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Tutorial: Etapas da Carcinogênese

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local e sistêmica. Exossomos derivados de melanoma, por exemplo, induzem as células progenitoras da medula óssea, as quais, como já foi descrito, participam na formação do nicho, a desenvolverem fenótipos pró-vasculogênicos e pró-metastáticos através do aumento da expressão da oncoproteína MET. Além disso, o conteúdo característico deles por moléculas como proteína de choque térmico 70 (HSP70), proteína relacionada a tirosinase 2 (TYRP2), integrina ligante de fibronectina (VLA-4) e outros, constituem uma ‘assinatura exossomal’ para melanoma. 
ESTADOS DE DORMÊNCIA 
Há casos de pacientes que, achando ter sua doença curada, apresentam metástase muitos anos depois; como também, há casos de pacientes com diagnóstico recente que já têm o câncer disseminado. Por que existem essas diferenças entre os tipos de câncer? Como a célula tumoral consegue sobreviver e proliferar de novo muitos anos depois? Após as células terem migrado do tumor primário e disseminado na corrente sanguínea, passam a ser chamadas células tumorais circulantes; quando se estabelecem nos órgãos secundários as células são conhecidas como células tumorais disseminadas. Existem dois períodos nas DTC, infiltração e colonização. O tempo entre um período e outro é conhecido como o tempo de latência metastática. Na infiltração, a célula está presente no local secundário, porém é somente na colonização que essa célula prolifera e estabelece as lesões metastáticas. Apesar de chegar ao órgão-alvo e ter um nicho pronto para sua chegada, a célula ainda enfrentará condições adversas. No microambiente, por conta da presença de neutrófilos e secreção de trombospondina-1 (TSP-1) pelas células GR1+ derivadas da medula óssea, a célula tumoral pode ser morta ou inativada. Uma das estratégias desenvolvidas para a sobrevivência nestas condições é entrar em dormência. Quando a DTC entra em dormência celular, fica em um estado de quiescência em G0 que ocorre pela integração de sinais de estresse ou mitógenos provenientes do microambiente. Além das células tumorais, as micrometástases também podem entrar em um estado de dormência, conhecido como dormência de massa tumoral. Para crescer as lesões metastáticas precisam de vascularização, sem ela, o tamanho fica limitado a 1 ou 2 mm porque a taxa de proliferação é contrabalanceada pela taxa de apoptose. Na dormência imune, conhecida também como immunoediting, o sistema imune não consegue eliminar o câncer, mas evita que ele progrida. Para isto participam o sistema imune adaptativo, as células T e citosinas da resposta Th 1. Em consequência a esses estados de dormência, os pacientes podem estar assintomáticos até que sejam desenvolvidos os mecanismos necessários para ‘acordar’. Na dormência de massa tumoral, o mecanismo que faz ultrapassar deste estado é o chamado “gatilho angiogênico”. Uma vez que as lesões tumorais contam com microvascularização, a taxa de proliferação pode superar a taxa de apoptose. Assim, evoluem para macrometástases. No caso da dormência imune, esta termina exercendo uma pressão seletiva para células menos imunogênicas, que deixam de expressar MHC-1 e outras moléculas de reconhecimento, como também promove estados de imunossupressão. As células, não sendo mais detectadas pelo sistema imune, estarão livres para a invasão. Então, quando o tempo de latência é curto como acontece, por exemplo, com o adenocarcinoma de pâncreas e o câncer de pulmão, a célula tumoral já havia desenvolvido o fenótipo metastático dentro do tumor primário e não entrou em dormência. Pelo contrário, em tempos de latência maiores, como no câncer de próstata ou de mama, as células tumorais não estão ‘prontas’ para colonizar os órgãos. Durante a latência, as células adquirem as características necessárias e/ou o microambiente será adaptado para obter as condições apropriadas. Assim, até anos depois inclusive é quando irão conseguir colonizar.
· Objetivo 03: Citar os tipos de câncer causados por parasitas
A leishmaniose está associada a diversos tipos de neoplasias, como linfomas, câncer epidermoide, tumores na laringe e síndrome mielodisplásica. A malária está correlacionada principalmente com Linfoma de Burkitt. A teníase e toxoplasmose estão associadas com câncer cerebral.
· Referências:
FREITAS, Renata. Fundamentos de Oncologia Molecular. 2016
FILHO, Geraldo. Bogliolo Patologia. 9 ed. 2016
Site INCA
SOUSA; GOMES; BUSATTI. Doenças parasitárias como fatores de risco para o desenvolvimento de câncer. Rev. Médica de Minas Gerais. 2019