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ANEMIA CARENCIAL: FERROPÊNICA/FERROPRIVA

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Má absorção Doença celíaca, gastrite atrófica, gastrectomia, cirurgias bariátricas
Aumento 
fisiológico da 
demanda
Crescimento, gravidez e lactação
Dieta* Vegetarianos, baixa ingesta, crianças entre 6 meses e 2 anos, 
idosos 
Indeterminada Em 15 a 20% dos casos a causa não é esclarecida
- Crianças entre 6 meses e 2 anos
- Gestantes e lactantes
- Doadores regulares de sangue
- Atletas em treinamento
- Comunidades com baixa ingestão de 
ferro
Ádila Cristie Matos Martins 	 	 	 Hematologia
t
cognitivo em crianças, redução da produtividade no trabalho e problemas 
comportamentais, cognitivos e de aprendizado em adultos
- Em gestantes, aumenta o risco de prematuridade, baixo peso, sendo responsável 
por 18% das complicações no parto e morbidade materna 
Anamnese 
- Como a instalação da anemia decorrente de carência de ferro se instala de maneira 
insidiosa, o organismo se adapta e suporta, de forma praticamente assintomática, 
níveis muito baixos de hemoglobina 
- Os sintomas mais comuns, quando presentes, são relacionados à anemia. Fadiga 
(particularmente comum, presente inclusive na deficiência de ferro sem anemia), 
perda da capacidade de exercer as atividades habituais, irritabilidade, cefaleia, 
palpitações e dispneia aos esforços podem ocorrer. O desempenho muscular 
encontra-se prejudicado, assim como a capacidade de trabalho 
- Um sintoma peculiar é a perversão do apetite (pica), em que o paciente relata 
vontade de comer terra, reboco de parede, tijolo, gelo, arroz cru, alimentos 
crocantes, etc
- A deficiência de ferro é sempre secundária, portanto é fundamental investigar a 
causa básica para estabelecer o tratamento correto
- Nas crianças, é importante afastar condições adversas ao nascimento (parto 
gemelar, pre-maturidade, ordenha de cordão), assim como detalhar os hábitos 
alimentares, principalmente a partir dos 6 meses de idade
- Nas mulheres em idade reprodutiva, mesmo a principal causa a perda menstrual 
exagerada, nem sempre é fácil quantificar esta perda. Assim, o interrogatório 
cuidadoso auxilia. Deve incluir: número de absorventes utilizado por dia, a 
incapacidade de controlar o fluxo usando apenas absorventes, a presença e o 
tamanho de coágulos (maiores que 2 cm ou se persistirem mais do que 1 dia), o 
intervalo entre os ciclos e a duração deles, laqueadura prévia e uso de DIU (que 
aumentam as perdas). A história gestacional e os antecedentes obstétricos são 
informações relevantes
- Nas mulheres que não menstruam e nos homens, deve-se questionar perdas 
fecais, presença de hemorróidas, hábito intestinal, uso de medicamentos, 
especialmente anti-inflamatórios, antiagregantes e anticoagulantes, antecedentes 
mórbidos como cirurgias gástricas e anemia previamente tratada com ferro. 
