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RELATÓRIO FINAL- HOSPITALAR

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sobre o novo coronavírus, sua alta velocidade de propagação e capacidade de provocar mortes em populações vulneráveis, geram incertezas sobre as melhores estratégias de combate à epidemia em diferentes países do mundo. No Brasil, os desafios são maiores, visto os contextos de desigualdades social, com populações vivendo em condições precárias de habitação e saneamento, sem acesso sistemático a água e em situação de aglomeração.
	Tendo em vista que não existe ainda uma vacina, ou tratamento comprovadamente eficaz, as estratégias de distanciamento social têm sido consideradas os mais importantes meios de intervenção para o controle do vírus. Porém, considerando, as equipes de assistência a saúde, público alvo desta cartilha, principalmente os profissionais que estão no cuidado direto à pacientes com suspeita ou diagnóstico confirmado de COVID-19, em serviços de atenção primária, nas unidades de pronto atendimento e nos hospitais, a recomendação de permanecer em casa não se aplica (TEIXEIRA, et al., 2020). 
	Nesse sentido os profissionais de saúde constituem um grupo de risco para a COVID-19 por extarem diretamente expostos aos pacientes infectados, o que acarreta uma alta carga viral, além de submetê-los a enorme estresse ao atender esses pacientes, muitos em situação grave, geralmente em condições de trabalho inadequadas. Estes profissionais, envolvidos direta ou indiretamente no enfrentamento da pandemia, estão expostos ao risco de adoecer pelo coronavírus. Problemas como cansaço físico e estresse psicológico, insuficiência e ou negligência com relação as medidas protetivas e cuidados com a saúde destes profissionais estão presentes no âmbito da saúde.
	Pensando no contexto da pandemia é fundamental prestar uma atenção diferenciada ao trabalhador de saúde em relação a aspectos da saúde mental. Tem sido recorrente relatos de aumento de sintomas de ansiedade, depressão, perda da qualidade do sono, aumento do consumo de drogas, sintomas psicossomáticos e medo de se infectarem ou transmitirem a doença para algum membro da família (BRASIL, 2020).
O medo de ser infectado, a proximidade com o sofrimento dos pacientes ou a morte destes, bem como a angustia dos familiares associada a falta de suprimentos médicos, informações incertas, solidão e preocupação com entres queridos também são aspectos que colaboram para o sofrimento mental dos profissionais de saúde (TEIXEIRA et al., 2020). Além disso verificou-se a presença de transtorno de ansiedade generalizada, estresse crônico, a exaustão ou o esgotamento dos trabalhadores frente à intensa carga de trabalho, que tende a piorar num contexto de carência de mão-de-obra caso um dos profissionais de saúde necessitem se isolar devido ao fato de contraírem o COVID-19. Por fim, alguns trabalhos chamam a atenção para o sentimento de impotência diante da gravidade e a complexidade dos casos face à falta de leitos ou equipamentos de suporte à vida (TEIXEIRA, et al.).
	Concluindo os fatores que contribuem para o sofrimento psicológico de enfermeiros, médicos, terapeutas respiratórios, auxiliares e outros profissionais de saúde que prestam atendimento direto à pacientes com COVID-19 são em síntese: 
· Esforço emocional e exaustão física ao cuidar de um número crescente de pacientes com doenças agudas de todas as idades que têm o potencial de se deteriorar rapidamente;
· Cuidar de colegas de trabalho que podem ficar gravemente doentes e, às vezes, morrer de COVID-19;
· Escassez de equipamentos de proteção individual que intensificam o medo de exposição ao coronavírus no trabalho, causando doenças graves;
· Preocupações em infectar membros da família, especialmente os mais velhos, os imunocomprometidos ou com doenças crônicas;
· Escassez de ventiladores e outros equipamentos médicos cruciais para o atendimento dos pacientes graves;
· Ansiedade em assumir papéis clínicos novos ou desconhecidos e cargas de trabalho expandidas no atendimento a pacientes com COVID-19;
· Acesso limitado a serviços de saúde mental para gerenciar depressão, ansiedade e sofrimento psicológico.
