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GO - Ciclo Menstrual

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Mikaelle Teixeira Mendes – Med 33 
Ciclo Menstrual 
Ginecologia e Obstetrícia 
Fisiologia do ciclo menstrual: 
O ciclo menstrual normal tem duração de 21-35 dias (média 28 
dias). O fluxo dura 2-7 dias, e a perda sanguínea é de 20-60ml. 
É regulado pelo eixo hipotálamo-hipófise-ovário (HHO). Além disso, 
ovários, adrenais e tecido gorduroso são responsáveis pela síntese e liberação 
de hormônios femininos. 
O hipotálamo vai produzir um hormônio 
(GnRH) que agirá sobre a hipófise, que vai 
responder ao estímulo hipotalâmico, liberando 
hormônios (FSH e LH) que vão agir sobre o ovário 
que produzirá hormônios (estrogênios e 
progesterona) que chegarão ao endométrio. 
 
Ä Sistema neuroendócrino: comanda processos no ovário 
Hipotálamo: produz o GnRh � (polipeptideo liberado de forma pulsátil) é o 
hormônio liberador das gonadotrofinas (FSH e LH) � atua na adeno-hipófise 
(estimulando a liberação) 
 
Adeno-hipófise: produz FSH e LH (além de TSH, IRL e ACTH) 
a. FSH: produção crescente no início do ciclo menstrual por estímulo do 
GnRH, com aumento mais marcante na metade do ciclo � é 
responsável pelo desenvolvimento do folículo pré-antral e pela secreção 
dos estrogênios pelas células da granulosa; 
b. LH: O LH, liberado em pequena quantidade desde o inicio do ciclo, 
apresenta elevação subitânea em torno do 13º dia, causada por pico 
na produção do estradiol ovariano (feedback positivo). O pico do estradiol 
ocorre aproximadamente 24h antes do pico do LH, que, por sua vez, 
precede a ovulação em 24h, os estrogênios voltam a ter pequena 
elevação na segunda fase do ciclo. 
 
Ovários: produzirão os estrogênios (responsáveis pela proliferação 
endometrial � estimulando mitose) e progesterona (prepara o útero para a 
gestação � secreção endometrial para receber o ovo fecundado; e também 
bloqueia o receptor de estrogênio [parando a proliferação]) 
↪ Tipos de estrogênio: 
� Estriol: placentário (infância) 
� Estradiol: ovariano (período reprodutivo) 
� Estrona: periférico (gordura) 
 
↪ Feedbacks do estradiol: 
� Negativo: sobre o FSH � �estradiol �FSH 
� Positivo: sobre o LH � �estradiol �LH 
 
Ä Ciclo ovariano: 
A secreção pulsátil de GnRH permite a variação da liberação de FSH ou LH. 
É estimulada pela norepinefrina e inibida pela dopamina. A secreção é dividida 
em: 
 
1. Fase folicular: primeira fase do ciclo menstrual, dura entre 10-14 dias; é o 
momento em que há o recrutamento e desenvolvimento dos folículos até 
chegar na ovulação; 
a. Crescimento folicular mediado por FSH: recruta cerca de 8 a 10 folículos 
primordiais para iniciar o desenvolvimento 
b. Folículo primário unilaminar: os folículos estão em desenvolvimento, com a 
proliferação da camada da granulosa; 
c. Folículo multilaminar ou pré-antral: se desenvolve mais e novas camadas 
se proliferam 
d. Formação da zona pelúcida: camada espessa de glicoproteínas em torno 
do ovócito 
↪ É diferente da corona radiata, que são células da granulosa 
envolvendo o ovócito 
e. Produção do líquido folicular (rico em estrogênio): a medida que esse 
liquido é produzido forma-se uma cavidade entre as células da granulosa, 
chamada de antro; 
↪ Pico de estradiol no final da fase proliferativa (pico de LH em seguida 
� rompendo o folículo e expondo o oócito [ovulação]) 
f. Formação do antro folicular � origem do folículo secundário ou antral 
 
2. Ovulação: ocorre com o pico de LH (logo após o pico de estradiol) 
� O pico de LH produz enzimas proteolíticas e hidrolíticas que possibilitarão 
a expulsão do oócito de dentro do folículo � dando origem ao corpo 
lúteo. 
 
