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ANEMIA CARENCIAL: FERROPÊNICA/FERROPRIVA

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Ádila Cristie Matos Martins 	 	 	 Hematologia
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ANEMIAS CARENCIAIS 
- As anemias carenciais são um grupo de anemias caracterizadas por apresentar 
carência de elementos fundamentais para a eritropoese: ferro, vitamina B12 ou 
folato 
- Pode ser observada, especialmente, em crianças, mulheres em idade fértil, 
populações carentes e associada a doenças que cursam com má absorção de 
nutrientes
CAUSA COMUM EM CADA FAIXA ETÁRIA
* Nos recém-nascido, a alimentação inadequada é a principal causa
* No pré-escolar (1 a 6 anos), além da dieta inadequada, a verminose apresenta 
causa comum
* A incidência anemia carencial nas mulheres jovens e adultas é maior que nos 
homens. Associa-se a hemorragia menstrual e lactação — sendo a maior causa 
de desequilíbrio entre a produção de hemácias e a necessidade de ingesta 
* Nos adultos e idosos, alem da carência alimentar, a perda sanguínea digestiva 
(hérnia de hiato, úlceras, gastrite ou hemorróidas) são causas comuns
- A ingestão frequente de álcool pode levar à anemia por inibir a absorção de 
alguns elementos nutritivos 
- Os SINTOMAS podem ser divididos em: hipóxia tecidual e mecanismos 
compensatórios
- O tratamento é: tratar as causas, correção nutricional e reposição dos elementos 
carentes 
ANEMIA: queda anormal dos níveis de Hb/Ht do sangue, com a consequente 
redução da capacidade de transporte de oxigênio aos tecidos (hipóxia tecidual)
Anemia ferropênica 
Resultante de deficiência de FERRO
- É uma das doenças mais frequentes no mundo, já que a deficiência de ferro é uma 
das deficiências nutricionais mais prevalentes
- É associada à redução da capacidade de trabalho em adultos e ao retardo no 
desenvolvimento mental e motor da criança
- É a principal causa de anemia MICROCÍTICA e HIPOCRÔMICA
- Em indivíduos normais, o conteúdo corpóreo total de ferro é mantido dentro de 
limites estreitos, sendo as perdas repostas pela dieta
- O organismo perde em média 1 mg de ferro/dia pela descamação celular, pois 
não há via ativa de excreção de ferro. As mulheres em idade reprodutiva têm 
perdas maiores em razão da menstruação e da gravidez
- A dieta ocidental normal fornece aproximadamente 10-15 mg de ferro/dia, dos 
quais 5 a 10% são absorvidos no intestino delgado proximal, principalmente no 
duodeno. Nos estados de sobrecarga de ferro, a absorção diminui e, quando 
ocorre depleção de ferro, a absorção aumenta
- O ferro da dieta está disponível em duas formas: o ferro heme, presente nas 
carnes, e o ferro não heme, presente em vegetais e outros alimentos de consumo 
cotidiano. O ferro mais bem absorvido é o heme (10-20%), que praticamente não 
sofre interferência de fatores facilitadores ou inibidores. Ligado a uma molécula 
proteica, onde há receptores nos enterocitos para absorve-los
- Molécula responsável pela absorção de ferro = ferroportina (membrana luminal 
dos enterócitos)
- O principal componente da dieta é o ferro não heme (1-5%), cuja 
biodisponibilidade requer digestão ácida e sofre interferência de vários fatores 
facilitadores, como o ácido ascórbico e a carne, e de inibidores, como o cálcio, as 
fibras, o vinho e os polifenóis presentes no chá e no café. Como não estão 
ligados, podem se ligar (sulfatos, fosfatos) — impedindo sua absorção 
- O conteúdo de ferro no organismo de um homem adulto bem nutrido e saudável 
é aproximadamente 50 mg/kg e de uma mulher adulta, 35 mg/kg
- O ferro circulante corresponde a aproximadamente 0,1% do conteúdo corpóreo
- O ferro circula ligado a uma proteína transportadora, a transferrina. As formas de 
estoque (ferritina e hemossiderina) constituem aproximadamente 30% do ferro 
total, sendo aproximadamente 1 g no homem adulto
EPIDEMIOLOGIA 
- De acordo com a OMS, anemia é um problema de saúde pública global, que afeta 
o estado de saúde, a capacidade laborativa e a qualidade de vida de cerca de 2 
bilhões de pessoas, cerca de um terço da população mundial
- A deficiência de ferro (DF) é responsável por 75% de todos os casos de anemia 
Ádila Cristie Matos Martins 	 	 	 Hematologia
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- Estima-se a prevalência de DF em até 45% das crianças até cinco anos de idade, e 
de até 50% nas mulheres em idade reprodutiva
- Cerca de 500 milhões de mulheres e até 60% de gestantes apresentam anemia por 
Deficiência de Ferro (ADF), com resultados negativos na qualidade de vida, no feto 
e no lactente
- Tanto em países subdesenvolvidos quanto em países desenvolvidos, a DF advém 
principalmente de desigualdades sociais. É muito mais prevalente em estratos 
sociais mais baixos, nos grupos de menor renda, e na população menos educada. 
