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TRAB CONSUMIDOR FINAL 27-11

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no sistema brasileiro. Dessa forma, se a conduta publicitária for capaz de causar qualquer tipo de engano, mesmo que indireto, a gerar prejuízos mediatos ao consumidor, ficará configurada a publicidade ilícita. Caso não haja prejuízo, não se pode falar em publicidade enganosa. Concluindo da última forma, do Tribunal do Rio Grande do Sul:
Apelação cível. Responsabilidade civil. Propaganda enganosa. Danos morais. Não verificação. Improcedência do pedido. Manutenção. Não
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configura propaganda enganosa a divulgação, por parte da financeira, de que opera com as melhores taxas do mercado. Tal mensagem publicitária, para qualquer cidadão com o mínimo de discernimento, apenas exerce a força atrativa a que se propõe toda propaganda, jamais tendo o condão de ludibriar o consumidor ou gerar vício no consentimento. Outrossim, o dolus bonus, evidentemente presente na hipótese, não vicia o negócio, sendo aceito socialmente. Trata-se de mecanismo muito utilizado como técnica de publicidade, inexistindo qualquer ilicitude no realce do produto, com finalidade de atrair os clientes. Improcedência do pedido mantida. Apelo desprovido (TJRS – Apelação Cível 500846-04.2010.8.21.7000, Igrejinha – Nona Câmara Cível – Rel. Des. Marilene Bonzanini Bernardi – j. 13.04.2011
– DJERS 20.04.2011).
Mais uma vez, verifica-se uma interessante interação entre as normas do Código de Defesa do Consumidor e os conceitos clássicos do Direito Civil.
O Código de Defesa do Consumidor também proíbe a veiculação da publicidade abusiva, que afronta a ética, a moral e os bons costumes. Nessa espécie, não há necessariamente uma inverdade, mas um defeito de forma. No entanto, em algumas dessas mensagens, pode haver adicionalmente um defeito de conteúdo, que a torna simultaneamente enganosa e abusiva. Nesse caso, o produto ou serviço não corresponde ao que foi anunciado, contando assim com o elemento abusividade.
Quando constatada a enganosidade ou a abusividade, o fornecedor é obrigado a divulgar uma contrapropaganda. Com essa forma de sanção, tenta-se desfazer ou, pelo menos, minimizar os efeitos maléficos do anúncio denunciado.
CONCLUSÃO
Este trabalho buscou apresentar o que é o Princípio da Veracidade da Publicidade e suas bifurcações. De igual forma, foi apresentado aqui o conceito de publicidade enganosa e suas ramificações de forma a assentar o entendimento acerca da mesma, enfatizando suas singularidades, de modo a orientar o leitor no que tange ao cerne da temática abordada. Foi visto também que desde 1990, seguindo o comando constitucional, o legislador pátrio tem tratado o consumidor sob uma nova ótica, entendendo sua importância e papel, bem como aos perigos a que está exposto em razão disto e, por consequência, elevando o patamar dos direitos inrerentes a sua pessoa. Outrossim, no Princípio da Veracidade da Publicidade impera expressamente a não indução do consumidor ao erro, contudo essa imposição (vedação) não é arbitrária e sim protetiva garantindo o equilíbrio entre as partes e dessa maneira os interesses sejam assegurados. Destarte, não se pode omitir a correlação entre as disposições legais aqui explanadas com a Constituição de 1988 que, com seu perfil diretivo e garantista, assegura a formação e a manutenção do Estado Democrático de Direito da República Federativa do Brasil.
Ademais, vimos de forma vestibular que a sociedade e o Direito se complementam e que não é possível dissocia-los um do outro se a intenção é compreender as raízes da ciência jurídica ao tempo em que se cristaliza o magistério de como os estudos sociais vem se desdobrando no arfã de explicar e esmiuçar os fenômenos que acompanham o homem desde que este abraçou a convivência em comunidade e a imprescindível disciplina que a acompanha.
Finalmente, o presente trabalho expôs as lições doutrinárias de alguns dos diversos pensadores do Direito Consumerista, mostrando que este ramo jurídico vem se adaptando aos novos tempos, mas sempre com a face voltada à direção trazida pela Lex Mater. Por fim, conclui-se que a Lei 8.078/90 especializou-se na valorização da boa-fé e por trazer uma relação mais sólida e transparente entre os sujeitos da relação de consumo.
REFERÊNCIAS
TARTUCE, Flávio. Manual de direito do consumidor : direito material e processual / Flávio Tartuce, Daniel Amorim Assumpção Neves.– 3. ed. – Rio de Janeiro: Forense: São Paulo: MÉTODO, 2014.
COELHO, Fábio Ulhoa. Manual de Direito Comercial. Direito de Empresa. 18. ed. São Paulo: Saraiva, 2007. p. 104.
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L8078compilado.htm.	Acesso	em 27/11/2018.
RAMOS, Ana Carenina Pamplona Pinho. Publicidade enganosa e abusiva à luz do Código de Proteção e Defesa do Consumidor. In: Âmbito Jurídico, Rio Grande, XV,
n. 98, mar 2012. Disponível em: <http://www.ambito-juridico.com.br/site/? n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=11209&revista_caderno=10. Acesso em 27/11/2018.