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Bioética Animal e Meioambiental

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utilização 
de animais, e os Comitês de Ética para o Uso de Animais, conhecidos como CEUAs, nas 
diferentes instituições de pesquisa e ensino. Segundo a Lei, todo projeto de pesquisa que 
envolva a utilização de vertebrados deve ser revisado e aprovado pelo comitê de ética da 
instituição (CEUA) antes de iniciar. 
No nosso país existe uma sensibilização para a procura de métodos alternativos ao 
uso de animais (MAUA). Isso se inclui na Diretriz Brasileira para o Cuidado e Utilização de 
Animais em Atividades de Ensino e Pesquisa (DBCA) que foi criada pelo Concea em 2016. 
Essa diretriz obriga a oferecer MAUA para aqueles estudantes que se declarem objetores de 
consciência. Além disso, a procura por MAUA é incentivada e regulada. Para isso, 
 
3 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2008/lei/l11794.htm. 
“In Italy, Law 413/1993 states that public and private 
Italian Institutions, including academic faculties, are 
obliged to fully inform workers and students about their 
right to conscientious objection to scientific or educational 
activities involving animals, hereafter written as “animal 
CO”. […] 
The results of this investigation revealed that less than 
half of Italian academic faculties comply with their duty to 
inform on animal CO” 
Baldelli, I. et al. (2017) Conscientious Objection to Animal 
Experimentation in Italian Universities. Animals (Basel) 7: 
24. 
A consequência dos fatos relatados 
no exemplo ao lado (falta de 
vigilância e execução das leis 
relacionadas com uso de animais) 
faz com que o nível cumprimento 
delas com frequência dependa da 
vontade e princípios éticos dos 
pesquisadores. 
Figura 9 – Università da Roma 
"La Sapienza" 
Fonte da imagem: Melirius / CC BY-AS 
https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Sapienza_entrance_(20
040201351).jpg 
 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2008/lei/l11794.htm
 
 
estabeleceu-se o BRACVAM, que identifica as necessidades e promove a procura por MAUA. 
Esses métodos são avaliados experimentalmente na Renama (Rede Nacional de Métodos 
Alternativos), e, uma vez terminados os estudos, o Concea valida tais métodos para uso 
nacionalxxviii. 
Outros organismos, como a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância 
]]7 Sanitária), também têm produzido regulações sobre aspectos relacionados (RDC 
35/2015)xxix. 
 
 
 
 
1.3.1 Ética na Prática com Animais 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A bioética não é apenas um exercício que devemos fazer para obter a aprovação do 
comitê de ética de nossa instituição. Na prática do dia a dia nos laboratórios, a ética para 
com os animais é de grande importância. Assim, existem algumas diretrizes que são mais ou 
menos aceitas de forma geral no mundo ocidental entre os pesquisadores. As mais 
amplamente divulgadas são as conhecidas como “As três R”, inicialmente propostas pelos 
pesquisadores W. Russel e R. Burch no livro “Principles of Humane Experimental Technique” 
em 1959: Replacement (Substituição), Reduction (Redução) & Refinement (Refinamento)xxx. 
• Substituição: significa evitar o uso de animais sempre que possível. Essa substituição 
pode ser absoluta (com uso de métodos in vitro, uso de dados já publicados na 
literatura, ou simulações in silico) ou relativa (com uso de animais menos sencientes 
ou o uso de experimentação em humanos). 
• Redução: uso do menor número possível de animais. Isso pode ser realizado 
mediante uso de animais apenas nos últimos estágios da experimentação, escolha 
ponderada do tipo de teste a ser realizado, boa planificação e estratégias estatísticas 
(como desenho de experimentos sequenciais e fatoriais). 
• Refinamento: redução do sofrimento e cuidado nas condições em que o 
experimento será realizado. Neste caso, o refinamento para limitar o sofrimento 
pode incluir sacrificar os animais antes de estes chegarem a falecer por causa do 
experimento. O refinamento das condições de vida e experimentação podem incluir 
"Limitations of the Three Rs tenet 
[...] 
1. The Three Rs tenet has been criticized for the 
underlying premise that the use of animals for scientific 
purposes is acceptable [...] 
2. The Three Rs tenet does not provide a way to give 
special consideration for certain species. [...] 
3. Conflicts between each “R” have also been identified 
as a limitation [...] 
4. There can be conflicts between the Three Rs tenet 
and the goals of certain types of scientific animal use. 
[...] 
5. The full potential of the Three Rs tenet to improve 
animal welfare has not yet been reached” 
Fenwick, N, et al, (2009) The 
welfare of animals used in 
science: How the “Three Rs” ethic 
guides improvements. Can. Vet. J. 
50: 523-530. 
Festing, S. & Wilkinson, R. (2007) 
EMBO Rep 8:526-530. 
Figura 10 – “As três R” 
Fonte: 
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/ar
ticles/PMC2002542/ 
 
