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Direitos Humanos APOSTILA

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1. A PESSOA HUMANA E SUA DIGNIDADE
A dignidade humana, na linguagem filosófica, “é o princípio moral de que o ser humano deve ser tratado como um fim e nunca como um meio”. É, portanto, um direito essencial. É longa a caminhada empreendida pela humanidade para o reconhecimento e estabelecimento da dignidade da pessoa humana. Atualmente, não se discute, há o reconhecimento de que toda pessoa tem direitos fundamentais, decorrendo daí a imprescindibilidade da sua proteção para preservação da dignidade humana.
2. CONCEITO E ESTRUTURA DOS DIREITOS HUMANOS
Os Direitos Humanos são um conjunto de direitos, positivados ou não, cuja finalidade é assegurar o respeito à dignidade da pessoa humana, por meio da limitação do arbítrio estatal e do estabelecimento da igualdade nos pontos de partida dos indivíduos, em um dado momento histórico.
HISTÓRICO DOS DIREITOS HUMANOS: FASE PRÉ-ESTADO CONSTITUCIONAL, A CRISE DA IDADE MÉDIA, INÍCIO DA IDADE MODERNA
- ANTIGUIDADE – GREGOS, ROMANOS, HEBREUS, CRISTÃOS
Período compreendido entre os séculos VIII e II a.C. O ponto em comum entre eles é a adoção de códigos de comportamento baseados no amor e respeito ao outro.
1. A herança grega 
“Século de Péricles” (século V a.C.). A democracia na Grécia Antiga serviu de fundamento para o conceito de democracia contemporâneo. Na vigência de tal regime, qualquer cidadão[footnoteRef:1] poderia governar a polis, sendo apenas necessário que tivesse sido escolhido pela maioria. [1: É interessante notar que as mulheres, os estrangeiros e os escravos não eram considerados cidadãos. Esses três grupos de indivíduos viviam à margem da sociedade e não possuíam legitimidade para participar da vida política.] 
Platão, em sua obra A República (400 a.C.), defendeu a igualdade e a noção do bem comum. Aristóteles, na Ética a Nicômaco, salientou a importância do agir com justiça, para o bem de todos da pólis, mesmo em face de leis injustas. 
1.1 Direito Romano 
Princípio da legalidade: as leis agrupavam grande parte dos direitos e deveres dos cidadãos e previam punições severas a quem as desrespeitasse. Assim, foram asseguradas garantias como a previsibilidade e a anterioridade da pena. O direito romano consagrou vários direitos, como o da propriedade, liberdade, personalidade jurídica, entre outros. Um passo foi dado também na direção do reconhecimento da igualdade pela aceitação do jus gentium, o direito aplicado a todos, romanos ou não. 
1.2. Os hebreus, o cristianismo, tradição judaico cristã
Os cinco livros de Moisés (Torah) apregoam solidariedade e preocupação com o bem-estar de todos (1800-1500 a.C.). Há vários trechos da Bíblia que pregam a igualdade e solidariedade com o semelhante. E esse respeito pregado por judeus e cristãos não é algo isolado no meio da Bíblia ou do Talmude. Ele se baseia na ideia de que Deus criou o homem à sua imagem e semelhança, algo basilar tanto no judaísmo como no cristianismo. Em outras palavras, em cada ser humano há um pouco de Deus, o que o torna digno de respeito.
2 IDADE MÉDIA 
A Idade Média (adj. medieval) é um período da história da Europa entre os séculos V e XV. Inicia-se com a Queda do Império Romano do Ocidente e termina durante a transição para a Idade Moderna.
Na Idade Média havia a noção de que os homens estavam submetidos a uma ordem superior, divina, e deviam obediência às suas regras. 
Como disse Enrico Eduardo Lewandovski: “...na ordem política medieval, jamais se aceitou, de fato ou de direito, a idéia de que o indivíduo possuísse uma esfera de atuação própria, desvinculada da polis. Desconhecia-se completamente a noção de direitos subjetivos individuais oponíveis ao Estado”. Aponta, contudo, que nesse período houve um avanço, à medida em que se passou a reconhecer que o indivíduo estava submetido a duas autoridades (secular e espiritual) e, com esse reconhecimento, o homem passou a ser considerado “como um ser moral, e não apenas como um ser social”, derivando daí que “enquanto seres morais, ou seja, enquanto membros da civitas Dei, todos os homens eram iguais, sem embargo das distinções de status circunstancialmente registradas na cidade terrena”.
