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1- Rute, já bastante idosa e sem nenhum parente conhecido, testou em favor de 
uma instituição, que cuida de menores carentes, todos os seus bens. Após o 
testamento, para sua surpresa, ficou sabendo que um bisneto seu, que sequer 
conheceu, estava vivo. O tempo passou e Rute não alterou o testamento 
anteriormente feito. No início deste ano, seu bisneto faleceu e, no mês passado, 
ocorreu o falecimento de Rute. No momento, o caso a respeito da herança está 
sendo discutido na Justiça entre a instituição acima referida e a companheira do 
bisneto de Rute, de nome Vivaldina, que se diz herdeira dos bens deixados pela 
de cujus. 
- Conforme sua visão a respeito do caso exposto, posicione-se a favor de uma 
das partes e faça suas considerações jurídicas, fundamentando sua resposta. 
 
2- Ruiter, neto de Raul, recebeu deste a doação de uma chácara, no ano de 
2005, quando o bem valia R$ 1.000.000,00. Logo depois, Ruiter vendeu o imóvel, 
aplicando o dinheiro em fundo de investimento bancário. Após a doação, perto 
dessa chácara, a Prefeitura implantou um lixão, o que fez esse bem se 
desvalorizar, sendo que, hoje, vale R$ 500.000,00. Raul faleceu no mês passado 
e seus herdeiros estão tratando da sucessão, tendo eles aduzido ao juiz do 
inventário que Ruiter, filho do herdeiro-filho do de cujus, de nome Rui, premorto 
no ano passado, deve trazer à colação o valor da chácara que recebera por 
doação. 
Pergunta-se: Ruiter está obrigado a fazer colação? Se, sim, explique por que e 
qual o valor a ser colacionado. Se, não, explique o motivo da dispensa. Em 
ambos os casos, fundamente a resposta. 
3- Morto o de cujus em 25/09/20, seus filhos inventariam e partilharam o 
patrimônio deixado. Um advogado, tem um crédito de honorários a receber em 
face do de cujus, referente a um processo em que atuou em favor deste, cuja 
sentença transitou em julgado em 10/03/18. 
- Até quando o referido advogado poderá reclamar judicialmente, contra os 
herdeiros, seu direito de recebimento? Explique. 
4- Patrimônio: R$ 1.000.000,00; Tem-se herdeiros necessários e testamento em 
que a seus beneficiários coube R$ 600.000,00, sendo 10% da herança a um 
herdeiro instituído e a dois legatários bens no importe de 500.000,00. 
- Faça a operação para recompor a legítima que, como se vê, foi ofendida. 
Fundamente a resposta. 
5- Se ocorrer a caducidade do legado, o bem correspondente irá para legítima. 
- A afirmativa é falsa, verdadeira, ou parcialmente verdadeira/falsa? Explique e 
fundamente. 
GABARITO – DIREITO CIVIL 10 B 
 
1- A posição correta a ser tomada será em favor da instituição de caridade, que receberá toda a herança. A 
esposa do bisneto não faz jus aos bens, porque para a verificação do rompimento do testamento, que é 
situação que o problema sugere (testamento feito na ignorância da existência de descendente), somente irá 
prevalecer se o descendente sobreviver ao testador, conforme regra expressa prevista no art. 1.973, parte final, 
CC. No caso apresentado, como visto, o bisneto morreu antes da testadora. Assim, se o bisneto não recebeu 
a herança porque já havia morrido, sua companheira nada tem a reclamar. 
2- Se Rui, que era pai de Ruiter, faleceu no ano passado, então quando Raul doou ao neto (ano de 2005), o 
pai deste estava vivo. Desse modo, no momento da doação, Ruiter não era “herdeiro direto” do avô, pois seu 
pai, Rui, ainda vivia. Ante a esses dados, tem-se que ao caso se aplica a regra do parágrafo único, do art. 
2.005, CC, presumindo-se que o bem doado saiu da parte disponível do de cujus., não havendo, portanto, a 
obrigação de Ruiter fazer colação. 
3- Deve-se iniciar a solução da questão levando-se em conta que a dívida do de cujus está vencida desde 
10.03.18, pois na falta de outros dados, o crédito do advogado passou a ser exigível a partir do término do 
seu trabalho. Pois bem, conforme exposto e explicado quando abordado em nossa aula o art. 1.997, caput, 
foi afirmado que se algum crédito for reclamado antes da partilha, a responsabilidade pelo pagamento é do 
espólio. Se, por outro lado, essa cobrança for feita após a partilha, então a ação será direcionada contra as 
pessoas dos herdeiros, sendo ponderado na ocasião “até quando esses herdeiros seriam responsáveis pelas 
dívidas do de cujus”, concluindo-se que seria pelo tempo normal de prescrição da obrigação. Sabendo-se que 
a morte do devedor não é causa de suspensão ou interrupção da prescrição, bem como que a pretensão para 
o recebimento de honorários advocatícios é de 5 anos, o advogado da nossa questão terá até a data de 
10.03.2023 (cinco anos do vencimento) para cobrar dos herdeiros do de cujus. 
 4- Temos no caso beneficiários de testamento, com um deles recebendo herança (herdeiro instituído) e os 
demais recebendo legados. Tendo havido ofensa à legítima, como se observa da questão, sua recomposição 
deve ser efetuada através da “redução das disposições testamentárias” (art. 1.967, CC), que determina serem 
reduzidas primeiro as cotas dos herdeiros, alcançando os legatários somente no caso de aquelas não serem 
suficientes. Porém, no caso o herdeiro instituído está recebendo R$ 100.000,00 (10% dos bens), que é 
justamente o importe a ser reduzido para que a legítima seja integralizada. Assim, nos termos do § 1°, do 
artigo já citado, o herdeiro instituído nada receberá, pois terá reduzida toda a sua cota, preservando-se os 
legados, que representam exatamente a parte disponível da herança (R$ 500.000,00). 
5- Parcialmente Verdadeira/Falsa. Regra geral, realmente, se houver caducidade, o bem legado é direcionado 
para a legítima. Porém, como sabemos, isso não ocorrerá em se verificando as condições do direito de acrescer 
entre os legatários, em razão da morte de um deles antes do testador (que seria, em tese, caducidade – art. 
1.939, V), pois essa é uma das causas de aplicação desse direito (acrescer), conforme previsto no art. 1.943, 
CC. Nessa situação, portanto, o bem não irá para a legítima, ficando para os demais legatários, que terão 
acrescida a parte do legatário falecido.