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Cristianismo puro e simples

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que você vá a um país em que os teatros lotassem para assistir a outro tipo de espetáculo: o de um prato coberto cuja tampa fosse retirada lentamente, para revelar seu conteúdo. Você não julgaria haver algo de errado com o apetite desse povo por comida? 
Os métodos anticoncepcionais mais do que nunca tornaram a libertinagem sexual menos custosa dentro do casamento e bem mais segura fora dele. A opinião pública nunca foi tão pouco hostil às uniões ilícitas, e mesmo às perversões, desde a época do paganismo. Todos sabem que o apetite sexual, como qualquer outro apetite, cresce quando é satisfeito. 
Os modernos sempre dizem que "o sexo não é algo de que devemos nos envergonhar". Com isso, podem estar querendo dizer duas coisas. Uma delas é que "não há nada de errado no fato de a raça humana se reproduzir de um determinado modo, nem no fato de esse modo gerar prazer". O cristianismo diz a mesma coisa. Elas podem estar querendo dizer que "o estado em que se encontra nosso instinto sexual não é algo de que devemos sentir vergonha". Temos todos os motivos do mundo para sentir vergonha. Não há nada de vergonhoso em apreciar o alimento, mas deveríamos nos cobrir de vergonha se metade das pessoas fizesse do alimento o maior interesse de sua vida e passasse os dias a espiar figuras de pratos, com água na boca e estalando os lábios.
Nossa natureza pervertida, os demônios que nos tentam e a propaganda a favor da luxúria associam-se para nos fazer sentir que os desejos aos quais resistimos são naturais. Cartaz após cartaz, filme após filme, romance após romance associam a idéia da libertinagem sexual com as idéias de saúde, normalidade, juventude, franqueza e bom humor. A mentira consiste em sugerir que qualquer ato sexual que você se sinta tentado a desempenhar a qualquer momento seja também saudável e normal. A submissão a todos os nossos desejos leva ao que é contrário à saúde, ao bom humor e à franqueza.
O sexo "reprimido" é perigoso? Na psicologia "reprimido" é um termo técnico: não significa "negado" ou "proibido". Um desejo ou pensamento reprimido é o que foi jogado para o fundo do subconsciente e só pode surgir na mente de forma disfarçada ou irreconhecível. Quando uma pessoa se tenta resistir a um desejo consciente, não está lidando com a repressão nem corre o risco de a estar criando. Pelo contrário, os que tentam seriamente ser castos têm mais consciência de sua sexualidade e logo passam a conhecê-la melhor. Como um apanhador de ratos conhece ratos ou como um encanador conhece um cano com vazamento. 
A castidade perfeita não será alcançada pelo esforço humano, Deus é necessário. Mesmo depois de pedir, pode-se ter a impressão de que a ajuda não vem, ou vem em dose menor que a necessária. Não se preocupe. Depois de cada fracasso, levante-se e tente de novo. Muitas vezes, a primeira ajuda de Deus não é a própria virtude, mas a força para tentar de novo. A castidade é importante, mas o processo de treinamento dos hábitos da alma é ainda mais valioso. Ele cura nossas ilusões a respeito de nós mesmos e nos ensina a confiar em Deus. Aprendemos que não podemos confiar em nós mesmos nem em nossos melhores momentos e que não devemos nos desesperar nos piores, pois seremos perdoados.
O casamento cristão 
“O homem e a mulher devem ser um único organismo - tal é o sentido que as palavras "uma só carne. Da mesma forma que expressa um fato quem diz que o trinco e a chave são um único mecanismo."
 A idéia crista de casamento se baseia nas palavras de Cristo de que o homem e a mulher devem ser um único organismo - tal é o sentido que as palavras "uma só carne". Da mesma forma que expressa um fato quem diz que o trinco e a chave são um único mecanismo. A monstruosidade da relação sexual fora do casamento é que, cedendo a ela, tenta-se isolar um tipo de união (a sexual) de todos os outros tipos de união que deveriam acompanhá-la para compor a união total. O erro está em querer isolar esse prazer e tentar buscá-lo por si mesmo, da mesma maneira que não se deve buscar os prazeres do paladar sem engolir e digerir a comida, apenas mastigando-a e cuspindo-a.
