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Apostila de Helmintos - Ian Paglione

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Apostila de 
Parasito 
 
Ian Paglione, Med 115 
 
 
 
 
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SUMÁRIO 
1. Ascaridíase ................................................................................................................. 3 
2. Síndrome da Larva Migrans .................................................................................... 6 
3. Ancilostomíase ........................................................................................................... 9 
4. Enterobiose ............................................................................................................... 12 
5. Oncocercose .............................................................................................................. 14 
6. Estrongiloidíase ........................................................................................................ 16 
7. Tricuríase ................................................................................................................. 19 
8. Bancroftose .............................................................................................................. 20 
9. Teníase/Cisticercose ................................................................................................ 23 
10. Esquistossomose ..................................................................................................... 27 
11. Equinocercose/Hidatiose ....................................................................................... 31 
12. Ectoparasitoses ....................................................................................................... 33 
a) tunguíase ....................................................................................................... 33 
b) miíases .......................................................................................................... 34 
c) escabiose ........................................................................................................ 36 
d) ácaros de poeira doméstica ......................................................................... 37 
e) ácaros de pele ............................................................................................... 37 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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1. ASCARIDÍASE – Ian Paglione, Med 115 
Caso clínico: 
Uma criança de 5 anos, residente em um assentamento na zona rural de Juiz de Fora, é 
atendida na UBS com aparente desnutrição e manchas brancas na face. Durante a 
consulta médica, a mãe relata que a criança vomitou vermes brancos, cilíndricos e 
compridos do tamanho de um palmo. A mãe informou também que a criança não evacua 
há 5 dias e apresenta dor abdominal em cólica. Além disso, a criança eliminou um verme 
pelo nariz. À palpação abdominal, foi detectado uma massa. 
0. Nematódeos (Filo Nematoda): 
- são vermes geralmente cilíndricos (filiformes) de tamanho variado. 
- geralmente apresentam dimorfismo sexual e simetria bilateral. 
- possuem o corpo não segmentado e o tubo digestório completo. 
1. Epidemiologia: 
- cosmopolita: temperatura, falta de saneamento e biologia do parasito. 
- + frequentes das helmintíases humanas e muito comum em crianças. 
- doença exclusivamente humana e classificada como DTN pela OMS. 
2. Agente etiológico: Ascaris lumbricoides (família Ascarididae). 
3. Morfologia: 
- Ovo 
*Tipos: ¨infétil 
¨fértil:com membrana mamilonada de mucopolissacarídeos, que o protege do meio. 
¨decorticado: eliminado nas fezes, sem membrana mamilonada, fecundado ou não 
pelo macho. 
- Larva 
- Verme adulto: 
*porção anterior: boca com 3 lábios. 
*porção posterior do macho: espículo. 
*dimorfismo sexual: macho de 15 a 35cm; fêmea de 35 
a 40cm. 
4. Habitat: 
- Ovo: fezes e solo. - Larva: pulmão. 
- Verme adulto: intestino delgado (principalmente duodeno). 
 
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*habitat ectópico (anômalo): vesícula biliar, ducto 
cístico, colédoco, ducto pancreático e ducto 
hepático. 
 
5. Transmissão: 
- ingestão de água e alimentos contaminados com ovos embrionados. 
*veículos mecânicos: poeira, aves e insetos. 
6. Ciclo biológico (monoxeno) 
1) os ovos são embrionados no solo por 15 dias (geohelminto). 
*Fatores do desenvolvimento embrionário: 
¨temperatura de 25 a 30ºC ¨umidade > 70% ¨oxigenação > 75% 
*não ocorre autoinfecção pois os ovos que saem do hospedeiro não são embrionados. 
2) o homem ingere água ou alimentos contaminados com ovos embrionados. 
3) o ovo se ativa um pouco no estômago e eclode no duodeno. 
Fase pulmonar: 
4) a larva penetra na mucosa intestinal, cai na corrente sanguínea e chega até os pulmões, 
onde amadurece por +/- 15 dias. 
Fase intestinal: 
5) as larvas sobem a arvore brônquica, descem pelo esôfago e chegam até o intestino 
delgado novamente. 
6) as larvas se desenvolvem em adultos jovens, crescem, amadurecem, fazem a cópula 
repetidas vezes e liberam ovos fecundados (200 mil/dia). 
*vias de eliminação de vermes adultos: ouvido, olho, nariz, boca e ânus. 
*os ovos são altamente resistentes aos desinfetantes comerciais de uso residencial, bem 
como aos agentes antiparasitários. 
Fase ectópica: colonização de outros órgãos. 
 
