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RELATÓRIO FINAL- HOSPITALAR

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relações interpessoais, subsídios durante a fase do academicismo de elementos que forme um profissional mais capacitado para agir nas adversidades e não apenas acumular conhecimentos técnicos (GOMES et al., 2015). 
3.4.6 Valorização do trabalho
Segundo Sprandel e Vanghetti (2012) por muitos anos o serviço de saúde revestiu se de aspectos assistencialista e caritativos, bem mais que humanistas. Com a promulgação da lei 8080 buscaram a promoção, proteção e recuperação da saúde dos indivíduos. Em 2001, o Ministério da Saúde criou o programa de humanização da assistência hospitalar com o intuito de melhorar a qualidade e a eficácia dos serviços prestados e da valorização do trabalho dos profissionais da área.
No entanto, ainda existe instituições que desvalorizam os profissionais de saúde e precarizam as relações de trabalho. Os profissionais de saúde lidam diariamente com as fragilidades e dificuldades de outras pessoas expostas as expectativas de vida, saúde, doença e a morte. Em consequência disso acontece uma organização e desorganização mental, física e afetiva para enfrentar essas situações.
“(...) a valorização profissional encontra-se fortemente atrelada à motivação, sendo decisiva na dinâmica da mobilização subjetiva da inteligência e da personalidade no trabalho, o que também é encontrado em investigações que estabelecem essa correlação. ” (SPRANDEL; VANGHETTI, 2012, p. 795)
Ainda com as autoras citadas anteriormente, quando há sofrimento e este pode ser modificado através da criatividade, acontece uma mudança benéfica a identidade do trabalhador, e ainda aumenta a resistência ao risco de desestabilização psíquica e somática. A partir disso o trabalho passa a ser um mediador para a saúde.
 “No entanto, estudos apontam que a valorização e o reconhecimento obtidos através de ações realizadas junto à comunidade e ao paciente, a fim de melhorar as condições de saúde, surgem como fontes de prazer e de satisfação pessoal na profissão. Nesse sentido, o trabalho em ambiente hospitalar e na saúde pública é rico, estimulante e heterogêneo, mas engloba simultaneamente atividades insalubres, penosas e difíceis para todos os trabalhadores inseridos nesse meio.” (KESSLER; KRUG, 2012, p.50)
3.4.7 Autocuidado
“O autocuidado é um conceito estabelecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS), tratando-se da forma como a população estabelece e mantém a própria saúde, e como previne e lida com as doenças” (MONTEIRO, 2018).
Segundo Monteiro (2018) “o conceito é amplo e envolve questões fundamentais como higiene, nutrição, estilo de vida, fatores ambientais e socioeconômicos”.
Para Silva et al. (2009) o autocuidado é uma atividade aprendida do próprio indivíduo e tem como objetivo uma ação que o indivíduo dirige para si mesmo ou para regular questões do seu próprio desenvolvimento, atividades em benefício da vida, saúde e bem-estar. 
De acordo com Neves (1987) essas atividades aprendidas têm relação com crenças, hábitos e práticas que caracterizam a maneira cultural de vida do grupo ao qual o indivíduo pertence. O desempenho de tais atividades envolve uma decisão, uma escolha.
O modelo de autocuidado formulado por Orem é composto de três teorias inter-relacionadas: Teoria do autocuidado, Teoria do déficit de autocuidado e Teoria dos sistemas de enfermagem (LOPES; FREITAS; GALVÃO; LOPES, 2015). “Também são três os requisitos de autocuidado apresentados por Orem: universais, de desenvolvimento e de desvio de saúde” (SILVA, 2009).
“A Teoria do Autocuidado engloba o autocuidado, a atividade de autocuidado e a exigência terapêutica de autocuidado” (Tomey & Alligood, 2002 apud QUEIRÓS; VIDINHA; FILHO, 2014). “A demanda terapêutica de autocuidado é uma entidade de caráter humano, com uma base objetiva na informação que descreve o indivíduo desde o ponto de vista estrutural, funcional e de desenvolvimento” (SILVA, 2009).
“A ideia central da Teoria do Défice de Autocuidado é que a necessidade de cuidados de enfermagem está associada à subjetividade da maturidade das pessoas em relação às limitações da ação relacionadas com a saúde ou com os cuidados de saúde” (Tomey & Alligood, 2002 apud QUEIRÓS; VIDINHA; FILHO, 2014).
