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Farmacologia

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associando 
sua ingestão com uma atividade relativamente 
fixa, como as principais refeições. 
 
As interações medicamentosas podem acontecer 
quando: 
 Nutrientes influenciam no processo de 
absorção de fármacos; 
 Nutrientes alteram o processo de 
biotransformação de algumas substâncias; 
 Ocorrem alterações na excreção de fármacos 
por influência de nutrientes; 
 Alguns fármacos alteram o estado nutricional; 
 O estado nutricional interfere sobre o 
metabolismo de certos fármacos, diminuindo 
ou anulando seu potencial terapêutico ou 
aumentando seu efeito tóxico. 
 
Essas interações podem acontecer de formas 
isoladas ou podem ocorrer de forma conjunta. 
 
Essa interação pode acontecer através de: 
• Modificação do pH do conteúdo gastrintestinal; 
• Esvaziamento gástrico; 
• Aumento do trânsito intestinal; 
• Competição por sítios de absorção; 
• Fluxo sanguíneo esplâncnico e/ou ligação direta 
do fármaco com componentes dos alimentos. 
Esses fatores podem aumentar ou diminuir a 
absorção de um fármaco ou simplesmente 
retardar o processo de absorção, tornando-o mais 
lento 
 
Quando o uso de medicamentos é prolongado, 
este pode provocar alteração na absorção de 
nutrientes, sendo, muitas vezes, necessário o uso 
de suplementos nutricionais para restabelecer a 
saúde do paciente. 
As alterações causadas pelas substâncias ativas na 
absorção de nutrientes podem ser primárias ou 
secundárias. 
Primárias: São consequências dos efeitos diretos 
dos agentes farmacológicos sobre a mucosa ou 
sobre o processo intraluminal. 
Secundária: São causadas pelo estado fisiológico 
deficiente ou pela interferência do fármaco sobre 
o metabolismo de um nutriente que, por sua 
deficiência, poderá ocasionar a má absorção de 
outros. 
 
 
 
Farmacologia e controle da fome e saciedade 
Alguns fármacos podem agir como indutores do 
apetite ou inibidores do apetite. Os fármacos que 
estimulam o apetite são chamados de orexígenos. 
Eles são indicados: anorexia e caquexia, 
quimioterapia/radioterapia, perdas acentuadas de 
peso. 
 
O acetato de megestrol (AM) induz o apetite por 
meio da estimulação do neuropeptídeo Y (NPY), 
neurotransmissor localizado no hipotálamo. Este 
estímulo acontece através da modulação do canal 
de cálcio, localizado no núcleo ventro-medial 
(VMH) do hipotálamo, conhecido como o centro 
da saciedade. 
O AM pode atuar também pela inibição da 
atividade de citocinas pró-inflamatórias como: 
interleucina 1 (IL-1), a interleucina 6 (IL-6) e o fator 
de necrose tumoral-α (TNF-α). 
Os níveis séricos dessas citocinas estão 
aumentadas em pacientes com câncer em 
tratamento com quimioterapia, o que justifica a 
inapetências associada a essa terapia. 
 
Como resultado, seu uso promove: aumento 
significativo do apetite; maior ingestão de calorias, 
ganho de peso corporal associado a uma sensação 
de bem-estar. 
O AM pode induzir fenômenos tromboembólicos, 
sangramento uterino espontâneo, edema 
periférico, hiperglicemia, hipertensão, supressão e 
insuficiência adrenal (se o tratamento for 
interrompido bruscamente). É contraindicado em 
caso de doenças tromboembólica/trombótica, em 
cardiopatias e em pessoas com risco de retenção 
hídrica. Não há relatos de interações com 
nutrientes. 
 
Corticosteroides 
A prednisona e a dexametasona são fármacos 
derivados dos corticosteroides. O tratamento com 
prednisona em conjunto com a dexametasona 
promove maior aumento do apetite do que 
quando isolados. 
O mecanismo de ação dos glicocorticoides sobre o 
apetite está relacionado com a inibição da síntese 
e/ou libertação das citocinas pró-inflamatórias, 
como, que diminuem a ingestão alimentar 
diretamente ou através de mediadores 
anorexígenos, como a leptina e a serotonina 
 
 
A utilização deste tipo de fármacos provoca alguns 
efeitos secundários, tais como: hipertensão, 
hipertrigliceridemia, hiperglicemia, alopecia, 
edema, síndrome de Cushing. 
O uso associado de corticosteroides e diuréticos 
que depletam potássio pode aumentar a 
hipopotassemia. Já o uso de corticosteroides em 
conjunto com glicosídeos cardíacos pode 
aumentar arritmias ou intoxicação digitálica 
associada à hipopotassemia. Sendo assim, orienta-
se o acompanhar o paciente através de exames 
laboratoriais quando forem submetidos a este 
tratamento. 
 
