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Artrite reumatóide -

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de De Quervain): inflamação do tendão do extensor curto e abdutor longo do polegar e de suas respectivas bainhas. Tenossinovite estenosante dos flexores dos dedos das mãos ("dedos em gatilho"). Síndrome do túnel do carpo e do tarso.
Rupturas tendinosas nas mãos, levando à impotência na extensão dos dedos. Bursites e cistos sinoviais. Esses últimos, quando vistos na região posterior dos joelhos (fossa poplítea), são denominados cistos de Baker. Formam-se na porção medial dos músculos gastrocnêmico e semimembranoso e podem se comunicar com a articulação. Sua ruptura leva a uma invasão dolorosa das partes moles da panturrilha pelo líquido sinovial e, nesse caso, impõe-se o diagnóstico diferencial com tromboflebite ou trombose venosa profunda da panturrilha.
· Manifestações extra-articulares e sistêmicas: podem, eventualmente, ser fatais, a frequência e a gravidade das manifestações extra-articulares variam muito com a própria duração da doença e sua gravidade. No início da enfermidade, são frequentemente encontrados sintomas e sinais sistêmicos como astenia, hiporexia, ansiedade, mialgia e emagrecimento leve. Pode haver também, mais raramente, linfoadenopatia e febre baixa a moderada. Esses sintomas podem preceder ou acompanhar o início das manifestações articulares. 
Pele: pode ser modificada por hipotrofias, eritemas, alterações secundárias a vasculites e, de forma menos frequente, fenômeno de Raynaud. 
Unhas: podem se tornar quebradiças. 
Equimoses: corticoides são responsáveis por atrofia cutânea e pela presença de equimoses.
Nódulos subcutâneos: são, possivelmente, as manifestações extra-articulares mais frequentes, ocorrendo em 20-40% dos pacientes. Eles ocorrem principalmente em pacientes que têm o FR positivo. Tem tamanho variado, de milímetros a centímetros de diâmetro, são indolores e muitas vezes móveis nos planos superficiais. Localizam-se habitualmente sobre superfícies extensoras articulares, áreas submetidas à pressão e, mais raramente, podem ser encontrados em vísceras como olhos, pulmões e cordas vocais. Seu aspecto histológico é considerado característico, apesar de não ser completamente patognomônico, pode ser identificado um foco de necrose fibrinoide central circundado por fibroblastos. Acredita-se que seja o resultado de vasculite de pequenos vasos.
Vasculites: são complicações temidas na doença e sua expressão clínica é de natureza proteiforme. Uma das alterações patológicas iniciais da AR inclui alterações inflamatórias em pequenos vasos. Entretanto, no que se refere à vasculite manifesta como complicação, o foco é nas artérias ou arteríolas que levam a ulceração cutânea, neuropatia periférica ou acometimento de órgãos internos. Felizmente, trata-se de manifestação menos comum
e sua presença geralmente está associada à AR grave, ativa e com anos de evolução. 
Arterite visceral: pode acometer coração, pulmões, intestinos, rins, fígado, baço, pâncreas, linfonodos e testículos. Os achados patológicos das vasculites variam de uma vasculite leucocitoclástica a uma pan-arterite de artérias de pequeno e médio calibres, com os mesmos achados clínicos das poliarterites necrotizantes. A neuropatia periférica, secundária à vasculite dos vasa-nervorum, varia de uma forma sensorial discreta a uma neuropatia mista mononeurite múltipla) de grave evolução. 
Formas de acometimento do sistema nervoso: incluem nódulos no Sistema Nervoso Central (SNC), mielopatia cervical e compressões nervosas periféricas.
Estruturas cardíacas: pericardite, miocardite pela formação de granulomas ou vasculite, distúrbios do sistema de condução, endocardite e arterite coronariana. A pericardite e a miocardite habitualmente não provocam sintomatologia nos pacientes reumatoides. Indivíduos com AR possuem risco até 3 vezes maior de novo evento cardiovascular quando em comparação com indivíduos sem doenças inflamatórias, mesmo após correção para fatores de risco tradicionais para DAC. 
