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Particularidades e abrangência da comunicação científica - LETRAS Inglês - exclusivopd

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se esperava um resultado diferente (SANTOS, 2016). 
A outra diferença é que, utilizando seu método, Bacon não passaria rapidamente de uma 
exemplificação particular para uma geral, buscando, desta forma, uma ordenação entre aquilo que 
formulou a partir dos dados dos sentidos. 
“O progresso do particular ao geral seria metódico e seguro para não correr riscos de afirmar 
proposições que não poderiam ser consideradas válidas depois de um exame mais atento. A 
indução eliminativa, procura por causas e, assim, por meio dela, pode-se demonstrar alguma 
teoria e descobrir novas. A indução enumerativa, não, justamente por tirar conclusões sem 
analisar os fatos de forma segura." (SANTOS, 2016). 
Levando todas estas informações em consideração, a ciência poderia ser definida, a grosso 
modo, como o conjunto de conhecimentos adquiridos relativos a um determinado objeto ou 
fenômeno, mas desta forma consideraría-se o empírico ou senso comum como parte da ciência, visto 
que os atos cotidianos como agasalhar-se em dias de chuva, por exemplo, de certa forma foram 
adquiridos pelo simples fato de se observar um fenômeno climático, no caso, a chuva, e perceber que 
ela iria molhar o corpo. Portanto, para definir “ciência”, devemos levar em conta outras opiniões já 
existentes. 
 
 Freire-Maia (2000), define como ciência um conjunto de descrições, de interpretações, de 
teorias, de leis e de modelos que buscam o conhecimento de uma parte da realidade, podendo ser 
ampliado e renovado, construído através da metodologia científica. 
 
Já segundo Trujillo Ferrari (1974), “ciência é todo um conjunto de atitudes e de atividades 
racionais, dirigidas ao sistemático conhecimento com objetivo limitado, capaz de ser submetido à 
verificação”. 
 
Ainda sobre esse assunto, Rosenbaum (1997, p. 1) afirma que “a definição de ciência que 
conhecemos, e que estamos habituados a reconhecer como única, é a ciência como um conhecimento 
que tem por fim descobrir as leis dos fenômenos”. 
 
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Percebe-se então, uma relação direta entre a definição de “ciência” com árdua pesquisa, 
conhecimento e racionalidade, e da mesma forma compreende-se que uma única definição de 
“ciência” é algo quase impossível, mesmo que em síntese ela expresse algo confiável. 
 
Aprendemos sobre o mundo e sobre nós mesmos de muitas maneiras: observamos, ouvimos, 
lemos e experimentamos, e assim aumentamos nosso conhecimento. No entanto, nem sempre 
a percepção que obtemos da realidade é confiável. Mas quando o conhecimento sobre 
determinado fenômeno é obtido segundo uma metodologia científica, ou seja, é o resultado 
de pesquisas realizadas por cientistas, de acordo com regras definidas e controladas, então 
aumentam muito as probabilidades de que nossa compreensão desse fenômeno seja correta. 
Chamamos ao conhecimento assim obtido de conhecimento científico ou ciência. 
(KERLINGER, 1979 apud MUELLER, 2000, p. 21). 
 
 Ciência então, para ser assim chamada, necessita de uma rigorosa metodologia científica, 
gerando conhecimento confiável e sem máculas, mesmo que não definitivo. 
 
 
2.1 A COMUNICAÇÃO CIENTÍFICA 
 
Para que os dados coletados em uma pesquisa científica sejam expostos e possivelmente 
aprovados ou não pela comunidade em geral, seja ela científica ou não, se faz necessária a sua 
publicação, já que um trabalho que não é exposto não é julgado, e portanto, não é merecedor de 
confiança. 
 
Pode-se então dizer que todo trabalho intelectual de estudiosos e pesquisadores, depende de 
um sistema comunicativo e informativo, onde são apresentados os resultados obtidos, parâmetros 
usados, e similaridades com projetos de outros pesquisadores. Geralmente este processo 
comunicativo, acontece não só após a conclusão da pesquisa, mas durante períodos esporádicos da 
mesma, orquestrando desta forma, a opinião e a visão não somente sua, mas de todos que tenham 
acesso as informações. 
 
