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Resumo: GONÇALVES, Williams e MIYAMOTO, Shiguenoli. Os militares na política externa brasileira.

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de escopo estritamente pan-americano causou desconfiança nos demais. Ademais, as suspeitas das intenções hegemônicas do Brasil, principalmente da Argentina e do Chile.
Apesar disso, houve entendimento com a Bolívia com a entrega de um trecho ferrovia em território boliviano e a solução do litígio do Acre. Além disso, houve sucesso na negociação diplomática com o Paraguai em relação a demarcação de fronteiras que a partir disso levaram a um aprofundamento das relações com o país. 
Segundo círculo concêntrico: Américas: Houve as aproximações das relações bilaterais entre Brasil e EUA. Brasil aderiu à Força Interamericana de Paz para a intervenção da guerra civil na República Dominicana (suposto levante comunista no país e EUA quis intervir) assumiu a liderança da intervenção na América Latina e enviou forças armadas para lá. 
O Brasil pediu pela reforma da Carta de Bogotá que rege a OEA para a criação de uma Força Interamericana de Paz permanente para evitar que os EUA ficassem fazendo intervenções unilaterais, contudo, isso não aconteceu porque os EUA preferiram resguardar o privilégio de decisão unilateral. 
 Apesar das diversas cartas trocadas entre Castelo Branco e Lyndon Johnson sobre a Guerra do Vietnã, o Brasil recusou o pedido de tropas pelos dos EUA e somente enviou mantimentos. 
Terceiro círculo concêntrico: Atlântico Sul e costa ocidental africana: Um grande medo dos militares era a instalação de regimes comunistas nessa região. Logo, se aproxima do regime de Salazar que queria manter seus império colonial. Seu apoio proporcionou maiores trocas comerciais entre ambos. 
Citações: 
“O interesse do Brasil coincide, em muitos casos, círculos concêntricos, com o da América Latina, do continente americano e da comunidade ocidental. Sendo independentes, não teremos medo de ser solidários. Dentro dessa independência e dessa solidariedade, a política exterior será ativa, atual e adaptada às condições de nosso tempo bem como aos problemas de nossos dias. Será esta a política externa da Revolução.”9 ( p. 216) (discurso do Castelo Branco)
3. Governo Costa e Silva: a diplomacia da prosperidade (1967 – 1969)
Com Costa e Silva houve uma flexibilização da política externa que desagradou os defensores da ortodoxia de Castelo Branco. A Aliança para o Progresso não agregou em nada ao país quando se esperava que ajudasse no crescimento econômico. Além disso, a decepção com o aumento do diálogo entre EUA e URSS. 
Os formuladores começam a perceber que o embate ideológico já não era tão forte, com a prevalência do comércio e fluxo de capitais. Enquanto os EUA, com seu viés realista, tiram proveito da relações com diversos regimes (China) para aumentar seu poder, o Brasil continua fielmente anticomunista. Logo, como afirma o autor, se desencantam com o mundo. “Essa pronunciada tendência à fragmentação dos blocos manifestava-se tanto no lado ocidental como no mundo do comunismo” (p. 221) 
Essa percepção das contradições do mundo (que estão detalhadas na p. 221 caso queira saber mais) leva a uma revisão dos rumos da política externa. 
Costa e Silva dá nome a nova política exterior de “diplomacia da prosperidade”. O grande foco será lidar com os problemas do desenvolvimento do país. A segurança passa ser produto do desenvolvimento e não mais o contrário. Vale ressaltar que é um projeto de desenvolvimento gerado pelo próprio país, sem ajuda externa. 
Identificaram os seguintes obstáculos para o desenvolvimento (as mais importantes) : 
1- Grandes potências tendo o monopólio da tecnologia e energia nuclear
2- Estrutura do comércio internacional favorável aos países desenvolvidos
3- Expansão do comunismo
4- Corporações multinacionais buscando dominar o mercado latino-americano 
Assim, Costa e Silva foca na afirmação da soberania e no desenvolvimento do país, segundo o texto. A elite brasileira passa a ter uma maior percepção do conflito Norte-Sul e menos Leste-Oeste. 