Fármacos utilizados para inibição o apetite 
Os fármacos utilizados para inibir o apetite são 
prescritos principalmente para controle do peso 
corporal em apresentem obesidade e não 
conseguem uma perda de peso através da dieta e 
da atividade física. 
 
Orlistat 
É um inibidor irreversível da lípase pancreática, é 
um composto lipofílico que exerce a sua atividade 
no estômago e intestino delgado através da 
diminuição da atividade das lípases gástrica e 
pancreática. Quando inativadas, essas enzimas 
impedem a hidrólise dos triglicerídeos, 
provenientes da dieta, em ácidos graxos livres e 
glicerol. 
A não digestão dos triglicerídeos impede a sua 
absorção, sendo em seguida excretado pelas 
fezes, sendo este o mecanismo que leva à perda 
de peso, uma vez que diminui a ingestão 
energética. 
Por diminuir a absorção de gordura, o orlistat pode 
desencadear efeitos gastrointestinais como, fezes 
líquidas gordurosas, diarreia, flatulência, dor e 
distensão abdominal, dispepsia e incontinência 
anal, após uma refeição rica em gorduras. 
Ansiedade, diverticulose, reações de 
hipersensibilidade, bolhas na pele, colelitíase e 
sangramento rectal são outros efeitos 
secundários. 
Além disso, com a diminuição da absorção de 
gordura, ocorre também a absorção de compostos 
lipossolúveis como vitaminas A, D, E e K e também 
carotenoides. 
 
 
 
 
Catecolaminérgicos 
As catecolaminas são: noradrenalina, adrenalina; 
dopamina. 
Os catecolaminérgicos agem inibindo a recaptação 
e/ou estimulando a liberação de um ou mais 
desses neurotransmissores (principal é a 
noradrenalina). Sua ação permite a redução do 
apetite e consequentemente diminuir a ingestão 
de alimentos por mecanismo noradrenérgicos. A 
anfetamina é o principal fármaco com essa função, 
mas como elevam a pressão arterial não devem 
ser usados por pacientes hipertensos. 
 
Serotoninérgicos 
Estes fármacos agem também inibindo a 
recaptação e estimulando a liberação do 
neurotransmissor serotonina. Sendo assim, 
antecipam o término da ingestão de alimentos 
principalmente de carboidratos. Porém, não são 
registrados como fármacos com função de inibir o 
apetite, mas promovem esse efeito devido a ação 
secundária do neurotransmissor. 
 
Serotoninérgicos e catecolaminérgicos 
São medicamentos com ação mista que 
promovem: inibição da recaptação de serotonina 
e de noradrenalina; ação a nível central e 
periférico, levando a diminuição da ingestão 
alimentar e aumentando o gasto calórico. 
A sibutramina, foi aprovada para o tratamento da 
obesidade. Sua ação é inibir a recaptação de 
noradrenalina, dopamina e serotonina no SNC, 
aumentando o tempo de disponibilidade dessas 
substâncias, estimulando os neurônios e 
aumentando a saciedade e consequentemente 
promovendo perda de peso. 
 
Termogênicos 
Promovem um aumento notável no gasto 
energético de repouso, proporcionando ao 
indivíduo um gasto maior de calorias ao longo do 
dia e um balanço energético negativo (ingestão 
menor que gasto energético corporal). Funcionam 
como agonista adrenérgico e estimulam a 
liberação de noradrenalina. 
 
Agonistas do receptor do GLP-1 
Possuem as mesmas ações das incretinas. As 
incretinas são hormônios intestinais produzidos 
após a ingestão de carboidrato e lipídeos, e que 
possuem efeitos fisiológicos significativos como 
aumento da secreção e sensibilidade periférica à 
insulina, melhora do metabolismo de lipídios no 
fígado e da atividade do adipócito. 
O GLP-1 também atua sobre o SNC estimulando 
saciedade através da inibição do NPY, um 
neurotransmissor orexígeno, e isso pode ter como 
consequência a perda de peso. 
 
Fitoterápicos e Saúde Gastrointestinal 
A digestão adequada é caracterizada pelo 
funcionamento dos órgãos