Este processo comunicativo, recebe o nome de “comunicação científica”, e se faz necessária 
durante qualquer processo investigativo que leve a uma conclusão, desde que o mesmo siga uma 
metodologia científica adequada. Portanto é necessário comunicar a comunidade, que existe um novo 
trabalho, uma nova pesquisa, permitindo uma visibilidade mais ampla dos resultados obtidos. 
 
A exposição de materiais científicos, e consequentemente o que seria a “comunicação 
científica” em si, expandiu-se gradativamente a partir do desenvolvimento da imprensa, no século 
XV, momento em que começou a proliferação e maior familiarização com os livros e os periódicos. 
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Também nessa época pode-se observar, o surgimento das disciplinas educativas e o florescer das 
universidades. 
 
A imprensa, na intelectual figura de Johann Gensfleish Gutenberg, proporcionou 
transformação significativa na forma como vemos a ciência hoje, principalmente no que se refere à 
articulação e divulgação da mesma. Conforme foi se organizando, aliado claramente a outros fatores, 
possibilitou que estudos e pesquisas científicas, fossem construídas, publicadas, e consequentemente, 
consolidadas, mesmo que não se saiba com exatidão a que tempo isso iniciou. 
 
Conforme Meadows (1974), “ninguém pode afirmar quando foi que se começou a fazer 
pesquisa científica e, por conseguinte, quando, pela primeira vez, houve comunicação científica. A 
resposta a isso depende principalmente da definição que se tenha do que seja ´pesquisa”. 
. 
Segundo Velho (1997), no século XVII, com o desenvolvimento científico-tecnológico notou-
se a necessidade da realização e divulgação de pesquisas científicas através do registro do 
conhecimento e da comunicação entre cientistas, mas esse processo, mesmo que evolutivo, ainda não 
recebia a denominação de “comunicação científica”. 
 
A criação da revista científica Philosophical Transactions também teve grande importância 
nesse processo. 
Embora a revisão por pares seja usualmente considerada como procedimento central do 
processo de alocação de recursos para a pesquisa, o princípio, na realidade, emergiu no século 
XVII com o estabelecimento da Philosophical Transactions, a primeira publicação científica 
de que se tem notícia, criada pelo Royal Society de Londres em 1665. (VELHO 1997, p. 15). 
 
São desta época, sem uma denominação usual, as origens do sistema que conhecemos hoje 
como “comunicação científica”, principalmente devido a proliferação incomum de revistas 
científicas, originadas principalmente, de sociedades acadêmico científicas. 
 
Credita-se o uso, pela primeira vez, do termo “comunicação científica”, a John Bernal, durante 
o início do século XX, e é assim defendida por Christovão (1997, p.40) “a comunicação científica 
compreende o amplo processo de geração e transferência de informação científica”. 
 
 
 
2.2 PARTICULARIDADES DA COMUNICAÇÃO CIENTÍFICA 
 
 
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 A comunicação é essencial no que tange ao avanço científico. Pode-se dizer até que é ainda 
mais importante que a própria pesquisa, visto que a mesma só será legitimada após ter sido apreciada, 
analisada e receber o almejado aval dos pares. Portanto a necessidade de ser também, eficaz. 
Principalmente se levarmos em conta que o que diz “o sistema de comunicação científica é a 
infraestrutura da comunidade científica”. (MUELLER, 2006). 
 
Numa visão mais ampla, todo o processo de comunicação científica pode ser identificado 
pelas seguintes etapas: investigação, análise, documentação, comunicação, produção, registro e 
disseminação. O modelo mais conhecido de comunicação científica criado por Garvey e Griffith em 
1979, teve que sofrer algumas alterações, principalmente pelo aparecimento de novas mídias de 
comunicação, no caso, as tecnologias da informação e comunicação TIC.Hurd, no ano de 1996, 
propôs uma adaptação ao

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