Esse dado deve ser considerado na proposição de medidas populacionais de 
profilaxia e tratamento 
ETIOLOGIA 
- A deficiência de ferro ocorre quando sua demanda é maior do que sua absorção
As principais causas de carência de ferro:
Também pode ser dividido em: fisiológicos, nutricionais ou patológicos
* 1mL de sangue contém cerca de 0,5mg de ferro, perdas de 3 a 4 mL/dia (1,5 a 2 mg 
de ferro) são suficientes para causar um balanço negativo de ferro (ex.: na menorragia 
3-4 e gravidez e lactação 2-5)
* Doadores habituais de sangue, especialmente mulheres, podem eventualmente 
sofrer depleção dos estoques de ferro, uma vez que 500mL de sangue doado 
representam uma perda de aproximadamente 250mg de ferro
* A dieta deficiente isolada não é causa frequente de carência de ferro, mas a sua 
associação com perdas excessivas ou com o aumento da demanda aumenta o risco 
de instalação de anemia
- As perdas gástricas são mais frequente em mulheres pós-menopausa e nos 
homens. Nos indivíduos acima de 65 anos, é relevante a associação entre 
neoplasia gastrintestinal e anemia ferropênica
- Deficiência de ferro também pode ser observada em corredores regulares, 
competitivos e de longa distância. Parecem fatores de perda a hemólise mecânica 
que pode acompanhar o exercício extenuante, resultando em hemoglobinúria, e a 
perda sanguínea nas fezes que, após uma corrida ou um treinamento intenso, pode 
variar de 2 a 7 mL/dia
- Outra causa é a diminuição da absorção
- A causa mais comum é a acloridria (ausência de ácido clorídrico no estômago)
- A acidez gástrica facilita a absorção de ferro não heme, estando tal absorção 
muito prejudicada nos indivíduos com gastrite atrófica
- As gastrectomias causam o mesmo efeito, sendo a diminuição da absorção 
agravada quando há também exclusão do trânsito pelo duodeno
- As cirurgias bariátricas também podem causar dificuldade de absorção de ferro
- Na doença celíaca, a deficiência de ferro ou a anemia ferropênica pode ser a 
primeira manifestação, na ausência de queixa de diarreia
- A infecção por H. pylori, com ou sem gastrite autoimune coexistente, tem sido 
implicada como causa de anemia ferropênica inexplicada ou resistente ao 
tratamento
GRUPOS DE RISCO 
QUADRO CLÍNICO 
- Instalação lenta e progressiva
- Deficiência de ferro pode gerar redução da capacidade funcional de vários 
sistemas orgânicos, estando associada à alteração do desenvolvimento motor e 
Perda de 
sangue*
- Perdas menstruais excessivas
- Doenças do TGI: varizes, hérnia de hiato, úlcera péptica, 
doenças inflamatórias intestinais, diverticulose, hemorroidas, 
câncer de estômago e intestino, angiodisplasia e telangiectasia 
hemorrágica familiar, ancilostomíase
- Doadores habituais de sangue*
- Outras: hemoglobinúria paroxística noturna e outras 
hemoglobinúrias, distúrbios da hemostasia, hematúria, 
hemoptise, epistaxe, perda nosocomial e sangramento 
autoinduzido, insuficiência renal crônica em hemodiálise, uso de 
anti-inflamatórios e anticoagulante