Então, há a percepção de que é preciso expandir a “base econômica do Estado” e uma maior atuação nos foros multilaterais. Nesse contexto, há a percepção de que a ONU estava em crise devido ao congelamento de poder e privilégios nos 5 grandes. 
Para conseguir seu posto de grande potência era preciso de uma “política internacional audaciosa” e superar entraves ao seu poder nacional. 
Tão audaciosa que se recusou a assinar o Tratado de Não-Proliferação Nuclear, por motivos de ser excludente em termos tecnológicos e o tratado não assegurar a paz mundial pois os países que já tinham iriam continuar com ela. Todavia, o Brasil assina o Tratado de Tlatelolco em 1967 em que se comprometia em não-proliferar o armamento nuclear mas sem deixar de investir na tecnologia nuclear. 
As relações com os EUA tenderam a esfriar, pois o Brasil estava insatisfeito com os resultados da cooperação no âmbito econômico e da defesa. Os EUA insatisfeitos com o recusa do TNP por parte do Brasil e controvérsias sobre quais produtos brasileiros iriam entrar no seu mercado. 
As relações com Portugal se mantiveram estreitas pelos mesmos motivos de Castelo Branco. 
Citações: 
“Estamos convencidos de que a solução do desenvolvimento condiciona em última análise a segurança interna e a própria paz internacional. A História nos ensina que um povo não poderá viver em um clima de segurança enquanto sufocado pelo subdesenvolvimento e inquieto pelo futuro. Não há tampouco lugar para a segurança coletiva em um mundo em que cada vez mais se acentua o contraste entre a riqueza de poucos e a pobreza de muitos” (p.221) (discurso de Costa e Silva) 
“Daremos, assim, prioridades aos problemas do desenvolvimento. A ação de meu Governo visará, em todos os planos bilaterais, ou multilaterais, à ampliação dos mercados externos, à obtenção de preços justos e estáveis para nossos produtos, à a atração de capitais e de ajuda técnica e – de particular importância – à cooperação necessária à rápida nuclearização pacífica do país. (...) Só nos poderá guiar o interesse nacional, fundamento permanente de uma política externa soberana.” (p. 221) (discurso de Costa e Silva) 
 
4. Governo Médici: a diplomacia do interesse nacional (1969 – 1974)
A política externa do governo Médici sofreu algumas alterações devido ao fato de ser outra pessoa no poder e ao elevado crescimento do PIB durante seu mandato (resultado da atuação de Costa e Silva vindo à tona), mas não foi nada absurdo. Logo, a PE seguiu a mesma linha geral da anterior. 
Médici entra após uma profunda crise político- ideológica nas forcas armadas como um “governo de união dos militares”. Nesse sentido ele tem carta branca para usar todos os meios para transformar o Brasil em potência. 
O alto crescimento do PIB (mais de 10%), causado pelo milagre econômico, aumentou a confiança do país de que estaria mais próximo de ser um país desenvolvido. 
Convencidos de que esse desenvolvimento se deu exclusivamente por fatores internos, leva a primeira alteração na política externa. Se antes o foco da “diplomacia da prosperidade” era nas relações multilaterais e a “diplomacia do interesse nacional” passou a focar nas relações bilaterais para alcançar seu objetivo. 
A consciência das elites é a de que a estrutura do sistema internacional era desfavorável aos subdesenvolvidos que se destacavam como o Brasil. 
Linhas de gerais da “diplomacia do interesse nacional”: 
1- A demanda por mudanças nas regras do sistema internacional e contra o congelamento e concentração de poder
2- À medida que um país cresce cabe um maior espaço de decisão no âmbito internacional e usá-lo em favor dos povos (como Brasil) que aspiram progresso
3- A manutenção do status quo não significa paz mundial. É preciso alterar o comércio internacional e a distribuição mundial do progresso científico e tecnológico. “Não há verdadeira paz sem desenvolvimento” 
4- Solidariedade com os países em desenvolvimento e busca-se se aproximar daqueles países que também estão na luta pelo progresso 
5- Deve-se cooperar com os países desenvolvidos
América Latina: 
O Brasil passou