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MEDRESUMOS - PATOLOGIA 07 - Doenças infecciosas

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Arlindo Ugulino Netto ● MEDRESUMOS 2018 ● PATOLOGIA 
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DOENÇAS INFECCIOSAS 
 
 As doenças infecciosas matam mais de 10 milhões de pessoas por ano nos países em desenvolvimento, onde a 
maior parte das crianças morre por infecções respiratórias e diarreias provocadas por vírus e bactérias comuns. Os 
postulados de Koch, assim como esse capítulo, ligam um micro-organismo específico a uma patologia específica e suas 
manifestações clínicas. 
 Em medicina, uma doença infecciosa ou doença transmissível é qualquer doença causada por um agente 
biológico (por exemplo: vírus, bactéria ou parasita), em contraste com causa física (por exemplo: queimadura ou 
intoxicação química). 
 
TRANSMISSÃO E DISSEMINAÇÃO DOS MICRÓBIOS 
 Por muitas vezes, a via de entrada pra micro-organismos é a própria superfície epitelial ou mucosas, que são 
barreiras da defesa imunológica inata. Os micróbios podem entrar no hospedeiro por inalação, ingestão, transmissão 
sexual, picadas de insetos ou animais. Estes apresentam propriedades quimiotáxicas que fazem com que os agentes 
patogênicos tenham afinidade pelo seu sítio de ação. 
 Em geral, as infecções dos tratos 
respiratório, gastrointestinal ou geniturinário 
ocorrem em pessoas saudáveis e são causadas por 
micro-organismos relativamente virulentos que são 
capazes de lesionar ou penetrar barreiras epiteliais 
intactas. As principais barreiras biológicas são: 
 Pele: o ressecamento constante e a 
descamação do epitélio queratinizado 
impermeável servem como barreira, além 
da competição com as bactérias comensais. 
 Trato gastrointestinal (TGI): a maioria dos 
patógenos gastrointestinais é transmitida 
pela alimentação ou por bebidas 
contaminadas com material fecal. As 
principais barreiras deste sistema são: 
acidez gástrica, camada mucosa viscosa 
que reveste o intestino, as enzimas 
pancreáticas líticas e dos detergentes 
biliares, os anticorpos IgA secretados e a 
competição com as bactérias comensais no 
colo. 
 Trato respiratório: as principais barreiras são os envoltórios mucociliares nas vias aéreas superiores e 
macrófagos e neutrófilos dentro dos alvéolos. Os micro-organismos são contidos pelo muco secretado pelas 
células caliciformes e são transportados então pela ação ciliar de volta à garganta, onde são engolidos ou 
depurados. O dano à defesa mucociliar resulta de ataques repetidos por tabagistas e pacientes com fibrose 
cística, enquanto a lesão aguda ocorre em pacientes intubados e naqueles que aspiram acido gástrico. 
 Trato urogenital: o trato urogenital é quase sempre invadido do exterior via uretra. O fluxo (do jato urinário), 
através do trato urinário várias vezes ao dia, e a acidez secundária à hiperinfecção com lactobacilos são meios 
de prevenção a infecções. 
 