“A Teoria dos Sistemas de Enfermagem sugere que a enfermagem é uma ação humana, pois estes são sistemas de ação concebidos e produzidos por enfermeiros através do exercício da sua prática com pessoas que apresentam limitações de autocuidado” (Tomey & Alligood, 2002 apud QUEIRÓS; VIDINHA; FILHO, 2014).
Segundo Silva (2009) “os requisitos universais do autocuidado são comuns para todos os seres humanos e incluem a conservação do ar, água, alimentos, eliminação, atividade e descanso, solidão e interação social, prevenção de risco e promoção da atividade humana”.
“Os requisitos de desenvolvimento são todos aqueles que promovem os processos de vida e maturação e previnem as condições perniciosas que a possam dificultar” (Tomey & Alligood, 2002), “ou seja, estão associados a um evento particular como seja o casamento ou um novo trabalho” (QUEIRÓS; VIDINHA; FILHO, 2014).
“Os requisitos de desvio de saúde existem para as pessoas que estão doentes ou lesionadas, que têm formas específicas de situações ou desordens patológicas, incluindo defeitos ou incapacidades, e que estão submetidas a um diagnóstico ou tratamento médico” (QUEIRÓS; VIDINHA; FILHO, 2014).
São vários os benefícios do autocuidado. Estudos mostram que 80% das doenças do coração, acidente vascular cerebral e diabetes, além de um terço dos cânceres poderiam ser evitados se o autocuidado fosse uma prática adotada pelos países como parte de uma política pública de saúde (MONTEIRO, 2018).
4. AVALIAÇÃO DO ESTAGIÁRIO 
O Estágio Supervisionado Profissionalizante III – Psicologia Hospitalar, consistiu em um desafio significativo dentro da graduação do curso de Psicologia. Transformar uma prática, enfrentar as frustrações do inesperado, e ressignificar tanto as emoções que permeavam as expectativas em relação ao estágio, quanto a forma de aprender singular e remota, exigiu do aluno muito manejo de situações adversas. Nesse sentido contribuiu muito para a formação e experiência profissional na área da Psicologia Hospitalar, na qual não temos controle sobre questões primordiais como vida e morte, saúde e doença. 
Além disso, este estágio possibilitou ampliar os conhecimentos técnicos e teóricos em relação a Psicologia Hospitalar em si, mas não só a ela, como também possibilitou desenvolver técnicas de prevenção e promoção de saúde para profissionais que atuam na área hospitalar. Fato relevante uma vez que as intervenções se concentram no binômio paciente/família.
Por fim, os objetivos do estágio foram alcançados no que se propuseram, dentro das limitações presentes, por causa da pandemia da COVID-19, para tanto a orientação da professora Joana Darc dos Santos, foi primordial para que o aprendizado não fosse prejudicado, gratidão por todo o conteúdo compartilhado e pelo acolhimento prestado neste momento de tantas emoções emaranhadas.
Como uma sugestão futura para estágios posteriores, mesclar práticas dentro do hospital e de construção de material para profissionais, familiares e pacientes seria muito significativo.
REFERÊNCIAS
MORETTO, Maria Lívia Tourinho. Na Vertente Clínica: A Abordagem Psicanalítica do Sofrimento nas Instituições de Sáude. In: ABORDAGEM Psicanalítica do Sofrimento nas Instituições de Saúde. 1. ed. [S. l.]: Zagodoni, 2019. cap. Capitulo 4, p. 57-75. ISBN 978-85-5524-103-1. Disponível em: <file:///C:/Users/GABRIELA/Downloads/Pa%CC%81ginas%20digitalizadas%20(1).pdf>. Acesso em: 23 out. 2020.
CORREIA, Valmir Rycheta; BARROS, Sônia; COLVERO, Luciana de Almeida. Saúde mental na atenção básica: prática da equipe de saúde da família. Rev. esc. enferm. USP, São Paulo, v. 45, n. 6, p. 1501-1506, Dec. 2011. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S008062342011000600032&lng=en&nrm=iso>. Acesso em: 29 nov. 2020.
GAINO, Loraine Vivian et al . O conceito de saúde mental para profissionais de saúde: um estudo transversal