A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
48 pág.
Bioética Animal e Meioambiental

Pré-visualização | Página 7 de 11

Allworth. 
Fonte: https://medium.com/live-your-life-
on-purpose/shameless-food-labeling-is-a-
problem-8aed70752770 
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/26264020/
https://medium.com/live-your-life-on-purpose/shameless-food-labeling-is-a-problem-8aed70752770
https://medium.com/live-your-life-on-purpose/shameless-food-labeling-is-a-problem-8aed70752770
https://medium.com/live-your-life-on-purpose/shameless-food-labeling-is-a-problem-8aed70752770
 
 
2.2.1 PMGs e Ética 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O primeiro dos pontos, a moralidade dos cultivos de PMG, é talvez o que mais 
puramente corresponde a um debate ético. 
Do ponto de vista do consequencialismo/utilitarismo, os cultivos de PMG deveriam 
ser aceitos e até favorecidos se realmente supõem um benefício para a humanidade em 
termos econômicos, sociais ou de saúde. Somente se houvesse desvantagens importantes 
que pudessem contrariar os benefícios (problemas de segurança ambiental ou de outro 
tipo), seria válido se opor. Como nos casos anteriores, o valor que demos aos problemas 
frente aos benefícios pode fazer com que o balanço caia para um lado ou outro. Por 
exemplo, quão importante é uma probabilidade de 0,0000001 de contaminação do teosinto, 
uma planta selvagem raramente encontrada no Brasil, com o transgene do milho Bt frente a 
uma poupança de milhões de reais em pesticidas?lii 
Do ponto de vista da ética da autonomia e do consentimento, bem cedo 
encontramos controvérsias. Essa escola de pensamento sustenta que temos direito a decidir 
sobre as questões que nos atingem diretamente. Porém, quem tem um direito maior? O 
agricultor, quando escolhe PMG para evitar exposição a pesticidas, ou o consumidor, 
quando escolhe não comer PMG? Essa controvérsia e outras parecidas serão tratadas mais à 
frente quando falarmos sobre as controvérsias em torno dos direitos dos consumidoresliii. 
Do ponto de vista da ética da virtude, de forma similar ao utilitarismo, vamos 
procurar um balanço positivo, mas, neste caso, de virtude, e não de benefício. A dificuldade 
“A novel weed has recently emerged, 
causing serious agronomic damage in one of 
the most important maize-growing regions 
of Western Europe, the Northern Provinces 
of Spain. The weed has morphological 
similarities to a wild relative of maize and 
has generally been referred to as teosinte. 
[…] 
We infer that Spanish teosinte is of admixed 
origin, most likely involving Zea mays ssp. 
Mexicana as one parental taxon, and an 
unidentified cultivated maize variety as the 
other.” 
Trtikova et al. (2017) Teosinte in Europe – 
Searching for the Origin of a New Weed Sci. Rep. 
7: 1560. 
Disponível em: 
https://www.nature.com/articles/s41598-017-
01478-w 
 
 
A preocupação sobre a possibilidade de espalhar 
genes estranhos no meio ambiente está baseada em 
fenômenos reais, porém, raros, de hibridação de 
espécies relacionadas. O caso acima ilustra a 
descoberta no campo espanhol de híbridos de 
teosinto (o antecessor do milho e uma espécie 
invasora na Espanha) com milho comercial. 
Figura 19 – Milho espanhol, teosinte espanhol e 
híbrido. 
Fonte: https://www.nature.com/articles/s41598-
017-01478-w 
https://www.nature.com/articles/s41598-017-01478-w
https://www.nature.com/articles/s41598-017-01478-w
https://www.nature.com/articles/s41598-017-01478-w
https://www.nature.com/articles/s41598-017-01478-w
 
 
aqui será determinar o que é virtuoso. Assim, o respeito pelas plantas pode ser considerado 
uma virtude, mas, como falado anteriormente, as plantas não têm valor moral, talvez apenas 
um status moral. Neste marco, incluem-se também as discussões sobre se estamos 
ultrapassando os limites do que é ético quando modificamos uma espécie (conceito do 
Hubris ou, mais popularmente, “brincar de ser Deus”). Neste caso, os partidários 
argumentam que a agricultura é uma tecnologia, não um ecossistema naturalliv. 
 