O divórcio é como se fosse algo que cortasse ao meio um organismo vivo, como um tipo de cirurgia. A visão moderna de que o divórcio é simplesmente um reajustamento de parceiros, a ser feito sempre que as pessoas não se sentem mais apaixonadas uma pela outra, ou quando uma delas se apaixona por outra pessoa. Se tudo se resume à paixão, o ato da promessa nada lhe acrescenta; e, assim, nem deveria ser feito. Se você perseverar, o arrepio da novidade (paixão), quando ela morre, é compensado por um interesse mais sereno e duradouro.
No casamento cristão, diz-se que os homens são a "cabeça". Duas questões obviamente se levantam. Por que a necessidade de uma cabeça? Por que não a igualdade? Por que a "cabeça" deve ser o homem? Quando o marido e a esposa estão de acordo, a necessidade de um líder desaparece; e gostaríamos que esse fosse o estado de coisas normal no casamento cristão. Mas, quando existe um desacordo real? 
Deve-se conversar sobre o assunto. Se não resolver, o casal não pode decidir por votação, então uma das duas coisas pode acontecer: podem separar-se e cada um ir para o seu lado, ou então uma das partes deve ter o poder de decisão. Se o casamento é permanente, uma das duas partes deve, em última instância, ter o poder de decidir a política familiar. Se há a necessidade de um líder, por que o homem? Em primeiro lugar, pergunto: existe uma vontade generalizada de que isso caiba à mulher? Pelo que se vê, nem mesmo a mulher que quer ser a chefe de sua própria casa e se admira ver essa situação quando a observa na casa ao lado. "Pobre sr. X! Por que ele se deixa dominar por aquela mulherzinha horrível? Isso está acima da minha compreensão." há algo anti-natural na proeminência das esposas sobre os maridos, pois as próprias esposas ficam envergonhadas disso e desprezam o marido que se submete.
As relações da família com o mundo exterior (o que poderíamos chamar de política externa) devem depender, em última análise, do homem, porque ele deve ser, e normalmente é, mais justo em relação às pessoas de fora. A mulher luta prioritariamente pelos filhos e pelo marido contra o resto do mundo. Naturalmente as necessidades deles são priorizadas em detrimento de todas as outras necessidades. A mulher é a curadora especial dos interesses da família. Uma das funções do marido é garantir que essa predisposição natural da mulher não chegue a predominar. Ele tem a última palavra para proteger as outras pessoas do intenso patriotismo familiar da esposa. Se seu cachorro mordeu a criança da casa ao lado com quem você prefere tratar — com o chefe da família ou com a dona da casa?
O perdão 
" Perdoa as nossas dívidas, assim como perdoamos aos nossos devedores."
"Perdoa as nossas dívidas, assim como perdoamos aos nossos devedores." Não há a menor insinuação de que exista outra maneira de obtermos o perdão. Está perfeitamente claro que, se não perdoarmos, não seremos perdoados. Quando vamos estudar matemática, não começamos pelo cálculo integral, mas pela simples aritmética. Da mesma maneira, se realmente queremos (e tudo depende dessa vontade real) aprender a perdoar, o melhor talvez seja começar com algo mais fácil.
Será que eu me considero um bom camarada? Infelizmente, às vezes sim (e esses são, sem dúvida, meus piores momentos), mas não é por esse motivo que amo a mim mesmo. Na verdade, o que acontece é o inverso: não é por considerar-me agradável que amo a mim mesmo; é meu amor próprio que faz com que eu me considere agradável. Analogamente, portanto, amar meus inimigos não é o mesmo que considerá-los boas pessoas. Os primeiros mestres cristãos já diziam que se devem odiar as ações de um homem mau, mas não odiar o próprio homem; ou, como eles diriam, odiar o pecado, mas não o pecador.
O amor que sinto por mim não me exime do dever de me submeter à punição. Se você cometesse um assassinato, a coisa correta a fazer, segundo o cristianismo, seria entregar-se à polícia.