Na Idade Média europeia, o poder dos governantes era ilimitado, pois era fundado na vontade divina. Contudo, mesmo nessa época de autocracia, surgem os primeiros movimentos de reivindicação de liberdades a determinados estamentos, como a Declaração das Cortes de Leão adotada na Península Ibérica em 1188 e ainda a Magna Carta inglesa de 1215. 
2.1 A Declaração das Cortes de Leão 
Consistiu em manifestação que consagrou a luta dos senhores feudais contra a centralização e o nascimento futuro do Estado Nacional. 
2.2 Magna Carta 
Por sua vez, a Magna Carta consistiu em um diploma que continha o catálogo de direitos dos indivíduos contra o Estado consistia em disposições de proteção ao Baronato inglês, contra os abusos do monarca João Sem Terra (João da Inglaterra). Apesar de seu foco nos direitos da elite fundiária da Inglaterra, a Magna Carta traz em seu bojo a ideia de governo representativo e ainda direitos que, séculos depois, seriam universalizados, atingindo todos os indivíduos, entre eles o direito de ir e vir em situação de paz, direito de ser julgado pelos seus pares, acesso à justiça e proporcionalidade entre o crime e a pena.
3 IDADE MODERNA
A Idade Moderna é uma época da História que tem início em 1453 (tomada de Constantinopla pelos turcos otomanos), indo até 1789 (início da Revolução Francesa). Principais características no mundo ocidental: - Foi um período de transição do Feudalismo para o Capitalismo.
AS IDEIAS MODERNAS
3.1. Renascimento, Contratualismo e Absolutismo 
Com o Renascimento, a crise da Idade Média deu lugar ao surgimento dos Estados Nacionais absolutistas europeus. No fim do século XV, surge na Europa a figura do Estado moderno e, com ele, a do monarca absoluto, que tinha um poder ilimitado sobre seus súditos, devendo satisfações apenas a Deus. A sociedade estamental medieval foi substituída pela forte centralização do poder na figura do rei. Paradoxalmente, com a erosão da importância dos estamentos (Igreja e senhores feudais), surge à igualdade de todos submetidos ao poder absoluto do rei. 
A evolução da doutrina estóica, que alegava a supremacia da “natureza”, culminou no Contratualismo, que teve como seus maiores representantes Hobbes, Locke e Rousseau. Quanto ao contratualismo, essa concepção teve por fim estabelecer reação contra o poder papal, mas, posteriormente, serviu de fundamento para a compreensão de que, se o Estado deriva da vontade contratual dos homens, estes também, por sua vontade, poderão reconstruí-lo em novas bases, com a garantia de liberdade contra o próprio Estado.
I Thomas Hobbes – 1651
Sua obra Leviatã (1651) é um dos primeiros textos que trata claramente do direito do ser humano, pleno somente no estado da natureza. Nesse estado, o homem é livre de quaisquer restrições e não se submete a qualquer poder. Ele escreveu que o primeiro direito do ser humano consistia no direito de usar seu próprio poder livremente, para a preservação de sua própria natureza, ou seja, de sua vida. Todavia, o homem em seu estado de natureza sofria com a “guerra de todos contra todos”, sendo imperiosa a necessidade de um órgão que lhes garantisse a segurança. Para sobreviver ao estado da natureza, no qual todos estão em confronto (o homem seria o lobo do próprio homem), o ser humano abdica dessa liberdade inicial e se submete ao poder do Estado (o Leviatã). Assim, eles alienaram sua liberdade ao Estado, detentor de todo o poder. Nessa função, o soberano teria um poder absoluto, sendo juiz dos seus próprios atos e prestando contas apenas a Deus. Esse poder só seria retirado do governante se ele não assegurasse aos cidadãos a segurança desejada. A razão para a existência do Estado consiste na necessidade de se dar segurança ao indivíduo, diante das ameaças de seus semelhantes. Com base nessa espécie de contrato entre o homem e o Estado, justifica-se a antítese dos direitos humanos, que é a existência do