadores de Doenças Profissionais. E na tabela de Transtornos Mentais e do Comportamento Relacionados com o Trabalho (Grupo V da Classificação Internacional das Doenças – CID-10) cita a "Sensação de Estar Acabado" ("Síndrome de Burnout", "Síndrome do Esgotamento Profissional") como sinônimos do burnout, que, na CID-10, recebe o código Z73.0. A Organização Mundial da Saúde (1998) compreende o burnout como um grande problema no mundo profissional da atualidade (TRIGO et al., 2007).
De acordo com Kestenberg (2018) o Burnout também está ligado ao fato das pessoas trabalharem em empregos que exigem bastante delas, isso faz com que se tornem exageradamente perfeccionistas. A cobrança exacerbada de si mesmo, e pelos superiores, acaba impactando de forma negativa na vida pessoal e profissional.
A autora cita que algumas das profissões mais afetadas pela síndrome são: profissionais da saúde em geral, principalmente médicos e enfermeiros; jornalistas; advogados; professores; psicólogos; policiais; bombeiros; carcereiros; oficiais de Justiça; assistentes sociais; atendentes de telemarketing; bancários e executivos.
Os primeiros estudos sobre a síndrome foram realizados na Europa, seguido nos EUA. As estatísticas demonstram que as principais causas envolvem a relação do trabalho com o estresse, ansiedade e nervosismo intenso, no qual chegam ao esgotamento emocional, mental e físico (TRIGO et al., 2007).
Outros fatores de rico acabam influenciando no desenvolvimento da Síndrome de Burnout, como os problemas com o chefe, com familiares, no relacionamento etc. Tudo isso cria um desequilíbrio interno, impactando de negativamente na forma com que suas energias são utilizadas (KESTENBERG, 2018).
Os principais sintomas