A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
1 pág.
Psicologia da Gestalt (História)

Pré-visualização|Página 1 de 1

Psicologia da Gestalt


Antecedentes da Psicologia da Gestalt

No século XIX a Psicologia era marcada pelo ponto de vista mecanicista, onde a experiência psicológica era analisada oriunda de sua relação com o mundo físico. Na questão de ser mecanicista deriva dos conceitos do Behaviorismo, nos pensamentos de Skinner sobre os estudos de uma Psicologia mecanicista, o determinismo é uma filosofia que se baseia na ideia de que todos os acontecimentos físicos estão predeterminados. Tudo deriva de uma cadeia inevitável de causas e consequências.

Sendo assim, inciou um movimento na Psicologia baseado no pressuposto de que a experiência deveria refletir em algo além das sensações. Apesar desta tese já estar presente nas ideias de Wundt, a maior controversa que marca a campo da Psicologia no final do século XIX foi à necessidade de diferenciação entre atos e conteúdos das experiências. 

O reconhecimento da natureza complexa dos fenômenos foi definido com o conceito de “síntese criadora” por Wundt. Para ele a associação de elementos básicos não pode ser vista como um método mecânico e simplesmente aditivo. Há o surgimento de um produto novo e irredutível a sua composição de partes. Juntamente com o conceito de “síntese criadora”, outros preceitos indicavam que Wundt iria além do elementarismo. Estes conceitos foram o de “apercepção” e “causalidade psíquica”. Mas não ocorreu o rompimento definitivo com o elementarismo, visto que Wundt ainda concedia aos elementos uma realidade própria, independentemente dos conjuntos que se integravam.

O fundamento da Psicologia da Gestalt parte do trabalho do filósofo alemão Immanuel Kant (1724-1804), em que o objeto é organizado de uma maneira em que tenha sentido para o observador, e não através de processo de associação. Além dele, influências importantes sobre a Psicologia da Gestalt foram o filósofo e psicólogo Franz Clemens Honoratus Hermann Brentano (1838-1917), o físico e filósofo austríaco Ernst Waldfried Josef Wenzel Mach (1838-1916), o psicólogo e filósofo americano Willian James. Também houve grande influência da fenomenologia, em que há uma imparcialidade da descrição da experiência, sem diminuí-la em elementos.


Introdução à Psicologia da Gestalt

A percepção é o que nos possibilita interpretarmos as informações do ambiente, transformando dados brutos em padrões que fazem sentido. A percepção utiliza a informação sensorial (material bruto) em experiências perceptivas. Durante o processo de percepção, a mente forma ou cria uma experiência completa. Sendo assim, a percepção não é uma impressão passiva e uma combinação de elementos sensoriais, mas uma organização ativa de elementos, de modo que forme uma experiência coerente. Assim, a mente molda e forma os dados originais da percepção.

O psicólogo alemão Wolfgang Köhler (1887-1967), fundador da psicologia da Gestalt, iniciou experimentos com macacos na ilha Tenerife, na costa da África, e pôde constatar que, através da técnica de tentativa e erro de aprendizagem, a macaca Nueva adquiriu movimentos propositados e deliberados, alcançando a comida com uma vara, mesmo estando presa em uma gaiola. Esta nova forma de aprendizagem, diferente dos experimentos de Thorndike, “levaram a uma outra revolução na psicologia, a outra maneira de abordar o estudo da mente e do comportamento.” (SCHULTZ & SCHULTZ, 2014, p.260)

Wolfgang Köhler teve o cuidado de explicar um dos tópicos mais complexos da escola: a aprendizagem. Boa parte de seus postulados foram fruto de uma observação longa, paciente e frutífera dos chimpanzés. Wolfgang Köhler foi um dos pilares da Gestalt, junto com o psicólogo alemão originário da Tchecoslováquia Max Wertheimer (1880-1943) e o psicólogo alemão Kurt Koffka (1886-1941). 

Houve outro experimento, realizado por Max Wertheimer, em 1910, onde desenvolveu a psicologia da Gestalt. Sendo que Wolfgang Köhler e Kurt Koffka foram sujeitos deste experimento de Wertheimer. Neste experimento, uma figura é iluminada por uma luz e, em fração de segundo uma outra figura é iluminada, dando a impressão de que há uma figura em movimento, e não duas figuras em duplicidade. Surge nesta época, uma nova arte, o cinema, que nada mais é que uma sucessão de fotografias estáticas que são apresentadas com uma rapidez tal que as pessoas que as assistem vêm, não uma série de fotografias, mas os movimentos contínuos no tempo. Devido ao fato das imagens irem se sobrepondo em nosso globo ocular, há a sensação de movimento, que na verdade, é uma ilusão de ótica devido à imagem tardar a se extinguir de nossa retina. Porém, o que está realmente na tela é uma fotografia estática.