3. Fase lútea: 
� O corpo lúteo continua produzindo estradiol, mas também é o 
responsável pela produção da progesterona a partir de então; 
� O corpo lúteo tem um tempo de vida de 14 dias (logo, a fase secretora 
tem essa duração fixa, quem varia é a fase proliferativa), sofrendo 
luteólise; 
� Com o decorrer da desintegração do corpo lúteo vão caindo os níveis 
de estradiol e progesterona. Desse modo, pelo feedback negativo, sobem 
os níveis de FSH no final da fase secretora. Por isso, no inicio do ciclo 
menstrual, o FSH está alto. 
� Se houver fecundação o sinciciotrofoblasto produzirá o beta-HCG, que 
é o hormônio responsável por manter o corpo lúteo, que continuará 
produzindo progesterona. Até que a placenta assuma essa função 
endócrina (por volta da 8ª semana). 
 
º IMPORTANTE: Inibina é o hormônio que age sinergicamente com o 
estradiol, inibindo a síntese e a liberação do FSH. Na fase proliferativa sobe 
a inibina B (bloqueia o FSH) e na fase secretora se eleva a inibina A (com a 
mesma função da B). A queda da inibina A no final da fase secretora (lútea) 
é que sinaliza para a hipófise a necessidade de aumentar a produção de 
FSH. 
 
Ä Endométrio: 
É quem sofre as “consequências” da seleção do folículo que ocorre no 
ovário; não sofre muita influencia do setor neuroendócrino. 
o Fase proliferativa: corresponde a fase folicular 
o Fase secretora: corresponde a fase lútea 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Hipotálamo 
�GnRH 
Hipófise 
�FSH e LH 
Ovários 
� E e P 
Endométrio 
Mikaelle Teixeira Mendes – Med 33 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Ä Teoria das duas células ou das duas gonadotrofinas: 
O LH age nas células da 
teca (externa) e converte o 
colesterol em hormônio 
masculino (androstenediona 
e testosterona), as quais 
migram, por difusão, para a 
camada da granulosa 
(interna). Na granulosa, o 
FSH produz a enzima 
aromatase e esta converte 
os androgênios masculinos 
em femininos (estradiol). 
 
o Parte da androstenediona e testosterona produzida pode não difundir 
para a granulosa e sim ir para a circulação, parte dele será ativo e outra 
parte será convertido perifericamente em estrogênio (existe aromatase 
no fígado, no músculo e no tecido adiposo). Na periferia será formada a 
estrona. 
o A inibina será produzida pela célula da granulosa, que é a responsável por 
diminuir a produçao hipofisária de FSH. A inibina B é produzida pela 
granulosa (�proliferativa) e a inibina A é produzida pelo corpo lúteo 
(�secretora). 
 
Ä Desenvolvimento folicular: 
o Folículos primordiais: possui granulosa (evolui sem influência hormonal); 
surge já na vida intrauterina e fica inativo até a puberdade 
o Folículos primários (pré-antral): teca + granulosa (eles que são recrutados 
no inicio do ciclo menstrual); surgem geralmente na puberdade 
o Folículos secundários (antral): contém uma cavidade (antro), que possui 
estradiol e prostaglandinas; para evoluir do 1º para 2º necessita de FSH 
o Folículo dominante: o folículo que estiver mais próximo do vaso sanguíneo 
é o que absorve primeiro o LH e o FSH, logo, é o que produz primeiro o 
estradiol. Quanto mais estradiol ele vai convertendo, mais receptores de 
LH e FSH são abertos (up regulation). É como se fosse o folículo que 
“conseguiu ganhar a corrida”, é o folículo destinado à de fato ovular. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Ä Alterações cíclicas que ocorrem no endométrio: 
Parede uterina composta por 3 camadas – serosa, músculo liso 
(miométrio) e endométrio (estrutura interna) 
Durante a fase secretora do ciclo menstrual, há 3 camadas no 
endométrio (compacta, esponjosa e basal) 
o Camada compacta: fina superficial, formada por células do estroma, 
densamente arranjadas em torno das glândulas endometriais 
o Camada esponjosa: espessa, edemaciada, contém glândulas dilatadas e 
tortuosas 
o Camada basal: fina, não apresenta edema ou hipertrofia, contém as 
porções distais das glândulas; tem sua própria vascularização e não se 
destaca na menstruação 
Os hormônios ovarianos causam alterações cíclicas nas estruturas do 
aparelho genital, principalmente no endométrio. 
 
Padrões normais do ciclo menstrual: 
Ä Intervalo: 
� Normal: 24 – 38 dias (média: 28 dias) [MDWG] 
� Distúrbios: 
↪ Polimenorréia: ciclos/intervalos muito curtos (< 24 dias) (“menstruações 
frequentes”) � por [-] da fase proliferativa 
↪ Oligomenorréia: ciclos/intervalos muito longos (>38 dias) (“menstruações