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GO - Doença Inflamatória Pélvica

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Mikaelle Teixeira Mendes – Med 33 
Doença Inflamatória Pélvica 
Ginecologia e Obstetrícia 
É uma doença bacteriana de caráter ascendente, ou seja, a bactéria 
“sobe” da vagina para o colo uterino e acaba inflamando a cavidade uterina, 
tubas uterinas, ovários, peritônio e pode disseminar-se pela cavidade pélvica. 
 
Ä Etiologia: germes ascendentes 
o Geralmente bactérias sexualmente transmissíveis; 
o Principais agentes: Chlamydia trachomatis e Neisseria gonorhoeae 
o Outros: micoplasma, ureaplasma, gardnerella, E. coli, streptococcus 
agalactiae e usuárias de DIU (actinomyces israelii) 
 
Ä Fisiopatologia: 
o Ocorre, preferencialmente, no período pós-menstrual; 
o Agentes ascendem pela endocérvice, causando endocervicite aguda, 
continuam a subir provocando endometrite, e progridem até as tubas, 
levando à salpingite; 
o Pode seguir 2 cursos: piossalpingite ou hidrossalpingite; 
 
Ä Fatores de risco: 
o Vulvovaginites ou cervicites concomitantes; 
o Múltiplos parceiros; 
o Inicio precoce da vida sexual; 
o Faixa etária abaixo dos 25 anos; 
o Nuliparidade; 
o Tabagismo; 
o Baixo nível socioeconômico; 
o DIP prévia; 
o DIU (1º mês após inserção � serve como veículo de disseminação das 
bactérias que estavam presentes); 
o Não uso de preservativos 
 
Ä Clínica: 
o Assintomática; 
o Dor pélvica (hipogástrio) 
o Leucorreia purulenta (cervicite) 
o Dispareunia (dor à relação sexual � perguntar se é no inicio da 
penetração [problema de lubrificação] ou em profundidade* [*DIP ou 
endometriose]) 
o Exame físico: 
↪ Dor à palpação dos anexos; 
↪ EE: secreção vaginal purulenta; 
↪ TV: dor à mobilização do colo*; 
 
º Neisseria: quadro mais exuberante, com dor pélvica aguda, leucorreia 
purulenta abundante e instalação mais abrupta dos sintomas; 
 
º Clamídia: quadro tende a ser mais insidioso, com sintomas de longo prazo 
e de menor intensidade, só se revelando muitas vezes pelas consequências 
de infertilidade. 
 
Ä Diagnóstico: é clínico 
o Hemograma: leucocitose; 
o �VSG; 
o �Proteína C reativa 
o Critérios maiores/ menores e específicos 
 
Ä Tratamento: 
o Ambulatorial: 
↪ Ceftriaxona (500mg IM DU [neisseria]) + doxiciclina (100mg VO 12/12 
14d [clamídia]) + metronidazol (500mg VO 12/12h 14d [gardnerella, 
tricomonas e outras]); 
↪ Cefotaxima (500mg IM DU [alternativa]) + doxiciclina + metronidazol; 
o Convocar parceiro para tratamento (pode usar ceftriaxona e 
azitromicina); 
o Usuárias de DIU: não há necessidade de remover (pode disseminar ainda 
mais com a manipulação); 
o Indicações de internação: suspeita de abcesso tubo-ovariano (ATO); 
estado geral grave (náuseas e febre); falha do tratamento ambulatorial 
(72 horas); gestantes; imunossuprimidas; intolerância aos atb orais; 
possibilidade de outro diagnóstico (gravidez ectópica) 
↪ Cefoxitina (2g IV 6/6h 14d) + doxiciclina 
↪ Clindamicina (900mg IV 3x/d 14d) + gentamicina IV ou IM (2mg/kg 
por 14d) 
o Tratamento cirúrgico: laparoscopia ou laparotomia 
 
º Suspeita de ATO: quando não existe resposta ao tto, diagnóstico por US 
TV, diagnostico diferencial com gravidez ectópica e o tto é com atb 
(cefoxicitina e doxiciclina); 
↪ Indicações cirúrgicas: abdome agudo (rotura); massa que persiste ou 
aumenta após atb; falha no tto clínico 
 
Ä Complicações: 
o Infertilidade; 
o Aderências pélvicas; 
o Hidrossalpinge (liquido na tuba); 
o Dor pélvica crônica; 
o Pode haver pelvipertitonite com abcesso no fundo de saco de Douglas ou 
no tubo ovariano; 
o Peri-hepatite se extravasar e chegar à cápsula de Glisson (síndrome de 
Fitz-Hugh-Curtis), com dor e desconforto no hipocôndrio direito, que 
simulam colecistite aguda. 
o Gestação ectópica; 
 
 
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