 
2.2.2 Debates sobre as PMGs 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Além do debate ético, existem inúmeras controvérsias em torno das PMGs. Vamos 
ver apenas algumas delaslv: 
• Debate sobre a justiça. Por um lado, argumenta-se que os cultivos de PMG podem 
ajudar a alimentar uma população faminta ou, em outros casos, ajudar na nutrição 
correta dos humanos (caso do arroz dourado que ajuda corrigir dietas pobres em 
vitamina A); por outro, acredita-se que o aceite de PMGs sob essas razões abriria a 
porta para todos os PMGs. Também relacionado à justiça, argumenta-se que as 
companhias como Monsanto obrigam os agricultores a não guardarem parte da 
colheita para usar como semente nos próximos anos. Isso vai contra o princípio de 
justiça e os usos tradicionais. Por outro lado, não veem inconvenientes na venda e no 
uso de sementes que produzem indivíduos híbridos, e consequentemente, por 
segregação, os indivíduos da segunda geração nunca são iguais aos parentais, o que 
torna inviável esse costume de guardar parte da colheita para semente. 
• Direito dos consumidores à escolha livre. Em defesa dos consumidores e de seu 
direito de escolher livremente se querem ou não consumir produtos com PMG, 
“Gilles-Éric Séralini, cientista da Universidade de Caen 
(França) e autor principal de um controverso artigo que, 
supostamente, associava o cancro ao consumo de 
organismos geneticamente modificados (OGM) – mais 
precisamente de cereais transgénicos –, não parece estar 
interessado em tratar seriamente do assunto. Está 
convencido de que tem razão – e disposto a adoptar uma 
posição nada científica para ter a última palavra. 
A prova disso: a saga do artigo assinado por ele e a sua 
equipa, que foi publicado, em 2012, numa revista científica; 
retirado de publicação, em 2013, pela própria revista e 
devido a diversas falhas graves; e, apesar de tudo, tornado a 
publicar há dias, numa outra revista. Só que, desta vez, sem 
passar por qualquer crivo científico de avaliação – e sem 
qualquer novo resultado que venha agora demonstrar a 
justeza das conclusões iniciais dos seus autores.” 
 
Diário Público; Ana Gerschenfeld, 4 de Julho de 2014 
 
https://www.publico.pt/2014/07/04/ciencia/noticia/ogm-quando-
os-cientistas-se-esquecem-de-fazer-ciencia-1661471 
 
Figura 20 – Primeira página do 
artigo Séralini et al. (2012) Food and 
Chemical Toxicology 50: 4221-4231. 
Fonte: 
https://reader.elsevier.com/reader/
sd/pii/S0278691512005637?token=
B6A846B4843A2A2A4B9644A6696A
7DEDE966464734A7221482A61B32
3C91298A6581AF932CE5C35E8CD2
7D304919FA41 
https://www.publico.pt/2014/07/04/ciencia/noticia/ogm-quando-os-cientistas-se-esquecem-de-fazer-ciencia-1661471
https://www.publico.pt/2014/07/04/ciencia/noticia/ogm-quando-os-cientistas-se-esquecem-de-fazer-ciencia-1661471
 
 
exige-se a etiquetagem de todos os produtos que possam ter traços destas. Contudo, 
o nível de informação sobre os perigos reais do consumo de alimentos com PMG é 
muito limitado, e abundam as desinformações. Assim, não é estranho ouvir pessoas 
formadas falarem “eu não vou comer esses tomates, porque tem um gene, e isso é 
perigoso para a saúde”. 
• Contenção e modificação do meio ambiente. Argumenta-se que não há dados 
suficientes para se ter certeza de que o pólen das PMG num cultivo não pode 
fertilizar outras plantas no entorno e, com isso, espalhar a modificação genética para 
o meio ambiente. Exige-se, nesta situação, que se aplique o princípio de cautela e a 
proibição das PMG até se terem dados suficientes. 
Paralelamente a essas controvérsias, há inúmeros exemplos de fake news, pesquisas 
tendenciosas e paracientíficas e preconceitos que são impulsionados pelos interesses 
políticos e econômicos e por medos populares. Tudo isso faz com que o debate sobre as 
PMG esteja vivo e gritante, com posições radicais frequentemente. 
 
 
 
 
2.3 Microrganismos, Genética e Biotecnologia 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Nos anos 1970, com o início das técnicas de biologia molecular,

Crie agora seu perfil grátis para visualizar sem restrições.