É possível pensar em algumas intervenções possíveis. No que se refere a reorganização de trabalho, pode-se adotar turnos de 6 horas de trabalho para enfermeiros, com superposição de uma hora e implantação da monitoria online ou presencial do trabalho desses profissionais, bem como a divisão da equipe entre cuidadores e não cuidadores de COVID-19 reduzindo assim o risco de transmissão, outro fator importante capacitação dos profissionais. Outra intervenção relevante é a criação de redes colaborativas voltadas para a disponibilização de suporte técnico à capacitação dos profissionais, através de material institucional, palestras, disseminação de diretrizes e regulamentos, bem como desenvolvimento de estudos de caso como estratégia pedagógica para capacitar os profissionais (TEIXEIRA, et al.).
Já sobre a saúde mental dos profissionais, ações de promoção e proteção da saúde, como a criação de equipes de suporte psicológico aos profissionais de saúde, oferecendo cursos on line e outras estratégias. Além disso, grande parte dos cuidados de saúde mental pode ser fornecido por meio de serviços de telemedicina, incluindo vídeo com telemedicina, incluindo vídeo com profissionais de saúde mental, aplicativos móveis, recursos online e suporte virtual por pares. Tais serviços requerem o treinamento de psicólogos, psiquiatras e demais profissionais para atendimento, assim como a disponibilização de infraestrutura com telefones e dispositivos para interação. A rede de Atenção Psicossocial também poderá ser utilizada para atender a situações de crise seja da população, familiares e acompanhantes, como dos profissionais de saúde (TEIXEIRA, et al.).
Depressão 
	Dentre as características mais comuns presentes no transtorno depressivo encontra-se a presença de humor triste, vazio ou irritável, acompanhado de alterações somáticas e cognitivas que afetam significativamente a capacidade de funcionamento do indivíduo. O que difere entre eles são aspectos relacionados a duração, momento ou etiologia presumida (APA, 2014).
De acordo com Schimidt, Dantas e Marziale (2011) as evidências científicas mostram que existem diversos fatores que podem desencadear a depressão tais como: desequilíbrios químicos cerebrais, características de personalidade, vulnerabilidade genética e eventos situacionais. Entre trabalhadores da enfermagem, a literatura mostra que os fatores desencadeantes estão associados a fatores internos do ambiente e processo de trabalho como: os setores de atuação profissional, o turno, o relacionamento interpessoal, a sobrecarga de serviço, os problemas na escala, a autonomia na execução de tarefas, a assistência a clientes, o desgaste, o suporte social, a insegurança, o conflito de interesses, e as estratégias de enfrentamento desenvolvidas; e a fatores externos ao trabalho, como: sexo, idade, carga de trabalho doméstico, suporte e renda familiar, estado de saúde geral do trabalhador, e as características individuais.
Gomes et al. (2015) diz que a depressão é uma doença incapacitante com maior prevalência entre trabalhadores de saúde como médicos residentes, enfermeiros, estudantes de medicina e médicos graduados. Tal fato tem relação com os diversos desafios diários e a grande responsabilidade com a vida do outro, onde falhas e inseguranças não são permitidas, tal senso de responsabilização constitui fator de risco acrescido para o desenvolvimento de depressão entre estes profissionais. 
Além disso, nem todos os profissionais possuem a mesma capacidade para lidar com a proximidade com a morte, a impossibilidade do erro, o convívio com a dor e o sofrimento. Nesse sentido há uma tendência de que a exposição de sentimentos conflitantes seja encarada como fraqueza emocional e falta de profissionalismo. Assim sendo, acabam por não buscar a ajuda adequada (GOMES et al., 2015). 
Dentre as possíveis intervenções podem ser destacadas em muitos casos, oferecer melhores condições de trabalho (condições salubres), valorização das