Disfagia, anemia ferropênica e membrana no esôfago superior fazem parte da 
tríade clássica da síndrome de Plummer Vinson ou de Paterson Kelly
- Nos adultos, a caracterização dos hábitos alimentares tem importância, porque 
as pessoas com baixa ingestão de ferro heme, assim como os vegetarianos, têm 
estoques menores de ferro, sendo mais suscetíveis à instalação da anemia 
ferropênica na presença de aumento da demanda ou de perdas
Exame físico 
- Pode-se observar palidez cutaneomucosa
- A língua pode perder as papilas filiformes
- Nos casos de longa duração, pode haver queilite/estomatite angular, glossite e 
alterações ungueais (baqueteamento digital, estrias longitudinais e deformidades 
como unha em colher — coiloníquia)
- Nos casos associados à telangiectasia hemorrágica familiar (doença de Rendu 
Osler Weber), pode haver alterações características na pele e mucosas
DIAGNÓSTICO / exames COMPLEMENTARES 
Principais alterações laboratoriais encontradas nas anemias por deficiência de ferro:
* Hemacias em alvo, em forma de charuto — poiquilocitose (tardia) 
- Do ponto de vista fisiopatológico, é uma anemia por FALTA DE PRODUÇÃO, 
causada pela depleção de um dos elementos essenciais à eritropoese, no caso o 
Hemograma
- Anemia hipocrômica e microcítica
- ↓Hb, ↓VCM, ↓HCM, ↓CHCM, ↑RDW
* Anisocitose, poiquilocitose, hemácias em charuto, 
eliptócitos e reticulocitopenia ao exame microscópico
- Plaquetose — hiperestimulação da MO por compensação 
Perfil de ferro e 
ferritina sérica
↓do ferro sérico, ↑da capacidade total de ligação do ferro, 
↓saturação da transferrina, ↓ferritina sérica
Reticulócitos Reticulocitopenia (hipoproliferativa) ou normal
Queilite angular
Glossite
Coiloníquia
Ádila Cristie Matos Martins 	 	 	 Hematologia
t
ferro, portanto com número inapropriadamente baixo de reticulócitos para o grau 
de anemia
- A deficiência de ferro 
o c o r r e e m v á r i o s 
e s t á g i o s . A n t e s d a 
instalação da anemia, 
existe DEPLEÇÃO DOS 
ESTOQUES DE FERRO, 
caracterizada por níveis 
reduzidos de ferritina 
sérica (ferritina sérica ≤ 
12 ng/mL) seguida por 
aumento da capacidade 
total de ligação de ferro, 
diminuição da saturação da transferrina, aumento dos receptores solúveis da 
transferrina, eritropoese deficiente em ferro com o aparecimento de microcitose e, 
finalmente, queda da concentração de hemoglobina e anemia
- A redução da ferritina sérica é o melhor exame para comprovar deficiência de 
ferro. A concentração de ferritina na normal ou elevada, no entanto, não exclui 
carência, visto que a ferritina pode aumentar em doenças inflamatórias, infecciosas 
e neoplásicas e também após a ingestão de bebidas alcoólicas
- A dosagem sérica dos receptores da transferrina, um exame mais novo e ainda não 
adequadamente padronizado para uso na rotina, é inversamente relacionada à 
gravidade da deficiência de ferro e pode ser útil para distinguir deficiência de ferro 
de anemia das doenças crônicas
- Em situações de exceção, em que coexistem diferentes doenças e é importante a 
confirmação da ferropenia, pode ser necessária a realização de mielograma com 
coloração pelo azul da Prússia, para determinar a presença ou a ausência de ferro 
nos grumos do esfregaço de medula óssea. Para evitar resultados falso-negativos, 
o material analisado deve ser rico em grumos
- A avaliação dos estoques de ferro na medula óssea a partir da coloração do 
tecido medular pelo corante de Perls é considerada padrão-ouro no diagnóstico 
de DF. É exame invasivo, de reprodutibilidade e acurácia questionáveis, não tendo 
papel na prática clínica diária
- No mielograma observa-se hiperplasia eritroblástica com displasias morfológicas 
na DF moderada até hipoplasia das três linhagens da DF grave prolongada
- Após o diagnóstico laboratorial de anemia ferropênica, deve ser feita a investigação 
rigorosa de perdas, começando pelas mais comuns (ginecológicas e 
gastrintestinais)
- As perdas intestinais intermitentes podem ser difíceis de diagnosticar, e a pesquisa 
deve ser exaustiva
- Em uma coorte de indivíduos acima de 65 anos com anemia ferropênica, foi 
encontrada neoplasia gastrintestinal em 9% dos casos durante a investigação
- Nos casos associados a disfagia (síndrome de Plummer Vinson), a endoscopia 
digestiva alta revela a presença de pregas na mucosa esofágica, que podem 
eventualmente causar estreitamento do lúmen e obstruções de graus variados
- Na ausência de sintomas, métodos de triagem não invasivos podem ser úteis para 
pesquisa de doença celíaca (anticorpos antiendomísio e antigliadina), de gastrite 
atrófica autoimune (gastrina sérica, anticorpos anticélula parietal) e de infecção por 
H. pylori (teste respiratório da urease)
Ádila Cristie Matos Martins