 
 
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2002542/
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2002542/
 
 
cuidados na escolha do tipo de gaiola, forma de transporte e condições higiênicas, 
assim como as condições próprias do experimento (anestesia, evitar danos 
desnecessários, como a amputação de membros para identificação etc.). 
Além disso, deve-se estar consciente de que a bioética começa no bem-estar dos 
animais antes de serem sujeitos de experimentação, por exemplo, na sua criação e 
manutenção nos biotériosxxxi. 
 
 
 
 
1.4 Modificação Genética de Animais 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O avanço nas técnicas de clonagem e modificação do genoma dos mamíferos com, 
por exemplo, a utilização de técnicas baseadas em CRISPR/Cas9 capazes de induzir a deleção 
de genes sem introduzir DNA exógeno faz com que, na atualidade, seja mais correto falar de 
Animais Modificados Geneticamente (AMG) do que Animais Transgênicos. 
A finalidade da introdução de modificações nos genomas dos animais é variada. 
Assim, na maioria dos casos, as modificações têm como finalidade o conhecimento 
científico. Porém, não devemos esquecer que outras motivações são também possíveis. Por 
exemplo, a modificação do peixe zebra mediante a introdução da sequência de codificação 
de uma GFP deu lugar à venda desses animais (GloFish) como animais de estimação 
exóticos; igualmente, apesar de ainda não haver AMG permitidos para uso alimentar 
humano, existem já bovinos que expressam proteínas recombinantes e porcos transgênicos 
com maiores níveis de ácidos graxos insaturadosxxxii. 
A criação de animais modificados geneticamente traz consigo algumas preocupações 
relacionadas ao bem-estar dos animais. Assim, questiona-se se os procedimentos para a 
obtenção desses animais não são excessivamente invasivos, podendo ter consequências 
imprevisíveis que afetem à própria manutenção dos animais (caso de fenótipos severos) ou 
se esses procedimentos exigem a morte de um número incalculável de animais em estágios 
embrionáriosxxxiii. 
Além disso, a manipulação genética levanta também outra série de preocupações 
mais básicas. Do ponto de vista utilitarista, cabe perguntar se o prejuízo pela transformação 
dos animais está compensado pelo benefício obtido. A maioria concordaria com a utilidade 
de modificar o genoma de alguns animais se isso beneficiasse a saúde da sociedade humana; 
GloFish é o nome comercial da variedade fluorescente 
geneticamente modificada do peixe ornamental Danio rerio, 
conhecido no Brasil como paulistinha, [...] este é o primeiro 
animal geneticamente modificado publicamente disponível 
como animal de estimação. 
[...] 
A venda ou posse destes peixes é ilegal na Califórnia devido a 
uma legislação que restringe a comercialização de qualquer 
peixe geneticamente modificado. 
O Canadá também proíbe a importação ou a venda destes 
peixes, devido à falta de informações suficientes para a tomada 
de uma decisão quanto à segurança do uso deste OGMs. 
A importação, venda e posse destes peixes também são 
proibidas na União Europeia.

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