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A teoria da norma penal

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A teoria da norma penal

 

Em um Estado de Direito que tenha como ponto de partida o princípio da legalidade, é indispensável que seja desenvolvida uma sólida teoria da norma, sobretudo, no âmbito de um direito penal que visa tutelar subsidiariamente os bens jurídicos.

 

A norma penal é o significado que se retira da interpretação da lei penal. Assim, tem a finalidade de comunicar aos seus destinatários orientações de duas espécies, a saber, norma penal incriminadora e não incriminadora.

 

A norma penal incriminadora, conforme os desdobramentos lógicos do princípio da legalidade em sentido estrito, tem como pressuposto uma lei prévia, certa, escrita e estrita, o que significa que é proibido estabelecer a punibilidade de modo retroativo ou aumentar posteriormente uma pena prevista legalmente, elaborar leis em que o conteúdo do injusto seja indeterminado/nebuloso, que a lei deve ser formal e aprovada pelo congresso nacional, não podendo ser elaborada a partir de costumes ou atos normativos distintos da lei em sentido estrito, bem como é vedado o uso de analogia em desfavor do réu.

 

Na sequência, as normas penais incriminadoras têm a função de definir as infrações penais, proibindo ou impondo a prática de condutas, sob a ameaça expressa e específica de pena. A doutrina usualmente desmembra as normas penais incriminadoras em duas partes, a saber, o preceito primário que descreve a ação ou omissão desvalorada, com objetividade e clareza; o preceito secundário que apresenta a natureza das penas a serem aplicadas, bem como o mínimo e o máximo que pode ser fixado pela autoridade judicial, caso o agente incorra na referida infração penal.

 

As normas penais incriminadoras gozam de uma técnica legislativa diferente. Afinal, em sua redação não vem descrito “é proibido fazer ou deixar de fazer ...’, e sim a ação ou omissão proibida, com a ameaça da pena do preceito secundário, o que em uma interpretação global significa se fizer isso, a consequência é esta.

 

Já as normas penais não incriminadoras são aquelas que estabelecem regras gerais de interpretação e aplicação das normas penais em sentido estrito, repercutindo tanto na delimitação da infração penal como na determinação da sanção penal correspondente. As normas penais não incriminadoras podem ser permissivas, complementares ou explicativas.

 

As normas penais permissivas se contrapõem as normas penais incriminadoras, na medida em que, diante de uma especial circunstância fática, autorizam a prática de uma conduta que foi abstratamente criminalizada, porque não há relação de antagonismo entre a ação ou omissão e os valores defendidos pelo direito.

 

As normas penais complementares ou explicativas são premissas jurídicas que esclarecem, limitam ou complementam as normas penais incriminadoras.

 

Lado outro, vale destacar as leis penais em branco, que são normas incompletas, que não determinam o conteúdo do injusto e por isso pressupõem uma complementação de sentido por outro ato normativo. A doutrina classifica as normas leis penais em branco de acordo com a fonte, sendohomogêneas quando o ato normativo que complementa tem a mesma natureza e origem da lei em branco, ou seja, se trata de uma lei aprovada pelo congresso nacional, e heterogêneas quando se tratar de complemento cujo autor é um órgão distinto do poder legislativo e também por isso, não se tratar de lei em sentido estrito.

 

Por fim, as normas penais podem ser interpretadas pelos métodos clássicos, a saber, gramatical, histórico, sistemático.

 

O método de interpretação gramatical é a interpretação que se fixa do significado das palavras contidas no texto legal. Ressalte-se, que muito embora nos demais ramos do direito tal forma de interpretação não goze de muito prestígio, no Direito Penal seu uso é de notório valor, afinal, nesta seara os limites interpretativas são mais estreitos, por força do princípio da taxatividade.

 

A interpretação histórica, como seu próprio nome adianta, confere ao intérprete a possibilidade de investigar os aspectos históricos de determinado instituto jurídico, assim compreendendo suas razões e fundamentos.

 

Por fim, na interpretação sistemática se considera determinado dispositivo legal ou instituto jurídico como um elemento de um sistema e busca entender seu conteúdo semântico considerando estar em coerência com os demais elementos deste sistema.