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Avaliação da aprendizagem de estudantes com deficiência na educação superior

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Avaliação da aprendizagem de estudantes 
com deficiência na educação superior
Rev. bras. Estud. pedagog. (on-line), Brasília, v. 97, n. 247, p. 583-601, set./dez. 2016.
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Tania Mara Zancanaro Pieczkowski
Rev. bras. Estud. pedagog. (on-line), Brasília, v. 97, n. 247, p. 583-601, set./dez. 2016.
Essa disposição permite que todos os alunos sejam vigiados e controlados 
constantemente por um único professor. Tais tecnologias atingem os 
indivíduos em seus próprios corpos e comportamentos, constituindo-
se numa verdadeira “anatomia política”, que individualiza a relação de 
poder. Essas estratégias de dominação, através da delimitação de espaços 
e da disciplina corporal, diferem quase nada em sua aplicação, seja nos 
exércitos, seja nas escolas. (Gallo, 2004, p. 92).
Segundo Gallo, para que a educação pudesse cientificizar-se com a 
pedagogia, era necessário mais do que controlar os alunos, 
[...] também era necessário poder quantificá-los em seu processo de 
aprendizagem, para ordená-los através da máthêsis e da taxinomia. Uma 
das táticas instrumentais mais eficazes foi fornecida exatamente através 
da tecnologia do exame (Gallo, 2004, p. 92). 
Para Foucault (2007, p. 102), “[...] máthêsis é a ciência das igualdades, 
portanto, das atribuições e dos juízos; é a ciência da verdade; já a taxinomia 
trata das identidades e das diferenças; é a ciência das articulações e das 
classes; é o saber dos seres”.
Foucault descreve as tecnologias de disciplinamento, vigilância, 
normalização e controle, utilizadas pelas instituições modernas, 
especialmente no século 18, que resultam, dentre outras manifestações, na 
quantificação dos estudantes, o que vivenciamos também nos dias atuais. 
E pelo jogo dessa quantificação, dessa circulação dos adiantamentos e das 
dívidas, graças aos cálculos permanentes das notas a mais ou a menos, 
os aparelhos disciplinares hierarquizam, numa relação mútua, os “bons” 
e os “maus” indivíduos (Foucault, 1999, p. 151). 
O autor prossegue afirmando que as classificações têm um duplo papel: 
“[...] marcar os desvios, hierarquizar as qualidades, as competências e as 
aptidões; mas também castigar e recompensar” (Foucault, 1999, p. 151).
Assim, o exame se constitui em uma estratégia de controle e vigilância, 
de acesso à intimidade do estudante, tanto no aspecto pedagógico quanto 
no aspecto político. 
[...] este instrumento declarado de poder, acaba por constituir-se na 
tecnologia mesma da transmissão do saber, pois é através do exame que 
o processo de ensino-aprendizagem é verificado, controlado, planejado 
e re-planejado etc. (Gallo, 2004, p. 93). 
Nesse sentido, 
O nascimento da pedagogia como “ciência da educação” deveu-se, pois, 
ao advento da tecnologia dos exames, tornando possível a metrificação, 
a quantificação da aprendizagem, colocando sua organização no âmbito 
da prévia organização estratégica. O professor, assim, além de ser aquele 
que tem o poder de transmitir conhecimentos, dado seu saber acumulado, 
é também aquele que tem o poder de cobrar dos alunos o conhecimento 
que lhes foi transmitido, tornando o seu poder muito mais “visível”, 
muito mais palpável, e menos abstrato, pois sua é também a mão que 
pune, através do castigo físico ou simplesmente através da nota e das 
complicações na vida acadêmica, no caso de o aluno não ser bem sucedido 
no exame. (Gallo, 2004, p. 94).
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Avaliação da aprendizagem de estudantes 
com deficiência na educação superior
Rev. bras. Estud. pedagog. (on-line), Brasília, v. 97, n. 247, p. 583-601, set./dez. 2016.
Gallo questiona se Foucault teria algo a nos dizer sobre a escola 
enquanto perspectiva de futuro e acena positivamente acerca desse seu 
questionamento, expectativa da qual compartilho. Afirma que,
Se a escola tem sido, assim como o exército, um dispositivo disciplinador, 
ela é também um espaço social onde se exercem contrapoderes. Ele 
mostra-nos que na relação pedagógica o aluno não é um mero paciente, 
mas é também um agente de poder, o que deve levar-nos a repensar 
todo o “estrategismo pedagógico” do qual algumas vezes somos vítimas, 
outras vezes somos sujeitos. (Gallo, 2004, p. 94).
A centralidade da condução da aula já foi papel inquestionável do 
professor, na lógica de que este ensinava e o aluno aprendia. Os estudos 
relativos aos processos de aprendizagem, somados aos efeitos da inclusão 
de pessoas com deficiência nos espaços equivocadamente concebidos como 
homogêneos, contribuíram para tornar mais explícita a singularidade 
humana e produzir deslocamentos no conceito de aula, incluindo a avaliação 
da aprendizagem e o poder que essa prática delega ao professor. 
Em discussões sobre práticas avaliativas, como gestora universitária, 
acompanhei depoimentos referentes a atitudes de docentes que, no primeiro 
encontro com a turma, já sinalizavam para uma minoria exitosa e uma 
maioria incapaz de se apropriar

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