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Sífilis na gestação

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Sífilis na gestação: 
Introdução: 
A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível, transmitida pela espiroqueta ​Treponema 
pallidum​. Seu tempo de incubação é de cerca de 3 meses e possui várias apresentações clínicas 
(primária, secundária, terciária e latente). Pode ser classificada enquanto recente (até dois anos de 
infecção) e tardia (mais de 2 anos de infecção). É uma doença de notificação compulsória. 
A ​sífilis na gestação é definida como os casos de sífilis detectados durante o pré-natal, parto ou 
puerpério. Sua importância na gestação consiste no fato de que a bactéria ultrapassa a barreira 
placentária e infecta o embrião/feto (transmissão vertical ou transplacentária) e de que é uma doença de 
elevada morbimortalidade para o feto. 
Nos últimos anos, o número de infectados por sífilis no Brasil aumentou em cerca de 1000%, o 
que interfere diretamente no pré-natal das gestantes. 
As chances de uma gestante infectada passar a infecção para o embrião/feto é semelhante 
durante os 3 trimestres da gestação, mas se a mãe está em fase primária ou secundária a chance é 
maior (70 a 100%) do que se a mãe estiver em fase terciária ou latente (30%). 
A infecção por sífilis só contraindica o parto vaginal se houver lesões ativas no aparelho genital no 
momento do trabalho de parto e em nenhuma hipótese contraindica a amamentação. 
 
Manifestações clínicas: 
- Sífilis primária (cancro duro): caracteriza-se por uma lesão erosada ou ulcerada, geralmente única, 
indolor, com bordos endurecidos, fundo liso e brilhante, com aparecimento entre 10 e 90 dias após o 
contato sexual infectante. Na mulher, aparece nos pequenos lábios vaginais, paredes vaginais, colo 
uterino e ânus. Pode passar despercebida. 
- Sífilis secundária: em geral, manifesta-se entre 6 e 8 semanas após o desaparecimento espontâneo 
do cancro duro. As manifestações mais comuns são: roséolas (exantema), sifílides papulosas, alopécia 
e condiloma plano. 
- Sífilis tardia/terciária: os sinais e sintomas surgem em um período variável após 3 a 12 anos do 
contágio. As manifestações mais comuns são: tubérculos ou gomas, comprometimento articular, 
aneurisma aórtico, tabes dorsalis e demência. 
- Sífilis latente:​ período assintomático entre as fases supracitadas. 
Diante de uma gestante com diagnóstico confirmado, mas que não é possível inferir a duração da 
infecção, classifica-se e trata-se como sífilis latente tardia. 
 
Rastreamento e diagnóstico: 
Os testes sorológicos podem ser ​não treponêmicos ​(VDRL, RPR), que são quantitativos, ou seja, 
expressos em títulos e utilizados para triagem e monitoramento da infecção, ou ​treponêmicos (teste 
rápido, TPHA, THA-Abs, ELISA) que são mais específicos e utilizados para confirmar a infecção. 
Os anticorpos específicos contra o T. pallidum podem permanecer detectáveis indefinidamente 
pelos métodos treponêmicos (cicatriz sorológica). Já os métodos não treponêmicos tendem à 
negativação após o tratamento e por isso são utilizados no seguimento. 
Como o risco de infecção fetal é alto, faz-se testagem em 3 momentos durante a gestação, de 
preferência utilizando o teste rápido. São eles: primeira consulta, 3º trimestre (a partir da 28ª semana) e 
no momento da internação hospitalar (parto ou curetagem). Além disso, pode ser feita a qualquer 
momento caso haja história de exposição/violência sexual. 
A realização do teste para sífilis (VDRL, RPR) no início do 3º trimestre (28ª – 30ª semanas) 
permite o tratamento materno até 30 dias antes do parto, intervalo mínimo necessário para que o 
recém-nascido seja considerado tratado intraútero. A parceria sexual deve ser tratada 
concomitantemente, caso contrário o recém-nascido será considerado como caso de sífilis congênita. 
Caso o diagnóstico seja, de fato, confirmado, deve-se completar o esquema terapêutico de acordo 
com o estágio clínico, realizar monitoramento, notificar e investigar o caso. Se o caso for concluído 
como ausência de sífilis, deve-se repetir a testagem nos outros momentos preconizados. 
Existe uma janela imunológica de cerca de 1 a 3 semanas, quando o paciente já apresenta cancro 
duro mas, muitas vezes, os seus exames ainda são negativos. Nestes casos, o diagnóstico será clínico. 
 
Tratamento: 
O tratamento é feito com penicilina G benzatina, mas a dose varia de acordo com a classificação 
temporal da IST, da seguinte maneira: 
 
As gestantes 
com história 
comprovada de 
alergia à penicilina 
devem ser 
dessensibilizadas. 
Para isso, utiliza-se a penicilina V oral em doses crescentes e em ambiente hospitalar com constante 
monitorização. Caso não seja possível se fazer a dessensibilização, a mãe pode ser tratada com 
ceftriaxone, mas não se considera que o feto foi tratado e, portanto, ele será classificado com sífilis 
congênita no momento do nascimento. 
O feto também é classificado com sífilis congênita se o término do tratamento foi feito com menos 
de 30 dias do parto e em casos de manutenção do contato sexual com parceiro não tratado. Caso a 
paciente demore mais que 1 semana entre 2 doses, deve-se repetir o tratamento desde o início. 
Define-se como resposta imunológica adequada quando há a diminuição da titulação em 2 
diluições do VDRL em 3 meses ou de 4 diluições em 6 meses após a conclusão do tratamento. 
Exemplo: 
- Primeira titulação 1:64; 
- VDRL 3 meses após o final do tratamento: 1:8 → considera-se tratado. 
O retratamento será feito em casos de: ausência da queda esperada da titulação, aumento da 
titulação em 2 diluições em qualquer momento do seguimento ou persistência ou recorrência dos sinais 
e sintomas de sífilis em qualquer momento do seguimento. 
Obs.1: A primeira titulação de controle deve ser feita após 1 mês da aplicação da última dose de 
penicilina Benzatina. 
Obs.2: A parceria sexual deve ser tratada da mesma forma. 
 
Consequências: 
- Sífilis congênita precoce: ​os sinais e sintomas surgem até os 2 anos de vida (baixo peso, coriza 
serossanguinolenta, obstrução nasal, prematuridade, osteocondrite, choro ao manuseio, pênfigo 
palmoplantar, fissura peribucal, hepatoesplenomegalia, alterações respiratórias, icterícia, anemia 
severa, hidropsia, pseudoparalisia dos membros e condiloma plano); 
- Sífilis congênita tardia: os sinais e sintomas surgem a partir dos 2 anos de vida (tíbia em “lâmina de 
sabre”, fronte olímpica, nariz em sela, dentes incisivos medianos superiores deformados, mandíbula 
curta, arco palatino elevado, ceratite intersticial, surdez neurológica, dificuldade no aprendizado); 
- Natimorto por sífilis: óbito fetal com mais de 20 semanas de gestação de mãe não tratada ou 
inadequadamente tratada para sífilis. 
- Aborto por sífilis: óbito fetal com menos de 20 semanas ou menos de 500 gramas de peso de mãe 
não tratada ou inadequadamente tratada para sífilis, afastadas causas de aborto não espontâneo. 
 
Obs.: Em crianças maiores com testes para sífilis reagente é importante descartar a sífilis adquirida, 
principalmente pela possibilidade de abuso sexual. 
 
 
Camila Brito 
Referências: Medcurso 2020; 
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/114programa_dst.pdf.