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GO - Flora vaginal

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Mikaelle Teixeira Mendes – Med 33 
Flora Vaginal 
Ginecologia e Obstetrícia 
Constituição da flora vaginal habitual: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A vagina é uma cavidade que contém as suas próprias bactérias, os 
“bacilos de Doderlein” (lactobacilos acidófilos), que são gram-positivas e tem 
a capacidade metabólica de transformar o glicogênio, que há no epitélio 
escamoso da vagina e na ectocérvice, em ácido láctico. Desse modo, são 
esses bacilos que mantém o pH vaginal ácido (<4,5), inibindo microorganismos 
patogênicos. 
Esses lactobacilos, além de produzirem esse ambiente ácido, também 
precisam desse local ácido para sobreviver. Se por algum motivo o pH se 
torna mais alcalino esses bacilos começam a morrer. 
 
� Alguns microorganismos produzem substâncias: 
↪ Ácido lático e peróxido de hidrogênio � inibem organismos não nativos 
↪ Bacteriocinas � papel similar e incluem peptídeos (acidocina e lactina) 
↪ Algumas espécies produzem aderências proteicas e se aderem às céls 
epiteliais vaginais 
� Secreção vaginal fisiológica � muco cervical, céls vaginais esfoliadas, 
transudato, poucos leucócitos e microorganismos da flora habitual 
↪ Coloração branca ou transparente 
� Proteção � a vagina secreta o inibidor da protease dos leucócitos 
(proteína que protege os tecidos locais contra produtos inflamatórios 
tóxicos e infecções) 
� Algumas espécies bacterianas da flora vaginal têm acesso ao trato 
reprodutivo superior: 
↪ Há relatos de bactérias na ectocérvice, na cavidade endometrial, no 
endométrio e no líquido peritoneal do fundo de saco (em mulheres com 
ligadura tubária). 
� O trato superior feminino não é estéril, mas a presença dessas bactérias 
não indica infecção ativa 
 
º Obs.: se um patógeno, como N. gonorrhoeae, acessa o trato superior, há 
uma possível aceleração de um processo infeccioso agudo 
 
Ä Composição da flora vaginal: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Ä pH vaginal: 
� Normal � 4 a 4,5 
� O pH resulta da produção de ác lático, ác graxos e outros ácidos, por 
espécies de Lactobacillus 
↪ Outras bactérias também podem produzir ácidos, pelo catabolismo de 
proteínas 
↪ Bactérias anaeróbias contribuem com a fermentação de aminoácidos 
 
� O glicogênio da mucosa vaginal fornece nutrientes para muitas espécies 
↪ É metabolizado � produz ác lático 
↪ Se houver ↓glicogênio, há ↓ác lático � ↑pH 
 
� Quando o pH for 6 a 7,5 e a mulher for assintomática, é sugestivo de 
menopausa: 
↪ Os níveis séricos de FSH e o pH estão diretamente relacionados 
↪ Há relação inversamente proporcional entre FSH e Ph, com o estradiol 
sérico 
 
Ä Flora alterada: 
� Os níveis séricos de estrogênio alteram a microbiota vaginal, variando, 
portanto, de acordo com a faixa etária da paciente: 
� Infância (hipoestrogenismo): colonização pelas bactérias gram negativas 
e anaeróbias intestinais; 
� Puberdade (aumento dos níveis de estrogênio): proliferação epitelial pela 
ação do hormônio (produção de glicogênio, necessário aos lactobacilos) 
� Período menstrual, uso de progestogenio, lactação e pós-parto 
(hipoestrogenismo transitório): �lactobacilos, com predomínio de outras 
bactérias e alcalinização do pH vaginal. 
� Gestação (altos níveis de estrogênio placentário): �lactobacilos 
 
� Antibióticos de amplo espectro � podem produzir sintomas, atribuídos à 
infecção por Candida, ao eliminar outras espécies competitivas da flora 
 
� Histerectomia com remoção do colo uterino � altera a flora do trato 
reprodutivo inferior, com/sem administração profilática de antimicrobianos 
↪ Em geral, mais espécies anaeróbias são identificadas no pós-operatório 
↪ Há aumento da prevalência de Bacteroides fragilis, de Escherichia coli 
e Enterococcus 
 
 
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