Olhos: são acometidos em cerca de 15-25% dos casos de AR, sendo a ceratoconjuntivite seca a manifestação mais comum, afetando cerca de 10% dos pacientes. Quando se associa a um comprometimento inflamatório das glândulas salivares, cuja tradução mais comum é a xerostomia, tem-se a síndrome de Sjõgren secundária. O quadro ocular é representado por diminuição da secreção lacrimal, conjuntivite papilar crônica e alterações corneanas representadas pelas ceratites. 
Síndrome de Felty: AR em combinação com esplenomegalia e leucopenia. Ocorre em pacientes com doença de anos de evolução, com FR positivo, nódulos e deformidades. Alguns pacientes não apresentam sinovite ativa na época em que a síndrome de Felty se desenvolve. Em muitos pacientes, verifica-se a presença de úlceras em membros inferiores, hiperpigmentação cutânea e anticorpos antinucleares. 
MANIFESTAÇÕES LABORATORIAIS
São inespecíficas, mas há habitualmente um conjunto de achados que – adicionados à história clínica, ao exame físico e aos dados de exames de imagem - permitem a formulação do diagnóstico.
· hemograma uma anemia moderada, que é normocítica e hipocrômica ou normocrômica, encontrada nas formas mais ativas da doença, sendo seu mecanismo o habitual das doenças crônicas. A concentração sérica do ferro pode estar baixa, enquanto a ferritina pode estar elevada. E possível encontrar, ainda, leucocitose, eosinofilia (correlação positiva com soropositividade para FR) e trombocitose (correlação positiva com atividade de doença e presença de manifestações clínicas extra-articulares).
· Velocidade de hemossedimentação (VHS) e a dosagem de proteína C reativa (PCR): provas de atividade inflamatória são os marcadores laboratoriais mais utilizados para avaliar o grau de atividade da AR e a evolução do processo inflamatório. 
· FR e anti-CCP: auxiliam no diagnóstico. A pesquisa do FR encontra-se positiva em 70-80% dos pacientes com AR O FR é constituído por autoanticorpos de diferentes classes de imunoglobulinas (IgM, IgG e IgA) Individualmente, sua utilidade como teste diagnóstico é limitado, já que 30% a 50% dos pacientes, no início do quadro, podem ser soronegativos para esse autoanticorpo. curso mais grave da doença. Anti-CCP, demonstraram boa aplicabilidade clínica e podem ser detectados em aproximadamente 70% a 80% dos soros de pessoas com AR com especificidade de 90% a 98%, como aparecem precocemente durante a evolução da doença, sua detecção é útil para auxiliar no diagnóstico nas fases iniciais da enfermidade, especialmente naqueles casos em que há dúvida diagnóstica e o FR é negativo. Existe evidência de que a presença de anticorpos anti-CCP tem correlação com evolução mais grave da AR, podendo ser usados como indicadores de progressão e prognóstico. 
EXAMES DE IMAGEM
· Radiografia convencional: modificações estruturais nas pequenas articulações das mãos e dos pés são as mais precoces e mais frequentes entre as do esqueleto apendicular e constituem boa indicação de lesão articular em geral. Na prática clínica indica-se a realização de radiografias de mãos/punhos e antepés como avaliação básica e, depois do diagnóstico, 12 meses seria o período recomendado para o acompanhamento radiográfico. Entre as manifestações radiográficas na AR citam-se:
1. Simetria: constitui importante critério diagnóstico;
2. Osteopenia: alteração característica e precoce. No início, é periarticular, e com a evolução torna-se mais difusa;
3. Aumento de partes moles: traduz acometimento periarticular ou efusões intra-articulares. E uma alteração precoce;
4. Redução do espaço articular: deve-se à destruição progressiva da cartilagem articular;
5. Erosões ósseas: indicam destruição da cartilagem articular e ocorrem em casos mais avançados da doença;
6. Cistos ósseos ou geodas: são representados por áreas translúcidas subcondrais e se devem à invasão da cartilagem e do osso pelo pannus reumatoide;
7. Deformidades e instabilidades: relacionam-se com as lesões
tendinosas, como frouxidão e rupturas, e às vezes têm relação
direta com destruição cartilaginosa ou óssea, como a
protrusão acetabular. 
· US: método