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vitamina B12

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portanto, ser um marcador de ingestão de carne ou algum componente da carne. (5)
O aumento da vitamina B12 plasmática foi associado estatisticamente a um aumento de até três vezes no risco de câncer de próstata, independente da idade no recrutamento, do tempo de acompanhamento e do estado da doença no diagnóstico. Esses resultados são novos e devem ser mais explorados em estudos futuros. (5)
Níveis elevados de cobalamina sérica podem ser um sinal de uma doença grave e até fatal. Distúrbios hematológicos, como leucemia mielogênica crônica, leucemia promielocítica, policitemia vera e também a síndrome hipereosinofílica, podem resultar em níveis elevados de cobalamina. Não é de surpreender que um aumento da concentração de cobalamina no soro seja um dos critérios de diagnóstico para as duas últimas doenças. Várias doenças hepáticas, como hepatite aguda, cirrose, carcinoma hepatocelular e doença hepática metastática, também podem ser acompanhadas por um aumento da cobalamina em circulação. (2)
Carmel et al. estudaram pacientes com malignidade não hematológica, a fim de definir a incidência de anormalidades relacionadas à vitamina B12 e correlacioná-las com os achados clínicos. O nível sérico alto de vitamina B12 geralmente implicava um prognóstico ruim em um paciente com câncer. No entanto, não era universal nem a maioria dos pacientes com doença hepática apresentava altos níveis de vitamina B12. (3)
A relação entre os níveis de vitamina B12 e a sobrevida foi estudada em um grupo de 161 pacientes com câncer terminal. A duração da sobrevida diminuiu com o aumento dos níveis séricos de vitamina B12. Nas análises multivariadas, a vitamina B12 forneceu informações independentes da PCR para prever a sobrevida. Esses dados indicam que um nível sérico elevado de vitamina B12 é um fator preditivo de mortalidade em pacientes com câncer, independente de PCR ou outros fatores. (4)
O efeito da cobalamina na proliferação de células malignas foi examinado in vivo e in vitro em vários estudos. E resultados indicam que a metilcobalamina inibe a proliferação de células malignas em cultura e in vivo e propõem a possibilidade da metilcobalamina como candidata a agentes potencialmente úteis para o tratamento de alguns tumores malignos. (2)
Verificou-se que as proteínas transportadoras de cobalamina, as transcobalaminas (CT), são elevadas durante trauma, infecções e condições inflamatórias crônicas. Isso continua sem explicação. (2)
Outro estudo de caso-controle baseado em dados de questionários alimentares associou uma maior ingestão de vitamina B12 a um risco aumentado de câncer. (7) 
Se o ser humano só adquire a b12 com os animais, como os animais A conseguem?
A situação é diferente em animais ruminantes, como vacas, por exemplo. Elas têm um estômago especial, chamado de rúmen, onde a vitamina B12 é produzida em quantidade de abastecimento suficientes para as necessidades do animal. Outros animais não ruminantes absorvem a vitamina B12 por meio de microorganismos na grama, frutas, insetos, terra e vestígios de fezes.
Por que o ser humano não consegue a b12 Naturalmente assim como os animais herbívoros?
O nosso organismo contém bactérias que produzem vitamina B12 praticamente a todo o comprimento do trato digestivo, desde a boca até ao recto. A vasta maioria destas bactérias são encontradas no cólon (parede central do intestino grosso) onde se produzem quantidades significativas de B12. No entanto, o local de absorção da B12 é no íleo, a parte inferior do intestino delgado. Assim, nossos excrementos contêm quantidades de vitamina B12 produzidas pelo nosso corpo, mas que este não é capaz de absorver.
Os povos indígenas com dietas baseadas em plantas que não limpam excessivamente e não cozinham esses alimentos conseguem ingerir suficientemente B12 de bactérias na superfície de seus alimentos da mesma maneira que animais quando adquirem na natureza. Ou seja, uma dieta com alimentos crus supriria a necessidade de vitamina B12.