 
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7. Patogenia e sintomatologia: 
- período pré-patente: até aparecer ovos nas fezes (60 dias). 
- grande parte assintomática devido à imunidade e à baixa carga parasitária. 
- poucas alterações clínicas e sintomas inespecíficos com a ingestão de 3-4 vermes 
- alterações mais intensas com a ingestão de 30-40 vermes ou +100. 
- Larvas 
*alterações hepáticas: pontos hemorrágicos. 
*alterações pulmonares: Síndrome de Löffler 
¨infiltrados pulmonares migratórios ¨febre, tosse e muco sanguinolento ¨hipereosinofilia 
- Vermes adultos: 
*ação tóxica: manifestações alérgicas. 
*ação espoliadora: subnutrição (consumo de macronutrientes e vitaminas A/C). 
¨a hipovitaminose A e C causa manchas na pele (repigmentação após tratamento). 
*ação mecânica: obstrução intestinal. 
- Complicações ectópicas: apêndice cecal, ducto do colédoco e perfurações do peritônio 
Imunologia: 
- importante resposta Th2. 
- efeitos farmacológicos: vasodilatação, aumento da produção de muco nas vias aéreas e 
no intestino. 
- efeitos clínicos: asma, rinite e expulsão de vermes da luz intestinal. 
8. Diagnóstico Laboratorial: 
- EPF/HPJ: ovos. - exame microscópico: vermes adultos. - imunológico: ELISA 
- exames de imagem: radiografia, endoscopia e ultrassom (não indicado). 
9. Tratamento: 
- albendazol ou mebendazol: agitam os vermes. - ivermectina ou nitazoxanida (Annita). 
- antiinflamatórios e corticoides: fase pulmonar 
- piperazina e óleo mineral: obstrução intestinal. 
- piperazina, pamoato de pirantel e levamisol: promovem paralisia do verme. 
- plantas medicinais: tratamento alternativo. 
10. Profilaxia: tratar, sanear e educar. 
 
 
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2. SÍNDROME DA LARVA MIGRANS – Ian Paglione, Med 115 
Caso clínico: 
Criança do sexo feminino, de 3 anos de idade, previamente saudável, proveniente do G8 
com lesões eritemo-pruriginosas e serpiginosas no dorso de ambos os pés, com cerca de 
1 mês de evolução, adquiridas durante aa férias na região do nordeste brasileiro. De 
acordo com a mãe, as queixas de dor e prurido cutâneo em ambos os pés se iniciaram no 
dia em que a criança foi brincar em uma caixa de areia do parque infantil do Hotel onde 
estavam hospedados. Foi efetuado o diagnóstico de micose por um farmacêutico local e 
iniciou tratamento com antifúngico. Como não obteve melhoria da sintomatologia, foi 
levada ao serviço de Pediatria após o regresso da viagem, onde após observação do 
aspecto da lesão e relato da mãe sobre a viagem, a médica suspeitou de larva migrans 
cutânea. Foi instituído tratamento com albendazol 400mg/dia durante 3 dias, associada a 
aplicação tópica nas lesões de Tiabendazol em creme a 15%. Constatou-se uma evolução 
favorável com melhoria em 48h e regressão