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Noções de Odontologia - Aula 3

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Aula 03
Noções de Odontologia Legal p/ ITEP-RN (Nível Médio e Superior)
Professor: Alexandre Herculano
 Noções de Odontologia Legal p/ ITEP-RN 
Parte Específica - Teoria e Exercícios 
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Aula 03 - Perícia odontológica na esfera penal. 
 
SUMÁRIO PÁGINA 
1. Introdução 1 
2. Perícia odontológica na esfera penal 4 
3. Questões propostas 26 
4. Questões comentadas 33 
5. Gabaritos 48 
 
Olá, meus amigos! 
Então, hoje, vou abordar o seguinte tópico do edital: Perícia 
odontológica na esfera penal. 
Esta parte, alguns examinadores cobram, também, dentro de 
Medicina Legal. 
 
 
 Introdução 
 
 Segundo a doutrina “todo procedimento médico (exames clínicos, 
laboratoriais, necroscopia, exumação) promovido por autoridade policial 
ou judiciária, praticado por profissional de Medicina visando prestar 
esclarecimentos à Justiça, denomina-se perícia ou diligência médico-
legal”. 
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 Perícias são diligências que possuem a finalidade de estabelecer a 
veracidade ou a falsidade de situações, fatos ou acontecimentos, de 
interesse da justiça por meio de provas. São verificações (análises) de 
todo o vestígio de uma infração, cabe lembrar aqui, que vestígio e 
indícios não são sinônimos, ok? Qualquer marca, fato, sinal que seja 
detectado em local onde tenha sido praticado fato delituoso é, em tese, 
um vestígio. Agora, após esse ser devidamente analisado, interpretado e 
associado com os exames laboratoriais e dados da investigação policial 
daquele fato, enquadrando-se em toda sua moldura, tiver 
estabelecida sua inequívoca relação com o fato delituoso e com as 
pessoas com esse relacionadas, aí ele terá se transformado em um 
indício. 
 Seguindo pessoal, é de suma importância vocês saberem que o 
Código de Processo Penal, diz que sempre que uma infração deixar 
vestígios é indispensável o exame de corpo de delito, direto ou indireto, 
não podendo suprimi-lo a confissão do acusado. As perícias devem ser 
realizadas por peritos oficiais, portadores de diploma de curso 
superior e que na falta de perito oficial, o exame deve ser feito por 
duas pessoas idôneas portadoras de diploma de curso superior e de 
preferência na área específica, dentre as que tiverem habilitação técnica 
relacionada com a natureza do exame. E, caso tenha desaparecido os 
vestígios, o exame não poderá ser realizado, contudo a prova 
testemunhal poderá suprir a falta daquele. 
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 Então, uma perícia pode ser realizada direta e indiretamente. O 
exame direto é aquele feito pessoalmente pelo perito sobre o 
objeto a ser examinado. Já o indireto é feito sobre documentos ou 
outros elementos que se refiram ao objeto a ser analisado, ou, 
ainda, que guardem relação com ele. 
 As perícias se materializam por meio dos laudos periciais, mais a 
frente eu vou falar sobre documentos legais, são muito cobrados nos 
concursos - os laudos são constituídos de peça escrita, contendo a 
descrição minuciosa do que foi examinado, as respostas aos quesitos 
formulados, além de outras provas. É importante também saber, que 
quando existir divergências entre dois peritos a respeito da 
mesma matéria, a perícia é denominada contraditória; sendo assim, 
o magistrado pode aceitar o que julgar conveniente ou nomear um 
terceiro perito. 
 Assim, faz-se necessário estudarmos uma parte do Código de 
Processo Penal, o qual contemplou um conjunto de regras que 
regulamentam a produção de provas no âmbito do processo criminal. 
Dessa forma, estabeleceu normas gerais relacionadas aos requisitos a 
serem utilizados pelo magistrado na valoração dos elementos de 
convicção carregados ao processo e ao ônus probante, bem como 
disciplinou determinados meios específicos de prova, ou seja, 
elementos trazidos ao processo capazes de orientar o juiz na busca da 
verdade dos fatos. 
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 Muito importante para sua prova e para o entendimento desta 
aula é o conceito e finalidade da prova. Vejamos o que diz o grande 
mestre Guilherme de Souza Nucci: 
 “Prova é o conjunto de elementos produzidos pelas partes ou 
determinados pelo juiz visando à formação do convencimento quanto a 
atos, fatos e circunstâncias, assim, o termo prova deriva do latim 
probatio, que significa ensaio, verificação, inspeção, exame, argumento, 
razão, aprovação ou confirmação” 
 No processo penal, a produção da prova objetiva auxiliar na 
formação do convencimento do juiz quanto à veracidade das afirmações 
das partes em juízo. Não se destina, portanto, às partes que a produzem 
ou requerem, mas ao magistrado, possibilitando, destarte, o julgamento 
de procedência ou improcedência da ação penal. 
 
 Perícia odontológica na esfera penal 
 
 Então, nessa aula vou explorar os artigos do CPP, que abordam a 
legalidade das perícias e peritos. Iniciando, vejamos o artigo 158 do CPP: 
 
“Art. 158. Quando a infração deixar vestígios será 
indispensável o exame de corpo de delito, direto ou 
indireto, não podendo supri-lo a confissão do acusado.” 
 
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 Pessoal, o exame de corpo de delito compreende-se a perícia 
destinada à comprovação da materialidade das infrações que deixam 
vestígios (Ex: lesões corporais, furto qualificado pelo arrombamento, 
dano etc.). A própria nomenclatura utilizada – corpo de delito – sugere 
o objetivo dessa perícia. Assim, não se pode falar em exame de corpo de 
delito quando ausente um vestígio em consequência da prática delituosa. 
Observe-se que o referido art. 158 refere-se a exame de corpo de delito 
direto e indireto. Assim, considera-se direto quando realizado pelo expert 
diante do vestígio deixado pela infração penal, por exemplo, a necropsia 
no cadáver. Por outro lado, o exame indireto é aquele realizado com 
base em informações verossímeis fornecidas aos peritos quando não 
dispuserem estes do vestígio deixado pelo delito. Imagine-se um delito de 
estupro, sendo submetida a vítima à perícia de conjunção carnal ocorrida 
um mês antes. Não mais sendo constatado o vestígio em face do tempo 
decorrido, poderão os experts elaborar laudo indireto, a partir, por 
exemplo, de atestado do médico particular da vítima que a tenha 
examinado logo após a ocorrência. Nesse caso, o laudo indireto limitar-
se-á a um juízo de compatibilidade, vale dizer, a afirmar que a realidade 
constatada é compatível com as referências constantes no documento que 
lhes foi apresentado. 
 É muito comum, na doutrina, a confusão entre o exame de corpo 
de delito indireto e a possibilidade de suprimento da perícia pela prova 
testemunhal em razão do desaparecimento do vestígio. É que, apesar da 
obrigatoriedade da perícia determinada pelo art. 158 quando se tratar de 
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