Indígenas da tribo de Choctaw no Mississippi e Oklahoma, tinham vegetais como a principal fonte de dieta tradicional. Um manuscrito francês do século XVIII descreve as inclinações vegetarianas dos Choctaws na alimentação. “O principal alimento, comido diariamente em panelas de barro, era um guisado vegetariano contendo milho, abóbora e feijão. O pão era feito de milho. Outros favoritos comuns foram milho assado e mingau de milho (A carne era um aditivo raro).” As crianças astecas, maias e zapotecas, em tempos antigos, comiam 100% de dietas vegetarianas até pelo menos a idade de dez anos. A comida principal foi cereais, especialmente variedades de milho. Essa dieta era para fazer a criança forte e resistente às doenças.
Segundo um artigo publicado na revista Nature (6), o intestino delgado humano também costuma abrigar uma microflora considerável e isso é ainda mais extenso em indivíduos do sul da Índia aparentemente saudáveis. O artigo demonstra que, pelo menos, dois grupos de organismos no intestino delgado, Pseudomonas e Klebsiella sp., podem sintetizar quantidades significativas da vitamina. As bactérias foram obtidas por aspiração do jejuno e íleo de indivíduos saudáveis ​​do sul da Índia controle e pacientes com canal tropical. Todos os indivíduos deram seu consentimento informado para o estudo e todos tinham normalidade de absorção de vitamina B12. 
Por que as plantas não tÊm b12?
É geralmente aceito que as plantas terrestres não produzem nem requerem B12 e vivem em um mundo sem B12. No entanto, parece haver algumas evidências em estudos sugerindo que algumas plantas podem pelo menos absorver e transportar cobalamina se o nutriente for cultivado em meio rico em B12. (8)
Cultivou-se Lepidium sativum (agrião de jardim) assepticamente em um meio de ágar contendo concentrações crescentes de vitamina B12. Após o crescimento por 7 dias, as mudas foram capazes de absorver a cobalamina do meio de crescimento de maneira dependente da concentração. Esses resultados fornecem evidências definitivas de que algumas plantas podem absorver e transportar cobalamina, pelo menos por difusão passiva. (8)
Quais os níveis SAUDÁVEIS de b12? 
Entre os exames laboratoriais existem os de rotina, como a vitamina B12 e Hcy séricas, e aqueles mais destinados à pesquisa e/ou mais restritos a laboratórios especializados, como medida sérica, dosagem de holo-Tc e MMA. 
A medida de vitamina B12 sérica é o teste mais comumente utilizado para diagnosticar a deficiência. Os níveis de vitamina B12 séricos são considerados baixos quando sua concentração é inferior a 200 pg/ml (148 mmol/l). Porém, a dosagem de vitamina B12 sérica apresenta limitações de sensibilidade e muitas controvérsias sobre sua especificidade. É considerado um indicador pobre dos níveis de vitamina B12 realmente disponíveis para a célula. (1)
Notas importantes 
· Segundo o Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística, o IBOPE (2012), 15,2 milhões de brasileiros se declaram vegetarianos, o que corresponde a 8% da população do país. A indústria tem um mercado considerável para comercializar suplementos que são “obrigatórios” para essa população.
· A dieta baseada em plantas é vista como incompleta. Há um consenso geral que o vegetariano/vegano precisa tomar muito cuidado com a obtenção de proteínas e vitaminas como a B12. As pessoas estão convencidas que quem escolhe essa dieta “alternativa” precisa de suplementação para não ficar doente ou fraco. Seria esse paradigma uma construção da indústria da carne ou do leite?
Referências
1. PANIZ, C. et al. Fisiopatologia da deficiência de vitamina B12 e seu diagnóstico laboratorial. J Bras Patol Med Lab. v. 41. n. 5. p. 323-34. outubro 2005.
2. VOLKOV, I. The master key effect of vitamin B12 in treatment of malignancy – A potencional therapy? Medical Hypotheses, v.70, p 324-328, 2008.
3. Carmel R, Eisenberg L. Serum vitamin B12 and transcobalamin abnormalities in patients with cancer. Cancer 1977;40(3):1348–53.
4. Geissbuhler P, Mermillod B, Rapin CH. Elevated serum vitamin B12 levels associated with CRP