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Cardiologia

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Cardiologia 
CLÍNICA DE PEQUENOS 
Anatomia e fisiologia 
A função do sistema circulatório é realizar o 
transporte de diversos componentes 
1. Nutrientes: glicose, o2, ácidos 
graxos, aminoácidos 
2. Metabólitos: CO2, ácido lático, 
compostos nitrogenados, calor 
3. Hormônios: insulina, 
catecolaminas 
4. Eletrólitos: sódio, potássio, cálcio, 
hidrogênio 
5. Água 
Todos os vasos do sistema arterial conduzem o 
sangue ejetado pelo coração, e todos os vasos do 
sistema venoso conduzem o sangue que 
retorna ao coração. 
O coração é um órgão muscular composto por 
quatro câmaras, duas atriais e duas ventriculares, 
divididas por dois septos (atrial e ventricular) e 
quatro valvas. Sua principal função é bombear o 
sangue através do sistema circulatório, 
garantindo que cumpra seu trajeto ao longo das 
artérias, veias e capilares. 
 
Insuficiência cardíaca congestiva 
 
Introdução: 
Síndrome clínica caracterizada pelo aumento nas 
pressões venosa e capilar pelo comprometimento 
da função cardíaca, resultando em órgãos com 
vasos congestos, podendo haver extravasamento 
de líquidos para tecidos e cavidades (edemas e 
efusões). 
 
Fisiopatogenia: 
Podemos ter insuficiência cardíaca por disfunção 
sistólica que ocorre quando o coração não é 
capaz de ejetar volume suficiente de sangue 
apesar da pré-carga ou por disfunção diastólica 
que ocorre quando o enchimento ventricular não 
é adequado. 
O desenvolvimento da ICC ativa mecanismos 
neuro-hormonais na tentativa de corrigir o débito 
cardíaco e a pressão arterial sistêmica, 
decorrentes da falha da bomba cardíaca. 
 
 
Ativação do sistema nervoso autônomo 
 
Independente da causa o volume ejetado pelo 
ventrículo em cada batimento cardíaco é 
reduzido. O que resulta em um débito cardíaco 
comprometido e uma redução da pressão 
arterial. 
Para que o débito seja adequado e não ocorra 
hipotensão o coração precisa bombear mais 
vezes por minuto para cumprir o necessário para 
manutenção da homeostasia. 
Vai aumentar a frequência cardíaca para 
manutenção desse débito cardíaco e da pressão. 
A ativação do sistema nervoso autônomo ocorre 
por estímulo de baroceptores que são ativados 
com a redução no estiramento da parede arterial, 
em razão do menor volume ejetado, enviando 
um estímulo pela via aferente até o centro 
vasomotor (bulbo encefálico). 
Como resposta a essa ativação o tônus simpático 
é aumentado e ocorre a liberação da 
norepinefrina que promove a contração da 
musculatura da arterial aumentando a resistência 
vascular periférica. Também ocorre o aumento 
das catecolaminas circulantes que resultam em 
hipertrofia e melhora da função miocárdica 
aumentando o volume ejetado feedback 
negativo. 
 
 
Ativação do sistema renina-angiotensina-
aldosterona 
A partir da redução do débito cardíaco ocorre 
uma redução na perfusão em órgãos vitais (rins, 
cérebro e o coração). Nos rins ocorre a ativação 
de um sistema de controle. 
Cardiologia 
CLÍNICA DE PEQUENOS 
Algumas células da região justaglomerular renal 
são sensíveis ao sódio. Sempre que ocorre 
redução na quantidade de sódio passando por 
essas células, há liberação de uma 
enzima chamada renina, produzida nessas 
células. A renina circulante vai catalisar a 
transformação do angiotensinogênio, produzido 
pelo fígado, em angiotensina I. Esta, por sua vez, 
tem pequeno efeito vasoconstritor. Contudo, 
será transformada em angiotensina II pela enzima 
conversora de angiotensina, produzida por 
células endoteliais, principalmente no pulmão e 
no coração. A angiotensina II é a responsável 
por uma série de eventos que, em primeiro 
momento, serão responsáveis por uma 
adaptação do sistema circulatório à nova 
condição da bomba cardíaca, mas que 
posteriormente, em razão da ativação 
exacerbada desse mecanismo, acentuarão o 
desequilíbrio da homeostase circulatória e 
contribuirão para a instalação da insuficiência 
cardíaca congestiva. 
 
 
Manifestações clínicas: 
Lado direito: 
Cães 
• Ascite 
• Derrame pleural 
• Edema de membros- geralmente 
encontrado nos membros pélvicos, 
bilateralmente. 
Felinos 
• Derrame pleural 
• Efusão pleural 
 
Lado esquerdo: 
• Edema pulmonar 
• Dispneia 
• Ortopnéia 
• Tosse úmida 
• Eliminação de secreção 
serosanguinolenta. 
 
