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Farmacodinâmica- O que é? - RESUMO COMPLETO

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não competitivos. Uma diferença fundamental entre antagonistas 
competitivos e não competitivos é que os competitivos diminuem a potência do 
agonista (aumentam a CE50), e os não competitivos diminuem a eficácia do agonista 
(diminuem o Emáx). 
 
​Antagonistas alostéricos: O antagonista alostérico também diminui o Emáx, sem 
alterar o valor de CE50 do agonista. Esse tipo de antagonista se fixa em um local (local 
alostérico) diferente do local de ligação do agonista e evita que o receptor seja 
ativado pelo agonista. O ácido gama amino butírico (GABA) é o principal 
neurotransmissor inibitório do SNC e tem três subtipos de receptores: 
• GABA a – ionotrópico; 
• GABA b – metabotrópico; 
• GABA c – ionotrópico. 
 
 
 
BEATRIZ GURGEL - MEDICINA CPTL- UFMS 
Farmacodinâmica 
 
 
O GABA a​, ao se ligar ao agonista endógeno, muda a conformação do receptor 
ao ponto de abrir os canais de cloreto, que entram na célula. A entrada de cargas 
negativas geram hiperpolarização neuronal e consequente inibição do neurônio. 
O GABA é um agonista endógeno. Entretanto, há situações clínicas em que a 
quantidade de GABA fisiológico não é suficiente para controle e gera ansiedade, estresse 
pós-traumático e depressão. 
Existe uma classe de fármacos classificados como barbitúricos (fenobarbital) usados 
para ajudar o GABA a promover suas ações. Sendo, então, moduladores do GABA 
(erradamente, isso é o que se pensava). 
O barbitúrico causa uma redução da ansiedade de forma potente e, devido a isso, 
é pouco utilizado. Causa sonolência, gerando até coma. Ao ligar aos sítios alostéricos, 
ele aumenta a permeabilidade do cloreto e abre o canal do GABA sem a necessidade 
do GABA. 
Sendo um exemplo clínico de agonistas alostéricos, onde se liga a receptores 
diferentes dos endógenos e não precisa da presença de GABA. Ele não é um modulador, 
pois o modulador precisa do agonista endógeno. 
Os benzodiazepínicos (clonazepam/rivotril) são fármacos utilizados para tratamento hoje. A 
diferença entre eles é na interação. Eles dependem do GABA para promover seus 
efeitos inibitórios no SNC, sendo classificados como moduladores alostéricos positivos. 
Aumenta a afinidade do receptor do GABA a. 
Flumazenil é um fármaco administrado em pacientes com superdosagem de 
benzodiazepínicos e tornou-se tóxico. Ele diminui a afinidade do receptor GABA a pelo 
GABA a. 
 A bicuculina é um antagonista ortostérico do GABAa sem muita utilidade clínica. 
Não existe antagonista alostérico, sendo necessário outras estratégias de 
desintoxicação como a mudança do pH da urina para ácida, por exemplo. 
 
DOSE- RESPOSTA (POTÊNCIA E EFICÁCIA) 
 
Conforme a concentração do fármaco aumenta, seu efeito farmacológico também 
aumenta gradualmente até que todos os receptores estejam ocupados (efeito 
máximo). 
Duas propriedades importantes dos fármacos, potência e eficácia, podem ser 
determinadas nas curvas dose-resposta graduais. Só existe para substâncias que 
ativam receptores, ou seja, somente para agonistas. Os antagonistas têm respostas 
igual a 0. 
Potência: mede a quantidade de fármaco necessária para produzir um efeito em 
determinada intensidade. A concentração de fármaco que produz 50% do efeito 
máximo (CE50) em geral é usada para determinar a potência. 
Eficácia: é o tamanho da resposta que o fármaco causa quando interage com um 
receptor. A eficácia depende do número de complexos fármacos -receptores formados 
 
 
BEATRIZ GURGEL - MEDICINA CPTL- UFMS 
Farmacodinâmica 
 
 
e da atividade intrínseca do fármaco (sua capacidade de ativar o receptor e causar 
a resposta celular). A eficácia máxima de um fármaco (Emáx) considera que todos 
os receptores estão ocupados pelo fármaco, e não se obterá aumento na resposta 
com maior concentração do fármaco. Por isso, a resposta máxima difere entre 
agonistas totais e parciais, mesmo que 100% dos receptores sejam ocupados pelos 
fármacos. De modo similar, mesmo 
que um antagonista ocupe 100% dos 
receptores, não ocorre ativação, e o 
Emáx é zero. A eficácia é uma 
característica clinicamente mais útil do 
que a potência, pois um fármaco com 
maior eficácia é mais benéfico 
terapêutica do que um que seja mais 
potente. Quanto menor a concentração 
de um fármaco para promover efeito 
terapêutico, mais seguro o fármaco vai 
ser. 
​Explicação da imagem: a CE50 
dos fármacos A e B indica que o fármaco 
A é mais potente do que o B porque 
menor quantidade de fármaco A é 
necessária para obter 50% do efeito, 
quando comparado com o fármaco B. 
As preparações terapêuticas dos 
fármacos refletem sua potência. Por 
exemplo, a candesartana e a irbesartana são bloqueadores do receptor de angiotensina 
usados no tratamento da hipertensão. A faixa de doses terapêuticas da candesartana 
é 4 -32 mg; a da irbesartana é de 75-300 mg. Por isso a candesartana é mais 
potente do que a irbesartana (ela tem um CE50 menor, similar ao do fármaco A). O 
valor Kd pode ser usado para determinar a afinidade do fármaco pelo seu receptor. 
A afinidade descreve a força da interação (ligação) entre o ligante e seu receptor. Quanto 
maior o valor de Kd, mais fraca é a interação e menor a afinidade, e vice-versa. 
• Eficácia –​ resposta máxima; 
•​ Potência –​ concentração para promover o efeito; 
• Eficiência ​– capacidade de reverter uma condição clínica. Nem sempre um fármaco eficaz 
e eficiente. 
 
 
 
BEATRIZ GURGEL - MEDICINA CPTL- UFMS 
Farmacodinâmica