Além da aprendizagem e experiências passadas, há outros fatores pessoais que influenciam nossa percepção. Deve considerar-se também nessas experiências sensoriais e perceptivas a influência da raça, cultura e gênero. Dentre os fatores que influenciam nossa percepção estão: a motivação, os valores, as expectativas, estilo cognitivo, ideias culturais e a personalidade


Fatores que influenciam nossa percepção

Motivação - Dependendo da nossa necessidade,a motivação poderá moldada por nossos desejos e necessidades. Um exemplo é quando pessoas perdidas no deserto têm, através da miragem, fantasias visuais de oásis. 

Valores - Quando agregamos a determinado estímulo uma associação que nos é interessante, este estímulo pode mudar.

Expectativas - Nossa percepção é capaz de ser influenciada pelas ideias preconcebidas sobre o que deveríamos perceber. Na familiarização perceptiva ou generalização perceptiva, há uma grande tendência de vermos o que o esperamos ver, mesmo que nossa expectativa e a realidade entrem em embate. 

Estilo cognitivo - Ou um modo pessoal de lidar com o ambiente, modifica o modo como vemos o mundo. Estas visões de mundo podem ser as seguintes: a dependência de campo e a independência de campo. Na primeira, as pessoas tendem a ver o mundo como um todo, sem projetar claramente forma, cor, tamanho e outras características individuais. No outro extremo, os que são independentes de campo separam os elementos do espaço, discriminando uns dos outros. Também no estilo cognitivo, os “niveladores” e os “aguçadores”. Enquanto um nivela das diferenças entre os objetos, os outros ressaltam. Enquanto os niveladores não percebem diferenças entre figuras, os aguçadores são capazes de diferenciar tamanhos e realizar observações adequadas.

Ideias culturais - A influência do meio cultural na percepção das pessoas inclui linguagem (o modo como se fala influencia a percepção do que está ao redor) como também as diferenças culturais.

Personalidade - A percepção é influenciada então não apenas pela personalidade, mas também provavelmente por distúrbios de personalidade.

A percepção é um fenômeno unificado, não podendo ser compreendido como soma de elementos, ou sensações isoladas. Mesmo os processos psicológicos constituem um todo, não sendo vistos como soma das unidades ou partes. A partir de todas as pesquisas, pode se depreender que percebemos casas, árvores, ao invés de enxergar cores ou formas separadas. 


Gestalt e o Behaviorismo

As divergências entre a psicologia Gestalt e o behaviorismo acabaram por levá-las a tornarem-se opostas. A Gestalt admite o valor da consciência, enquanto o behaviorismo rejeita este conceito na psicologia científica. Em relação ao comportamento (ambos decretam a psicologia como a ciência que estuda o comportamento). A crítica da Gestalt em relação ao Behaviorismo, que compreende o comportamento relacionado ao estímulo-resposta, engloba o fato de que o comportamento não deve ser estudado de maneira isolada, já que desta forma pode-se perder o seu significado para o psicólogo.

Segundo Wertheimer, o nosso universo perceptual é organizado como objetos únicos e não como junções de sensações individuais. É deduzido que esta organização perceptual acontece de forma instantânea, todas as vezes que são vistos diversos padrões ou formatos, sendo isto espontâneo e inevitável. Para a Teoria da Gestalt o cérebro humano é um sistema dinâmico em que há uma integração de elementos ativos em certo momento. Há uma associação automática que conecta unidades individuais, combinando-os quando são similares ou bem próximas. 

A proposta de Wertheimer enfatiza a importância da estrutura da experiência, como é também a estrutura de uma casa. Dessa forma, a experiência estruturada de uma maneira particular pode ser completamente diferente se for estruturada de algum outro jeito. Existe uma grande diferença entre as experiências, já que “o modo de aparecimento de uma parte é afetado pela estrutura de que faz parte.

Os fenômenos psíquicos então não poderiam ser estudados pelos elementos que os formam, os elementos são o resultado da reflexão e da abstração. O fenômeno não é apenas a soma das partes, mas é diferente dela.


Princípios da organização perceptual

Proximidade: Quando há partes que aparecem bem próximas umas das outras no tempo e no espaço, há uma tendência de serem percebidas unidas. “Os elementos visuais próximos uns dos outros são vistos como um todo”.

Continuidade: Para que os elementos pareçam ininterruptos, constantes em uma direção específica, nossa percepção segue uma tendência de conectar estes elementos. Ou seja, quando elementos visuais consentem continuidade de uma direção, tendem a serem reunidos em nossa percepção. Este é uma característica significante da camuflagem.

Semelhança/Similaridade: As partes semelhantes inclinam-se a serem vistas juntas, agrupando-se. Elementos visuais (de acordo com cores, formas ou texturas parecidas) são percebidos como agrupados. Há também uma tendência de se ver agrupamentos que se direcionam em rumo semelhante. 

Preenchimento/Fechamento: Ao observar figuras não terminadas, há uma tendência a completá-las, ocupando os espaços não preenchidos. Adicionamos elementos nas figuras abaixo para percebê-la como um todo. 

Simplicidade: Quando uma figura é vista, há uma tendência de observá -la como sendo de boa qualidade sob as condições de estímulos. Este princípio é denominado de boa forma ou pragnanz. “Uma boa Gestalt é simétrica, simples e estável, e não pode ser mais simples nem mais organizada”.