 Alguns micro-organismos proliferam-se no local da infecção, ainda que outros penetrem na barreira epitelial e se 
propaguem em outros locais via vasos linfáticos, sangue ou nervos. A propagação microbiana segue, inicialmente, o 
plano tecidual de menor resistência e a anatomia linfática regional e vascular. No sangue, os micro-organismos podem 
ser transportados livremente ou dentro de células hospedeiras. 
 As manifestações de doença infecciosa podem surgir em locais distantes daqueles em que os micróbios entram. 
Os agentes infecciosos, para causar doenças, lesionam diretamente os tecidos ao penetrar nas células, liberam toxinas 
ou comprometem os vasos sanguíneos. Os micróbios também induzem respostas celulares que provocam lesão tecidual 
adicional, incluindo supuração, cicatrização e reações de hipersensibilidade. Os agentes infecciosos estabelecem a 
infecção e lesionam os tecidos de três maneiras: (1) eles podem contatar ou entrar nas células hospedeiras e causar 
diretamente a morte da célula; (2) podem liberar toxinas que destroem as células à distância ou danificar vasos 
sanguíneos, causando morte isquêmica; (3) podem induzir as respostas celulares do hospedeiro que, mesmo 
direcionadas contra o invasor, causam dano tecidual adicional. 
Arlindo Ugulino Netto. 
PATOLOGIA 2018 
Arlindo Ugulino Netto ● MEDRESUMOS 2018 ● PATOLOGIA 
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  Mecanismo da lesão viral: os vírus podem danificar diretamente as células hospedeiras entrando nelas e 
replicando-se à custa do hospedeiro. A predileção dos vírus em infectar certas células e não outras é 
denominado tropismo tecidual e é determinada por vários fatores, incluindo: receptores da célula hospedeira aos 
vírus; fatores de transcrição celular que reconhecem o intensificador viral; barreiras anatômicas; temperatura 
local, pH e defesas do hospedeiro. Os vírus matam as células do hospedeiro por inibir o DNA, o RNA ou a 
síntese proteica da célula-hospedeira, por lesionar a membrana plasmática, por lisar as células e por induzir uma 
resposta imunológica do hospedeiro às células infectadas pelo vírus. 
 Mecanismos da lesão bacteriana: o dano bacteriano aos tecidos do hospedeiro depende da habilidade da 
bactéria em se aderir às células hospedeiras, invadir células e tecidos, e liberar toxinas. As adesinas bacterianas 
incluem os pelos filamentosos e hemaglutininas, que determinam quais células do hospedeiro serão atacadas. 
As bactérias podem se reproduzir dentro dos fagolisossomas ou do citosol. 
 
 
CATEGORIAS DE AGENTES INFECCIOSOS 
 
VÍRUS 
 Constituem organismos intracelulares obrigatórios; 
 Contém DNA ou RNA dentro de um capsídeo ou revestimento proteico ou esférico, o qual pode ser circundando 
por uma dupla camada lipídica (envelope); 
 Causa doença aguda (Ex: resfriados, gripes), latência por período prolongado e reativação a longo prazo (Ex: 
herpes-vírus) ou doença crônica (Ex: HBV e HIV). 
 
BACTERIÓFAGOS E PLASMÍDEOS 
 São elementos genéticos móveis que codificam fatores de virulência bacteriana (Ex: adesinas, toxinas ou 
resistência ao antibiótico). 
 
BACTÉRIAS 
 Carecem de núcleos, porém apresentam paredes celulares rígidas, contendo duas camadas duplas de 
fosfolipídios (espécies Gram-negativas) ou uma única dupla camada (bactérias Gram-positivas). 
 São as principais causas de doença infecciosa severa; 
 Crescem no meio extracelular (Ex: Pneumococcus) ou intracelular (Ex: Mycobacterium tuberculosis) 
 
CLAMÍDIA, RICKETISA E MICOPLASMA 
 São similares às bactérias, porém carecem de certas estruturas (uma parede celular-micoplasma) ou 
capacidades metabólicas; 
 As clamídias provocam infecções geniturinárias, conjuntivite e infecções respiratórias dos neonatos. 
 As Ricketsias são transmitidas por insetos, inclusive piolhos, carrapatos e ácaros. 
 Os microplasmas ligam-se à superfície das células epiteliais e provocam pneumonia atípica ou uretrite não-
gonocócica. 
 
FUNGOS 
 Apresentam paredes celulares espessas, contento ergosterol, e crescem em seres humanos como tubos 
delgados e brotamento de células leveduriformes; 
 Podem produzir em indivíduos saudáveis infecções superficiais, abcessos ou granulomas; em indivíduos 
imunocomprometidos, geram infecções sistêmicas caracterizadas por necrose tecidual, hemorragia e oclusão 
vascular. 
 Em pacientes com AIDS, o organismo oportunista Pneumocystis carinii provoca uma pneumonia letal. 
 
PROTOZOÁRIOS 
 São células únicas com um núcleo, uma membrana plasmática flexível e organelas citoplasmáticas complexas 
 O Trichomonas vaginalis é transmitido por via sexual. 
 
HELMINTOS 
 São organismos multicelulares altamente diferenciados com ciclos de vida complexos 
 Provocam doença em proporção ao número dos organismos infectantes 
 
ECTOPARASITAS 
 São artrópodes (Ex: piolho e carrapatos) que se fixam e vivem sobre a pele e podem ser vetores para outros 
patógenos. 
 
 
 
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 INFECÇÕES VIRAIS 
 Para danificar as células do hospedeiro, os vírus necessitam ser reconhecidos por receptores das células 
hospedeiras. Os vírus possuem proteínas específicas na superfície celular que se