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MEDRESUMOS - PATOLOGIA 11 - Neoplasias

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Arlindo Ugulino Netto ● MEDRESUMOS 2018 ● PATOLOGIA 
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@medresumosoficial 
 
 
 
NEOPLASIA 
 
 Neoplasia (neo = novo + plasia = tecido) significa, literalmente, o processo de um “novo crescimento” e um novo 
crescimento é chamado de neoplasma. Oncologia (do grego, oncos = tumor) é o estudo dos tumores ou dos 
neoplasmas. O termo tumor foi originalmente aplicado ao edema, mas há muito tempo o emprego não-neoplásico do 
tumor saiu de uso. Portanto, tumor agora equivale a neoplasma. 
 Biologicamente, neoplasia é o termo utilizado para proliferações locais de clones celulares atípicos que, devido a 
alguma alteração nos genes que regulam o processo de divisão e proliferação celular normais, acontece uma replicação 
celular excessiva, desregulada e progressiva, tendendo para a perda da diferenciação celular. Normalmente, as células 
se proliferam de forma coordenada por mecanismos genéticos bastantes rigorosos. Contudo, alterações nesses 
mecanismos geram um descontrole do desenvolvimento celular, fazendo com que as células acometidas se proliferem e 
passem dos limites teciduais, tendendo a perder a diferenciação celular, ou seja, perder as características histológicas e 
funcionais do tecido que lhe deu origem. 
Todos os tumores benignos e malignos apresentam dois componentes básicos: (1) células neoplásicas em 
proliferação que constituem seu parênquima e (2) o estroma de sustentação formado por tecido conjuntivo e vasos 
sanguíneos. 
 
NOMENCLATURA 
 A nomenclatura dos tumores é baseada no componente parenquimatoso dos mesmos: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Arlindo Ugulino Netto. 
PATOLOGIA 2018 
Arlindo Ugulino Netto ● MEDRESUMOS 2018 ● PATOLOGIA 
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  Tumores benignos: em geral, os tumores benignos são designados com a inclusão do sufixo OMA na célula de 
origem. Os tumores de células mesenquimais geralmente seguem esta regra. Por exemplo, um tumor benigno 
que surge de células fibroblásticas é chamado de fibroma, tumor que se origina no tecido adiposo lipoma, um 
tumor cartilaginoso é um condroma, e um tumor dos osteoblastos é um osteoma. Em contraste, a nomenclatura 
dos tumores epiteliais benignos é mais complexa. Eles são classificados de modo diverso, alguns com base nas 
suas células de origem, outros na arquitetura microscópica, outros ainda no seu padrão macroscópico: adenoma 
(neoplasia epitelial benigna que forma padrões glandulares), papilomas (neoplasmas epiteliais benignos que 
produzem projeções digitiformes), cistoadenomas (lesões que formam grandes massas císticas no ovário), 
cistoadenomas papilares (tumores que produzem padrões papilares com protrusão para os espaços císticos), 
pólipo (neoplasma benigno que produz uma projeção visível acima da camada mucosa), etc. 
 Tumores malignos: a nomenclatura dos tumores malignos segue essencialmente o mesmo esquema usado 
para os neoplasmas benignos, com a adição de algumas expressões. Os tumores malignos que surgem no 
tecido mesenquimal são geralmente chamados de sarcomas (do grego, sar = carne) porque apresentam pouco 
estroma conjuntivo e são carnosos (Ex: fibrossarcoma; lipossarcoma, leiomiossacroma para o câncer do 
músculo liso; rabdomiossarcoma para um câncer que se diferencia como um músculo estriado; 
hemangiossarcoma para câncer do tecido sanguíneo). Os neoplasmas malignos originados a partir das células 
epiteliais, derivadas de qualquer uma das três camadas germinativas, são chamados de carcinomas (Ex: 
adenocarcinoma para padrões glandulares; carcinoma de células escamosas para qualquer tumor que produza 
células escamosas identificáveis). Outros tipos de tumores malignos que apresentam uma nomenclatura 
bastante semelhante à dos tumores benignos são: melanoma (tumor maligno de melanócitos), mesotelioma 
(tumor maligno que se origina em qualquer mesotélio), linfoma (tumor maligno de células do tecido linfoide), 
seminoma (tumor maligno nos túbulos seminíferos). 
 