Classificação 
Classe funcional I: o animal não apresenta 
manifestações clínicas de insuficiência 
cardíaca congestiva. Esta classe funcional é 
subdividida em: 
1. Sinais de doença cardíaca, mas sem 
cardiomegalia (p. ex., sopro à ausculta 
cardíaca e radiografia do tórax ou 
ecocardiograma sem sinais de 
cardiomegalia) 
2. Sinais de doença cardíaca, mas com 
cardiomegalia (p. ex., sopro à ausculta 
cardíaca e radiografia do tórax ou 
ecocardiograma com evidências de 
cardiomegalia) 
 
Classe funcional II: o animal apresenta 
manifestações clínicas de insuficiência 
cardíaca congestiva de grau leve a moderado. As 
manifestações clínicas da insuficiência cardíaca 
congestiva são evidentes em repouso ou com 
exercícios leves, comprometendo a qualidade de 
vida do animal 
 
Classe funcional III: o animal apresenta 
manifestações graves e evidentes de 
insuficiência cardíaca congestiva. Esta classe 
funcional engloba duas opções: 
• É possível realizar a terapia da 
insuficiência cardíaca congestiva em casa 
• É recomendado realizar a terapia da 
insuficiência cardíaca congestiva em 
ambiente hospitalar ou em unidades de 
terapia intensiva. 
 
Diagnóstico: 
Diferenciais: os pacientes com insuficiência 
cardíaca congestiva esquerda, por vezes, o 
quadro de dispneia e tosse pode ser confundido 
com afecções respiratórias, assim como pode 
acontecer em pacientes com insuficiência 
cardíaca congestiva direita e derrame pleural. Da 
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mesma maneira, pacientes com insuficiência 
cardíaca congestiva direita e ascite devem ter o 
diagnóstico diferencial realizado com afecções 
hepáticas, neoplasias abdominais, síndromes 
relacionadas com a hipoalbuminemia, dentre 
outros. 
 
1. Eletrocardiograma 
a. Taquicardia sinusal 
b. Frequência cardíaca próxima ao 
limite superior fisiológico 
c. Arritmias- taquiarritimias 
supraventriculares e ventriculares. 
2. Raio-X de tórax 
3. Ecocardiograma 
a. Principal para diagnóstico 
b. Ascite indica anormalidades nas 
câmaras direitas. 
c. Átrios dilatados 
4. Pressão arterial sistêmica 
a. Hipotensão arterial sistêmica 
b. Se houver DRC ou HAC pode 
resultar em aumento da pressão 
arterial sistêmica- PAS em 150 
mmHg 
5. Biomarcadores cardíacos 
a. Peptídeos natriuréticos 
 
Tratamento emergencial: 
Edema pulmonar 
• Oxigenoterapia 
• Diuréticos 
o Furosemida IV 
§ Cães 4,0 a 8,0 mg/kg a cada 
1 a 2 horas 
§ Gatos tem maior 
sensibilidade então iniciar 
com 2,0 mg/kg a cada 2 
horas IV 
§ Efeitos colaterais: letargia, 
desidratação e a 
hipopotassemia. 
• Vasodilatadores 
o Nitroprussiato de sódio 
§ Fotossensível e diluído em 
soluções cristaloides 
§ 2 a 5 mcg/kg/min 
§ Efeitos colaterais: 
hipotensão 
o Cloridrato de hidralazina 
§ Utilizado principalmente 
nos casos de endocardiose 
§ 0,5 a 3,0 mg/kg VO 
§ Não pode ser associada 
com nitroprussiato de 
sódio pelo risco da 
hipotensão 
§ Efeitos colaterais: 
hipotensão, anorexia, 
vômito, diarreia, 
insuficiência renal. 
• Inotrópicos positivos 
o Dobutamina 
§ 2,5 mcg/kg/min 
o Pimobendan 
§ Não associar a Dobutamina 
§ 0,1 a 0,3 mg/kg BID VO 
• Sedativos 
o Morfina 
§ 0,1 a 0,5 mg/kg SC ou IV 
o Butorfanol 
§ 0,01 mg/kg 
§ Associar com Acepram na 
dose de 0,01 a 0,03 mg/kg 
SC, IM ou IV 
• Antiarrítmicos 
 
Persistência do ducto arterioso (PDA) 
 
Anatomia e Fisiologia: 
O ducto arterioso, ou canal arterial, é um vaso 
que liga a artéria aorta descendente ao tronco da 
artéria pulmonar. Tem origem no sexto arco 
aórtico esquerdo, sendo que sua parede é 
constituída por abundante musculatura lisa. Esse 
canal possibilita a comunicação entre as 
circulações sistêmica e pulmonar. Durante o