Figura/fundo: Quando vemos um objeto (a figura), há uma tendência de organizar esta percepção sendo vista sobre o fundo (a base) em que aparece. De acordo com o modo com que a percepção é organizada, pode haver uma reversão, vendo objetos diferentes. 

O mesmo objeto pode ser interpretado como figura ou fundo, dependendo de como você direciona sua atenção.


A Teoria de Campo de Kurt Lewin

A Teoria do Campo nasceu da cooperação dos pioneiros da Gestalt como, Wertheimer, Koffka e Köhler juntamente com o psicólogo social Kurt Lewin (1890-1947), na Universidade de Berlim. Apesar deste trabalho em conjunto, Lewin não pode ser considerado um gestaltista, já que ele busca na Física as bases metodológicas de sua psicologia, deixando de lado a preocupação com os limiares da percepção. A partir deste novo enfoque, Lewin constrói uma nova e genuína ideia.  

Não havia uma relação formal entre suas teorias e as dos gestaltistas. Kurt Lewin focava-se nas questões de motivação dos indivíduos, o que induzia ao pensamento relacionado a problemas de organização da personalidade. Logo depois, partiu para questões da psicologia social, o que incluía as dinâmicas de grupo, passando por outras áreas como problemas da natureza da aprendizagem, fatores culturais na organização da personalidade, e até mesmo desenvolvimento infantil. Foi um pesquisador notável, um experimentador extremamente talentoso, sendo que a sequência de estudos experimentais que realizou na Universidade de Berlim.

Kurt Lewin defendia a teoria diretiva na pesquisa e tornou-se famoso pelo desenrolar do sistema de psicologia motivacional ou vetorial, conhecido pela teoria de campo. A psicologia da Gestalt apontava para as relações de campo e não no modelo atomístico e elementarista. Equiparando-se ao conceito de campos de força na física, a teoria de campo vai além da posição ortodoxa da Gestalt e adentra áreas como as necessidades humanas, a personalidade e as influências sociais no comportamento.

Segundo a Teoria de Campo, o comportamento humano é função tanto das características da pessoa quanto daquelas do meio onde a pessoa está inserida. Isto indica que nós não agimos apenas em função de nossos impulsos, mas em função também do meio no qual estamos inseridos.

A dinâmica de grupo, fundada dentro das diretrizes do trabalho de Kurt Lewin, trouxe grandes reverberações na prática dos psicólogos, especialmente na área dos psicólogos nas empresas. Ele foi um dos primeiros pesquisadores em psicologia a problematizar a relação entre pesquisador e pesquisado, apontando o papel ativo do pesquisador e sua inter-relação com o campo do pesquisado. Com o estudo da dinâmica de grupo, a elaboração da psicologia social, além da teoria da motivação, aprendizagem, personalidade e psicologia infantil foram muito beneficiadas.

Kurt Lewin procurava humanizar as fábricas da época, tentando converter o trabalho em uma possibilidade de satisfação pessoal e não apenas um meio de ganhar a vida. Com a ideia da teoria de campo da física como referência, ele imaginou as atividades psicológicas de uma pessoa também contidas dentro de uma espécie de campo psicológico, a que ele chamou de espaço vital.

No espaço vital, faria parte todos os acontecimentos passados, presentes e futuros que nos afligem. Cada um destes acontecimentos demarcam algum tipo de comportamento em um momento específico. O espaço vital, portanto, funda-se na necessidade do indivíduo interagir com o ambiente psicológico. 

O conceito de espaço vital é o principal preceito da teoria de Kurt Lewin. É definido como o conjunto de todos os fatos que determinam o comportamento do indivíduo, enquanto campo psicológico, outro termo utilizado pela Teoria de Campo é o espaço de vida considerado dinamicamente, onde se levam em conta não somente o indivíduo e o meio, mas também a totalidade dos fatos coexistentes e mutuamente interdependentes.


Gestalt Terapia

A Gestalt Terapia foi baseada na extensão do trabalho do psiquiatra e psicoterapeuta alemão Frederick Fritz Perls (1893 – 1970). Foi iniciada na década de 1950. Perls iniciou sua carreira como psicanalista, porém depois, dirigiu-se contrariamente a Freud.

A Gestalt Terapia foca no aqui e agora, incentivando as confrontações cara a cara. Com o intuito de transformar as pessoas mais sinceras e ‘verdadeiras’, a pessoa é vista como um todo e o terapeuta é diretivo e ativo.

Como objetivo de readquirir as capacidades inatas para o crescimento, os clínicos gestálticos determinam tarefas árduas a si mesmos, pois assim conseguem quebrar bloqueios, fachadas, jogos, fingimentos e defesas dos pacientes. É necessário nesta abordagem o estímulo à autoconsciência. O mais significativo seria ‘completar a Gestalt’, através da integração de todos os lados do Self, que harmonicamente passam a ser quem eles realmente são, vivendo o ‘agora’. 

Estes objetivos são alcançados através de várias práticas diferentes. Os terapeutas da Gestalt observam e analisam em profundidade o cliente. Observam voz, gestos, fala e a linguagem corporal e assim podem achar os pontos nos quais os clientes estão evitando e se iludindo.