OBS
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: Para caracterizar bem os tumores benignos e malignos, é necessário tomar conta de alguns termos como 
diferenciação e anaplasia. A diferenciação se refere à extensão com que as células neoplásicas lembram células 
normais comparáveis tanto morfologicamente como funcionalmente; a falta de diferenciação é chamada anaplasia (ou 
desdiferenciação). Anaplasia acontece quando a célula tumoral perde suas características histomorfológicas, 
estruturais e funcionais. Tumores bem diferenciados são formados por células que lembram as células normais maduras 
do tecido de origem, enquanto células anaplásicas, ou seja, não diferenciadas, apresentam células não especializadas e, 
portanto, pouco semelhantes ao tecido de origem. 
 
CARACTERÍSTICAS DIFERENCIAIS ENTRE NEOPLASMAS BENIGNOS E MALIGNOS 
 Em muitos aspectos, os neoplasmas malignos e benignos se diferenciam entre si. As principais diferenças entre 
tumores malignos e benignos correspondem aos mecanismos de diferenciação a anaplasia, taxa de crescimento, 
invasão local e metástases. Os principais pontos diferenciais serão aqui abordados: 
 Biologia do crescimento tumoral: o tumor benigno tende a crescer de forma mais regular e bem delimitada; já 
o tumor maligno não apresenta uma ordem de crescimento regular, apresentando formas variadas, com bordas 
irregulares e digitalizadas, com aparência mais grosseira. 
 Ritmo de crescimento: nos tumores benignos, o crescimento tende a ser lento e expansivo, de forma a 
comprimir os tecidos circunvizinhos; enquanto que nos tumores malignos, tende a ser rápido e progressivo, de 
forma a invadir os tecidos circunvizinhos. 
 Presença da pseudocápsula: revestimento formado nos tumores benignos pelo tecido circunvizinho 
comprimido; este processo não ocorre com os tumores malignos devido a seu caráter invasivo. É por este motivo 
que o cirurgião ao realizar a retirada cirúrgica de um tumor maligno, para se ter uma margem de segurança, 
retira todo o tecido circunvizinho pois uma simples lingueta de célula neoplásica que permaneça no tecido após 
a cirurgia (lingueta esta não perceptível a olho nu), pode desenvolver novamente a neoplasia. 
 Mitoses: são poucos frequentes em tumores benignos; são bastante frequentes e atípicas em tumores 
malignos, refletindo a maior atividade proliferativa das células parenquimatosas. Contudo, a presença de mitoses 
não indica necessariamente que um tumor é maligno ou que o tecido é neoplásico. Mais importante 
característica morfológica de neoplasia maligna são as mitoses atípicas, bizarras, produzindo às vezes fusos 
tripolares, quadripolares ou multipolares. 
 Cromatina: tende a ser homogênea nos tumores benignos; apresenta aspecto grosseiro nos tumores malignos, 
fazendo com que os núcleos de células acometidas mostrem-se hipercromáticos. 
 Formas das células: tende a ser preservada nos tumores benignos, mantendo a forma das células do tecido de 
origem; nos tumores malignos, entretanto, apresentam uma grande variação de tamanho e de forma 
(pleomofismo celular). 
 Volume das células: as células dos tumores benignos tendem a manter o volume a forma semelhante às 
células do tecido de origem, aumentando apenas em número; os tumores malignos tendem a apresentar células 
tumorais gigantes, algumas possuindo apenas um ou mais núcleos polimórficos enormes, tendendo a perder a 
diferenciação normal das células. As células dos tumores malignos não podem ser confundidas com células 
inflamatórias de Langhans ou células gigantes de corpo estranho, que são derivadas de macrófagos e contêm 
diversos núcleos pequenos, de aspecto normal. 
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  Relação núcleo/citoplasma: tende a ser normal nas células tumorais benignas; tendem a ser extremamente 
diferentes nas células tumorais malignas, estando o núcleo em tamanho completamente desproporcional. 
Algumas células, na microscopia, tendem a apresentar apenas o núcleo. A proporção núcleo/citoplasma, nas 
neoplasias malignas,