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Isso porque a omissão que autoriza o acolhimento dos Embargos de Declaração é aquela que ocorre quando o julgador deixa de analisar algum fundamento invocado por uma das partes que possa influenciar diretamente no julgamento da lide. Fredie Didier Junior, lecionando acerca do tema, assevera:
“[...] considera-se omissa a decisão que não se manifestar: a) sobre um pedido; b) sobre argumentos relevantes lançados pelas partes (para o acolhimento do pedido, não é necessário o enfrentamento de todos os argumentos deduzidos pela parte, mas para o não acolhimento, sim, sob pena de ofensa à garantia do contraditório); c) sobre questões de ordem pública, que são apreciáveis de ofício pelo magistrado, tenham ou não tenham sido suscitadas pela parte.” (DIDIER JUNIOR; CUNHA. Curso de direito processual civil, v. 3, p. 200.).
Seguindo lições da doutrina: [...] considera-se omissa a decisão que não se manifestar: a) sobre um pedido; b) sobre os argumentos relevantes lançados pelas partes (para o acolhimento do pedido, não é necessário o enfrentamento de todos os argumentos deduzidos pela parte, mas para o não acolhimento, sim, sob pena de ofensa à garantia do contraditório); c) ausência de questões de ordem pública, que são apreciáveis de ofício pelo magistrado, tenham ou não tenham sido suscitadas pela parte¿. (Fredie Didier Jr. e Leonardo José Carneiro da Cunha, Curso de Direito Processual Civil, vol. 3, 8ª ed., 2010, p. 181).
DIDIER JUNIOR, Fredie; CUNHA, Leonardo José Carneiro da. Curso de direito processual civil. 11. ed. Salvador: JusPodivm, 2013. v. 3 - Meios de impugnação às decisões judiciais e processo nos tribunais.
DIDIER JUNIOR, Fredie; CUNHA, Leonardo Carneiro da. Curso de direito processual civil - v. 3: meios de impugnação às decisões judiciais e processo nos tribunais. 14. ed. Salvador: JusPODIVM, 2017. 832 p.
“A sentença proferida no âmbito dos Juizados Especiais também deve, evidentemente, observar o disposto no art. 489 do CPC. Noutros termos, o § 1° do art. 489 do CPC é aplicável nos Juizados Especiais'. Logo, não atendido o dispositivo, há omissão, sanável por embargos de declaração.”
A decisão será, então, omissa quando alguma proposição faltante tiver nela inserida, e portanto, tiver que ser reaberto o julgamento, a fim que seja preenchida a lacuna nela existente. Segundo o jurista Freddy Didier Jr considera-se omissa a decisão;
Que não se manifestar-se sobre a) Um pedido; b) sobre argumentos relevantes lançados pela parte (para o acolhimento do pedido, não é necessário o enfretamento de todos os argumentos deduzidos pela parte, mas para o não acolhimento, sim, sob pena de ofensa a garantia do contraditório) c) sobre questões de ordem pública, que não são apreciáveis de oficio, pelo magistrado, tenham ou não tenham sidos suscitadas pela parte.
“CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. SENTENÇA CITRA PETITA. NULIDADE. PRELIMINAR ACOLHIDA. CAUSA MADURA. JULGAMENTO NOS TERMOS DO ART. 515, § 3º, DO CPC. DECLARAÇÃO DE INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO JURÍDICA. CONTA EM NOME DA PESSOA JURÍDICA. ILEGITIMIDADE ATIVA DOS SÓCIOS. PEDIDO DE REPARAÇÃO. LEGITIMIDADE DA PARTE AUTORA. TEORIA DA ASSERÇÃO. DANO MORAL. PESSOA JURÍDICA. NÃO CONFIGURAÇÃO. HONRA OBJETIVA NÃO AFETADA. TRATAMENTO VEXATÓRIO NA AGÊNCIA. EXERCÍCIO REGULAR DE DIREITO. EXCESSO. RESPONSABILIDADE CIVIL CONFIGURADA. DENUNCIAÇÃO À LIDE. IMPROCEDÊNCIA. 1- O magistrado, ao proferir a sentença, deve consignar em seu dispositivo respostas às questões submetidas pela parte, de acordo com a dicção do art. 458, III, do estatuto processual civil. É a aplicação do brocardo sententia debet esse conformis libello. Na hipótese em análise, o Juízo de primeiro grau não apreciou o pedido de declaração de inexistência de relação jurídica o que configura julgamento citra petita. 2- Anulada a sentença de primeiro grau e estando a causa madura para o julgamento, cabível a apreciação do mérito da demanda por esta Corte, com espeque no art. 515, § 3, do CPC e em observância ao princípio da celeridade processual. 3- A lide foi proposta por três autores, a pessoa jurídica, titular da conta, e seus dois sócios e versa sobre dois pedidos distintos: declaração de inexistência de relação jurídica decorrente do contrato de abertura de conta corrente nº.1027-5 e a reparação dos danos morais. 4- Quanto ao primeiro pedido, inafastável a conclusão de que somente a pessoa jurídica em nome de quem a conta corrente foi aberta possui legitimidade ativa para discutir sua regularidade, sob pena de afronta ao art. 6º, do CPC. 5- Considerando o teor da tese autoral, de rigor o reconhecimento de que os requerentes são parte legítima na presente demanda, uma vez que a questão acerca de seu efetivo prejuízo moral se confunde com o mérito e com ele deverá ser analisada. É a aplicação da Teoria da Asserção. 6- A empresa autora faz jus à declaração de inexistência de relação jurídica decorrente da abertura da conta nº. 1.027-5 na agência 1206 da Caixa Econômica Federal, eis que restou incontroversa nos autos a fraude perpetrada pelo litisdenunciado Cláudio Alves Simões, que falsificou a assinatura dos sócios da autora para abrir a referida conta e contratar diversos empréstimos em nome desta. 7- Nos termos da Súmula 227, do C. STJ, "a pessoa jurídica pode sofrer dano moral". No entanto, como é cediço, a pessoa jurídica não pode ser ofendida subjetivamente, "o chamado dano moral que se lhe pode afligir é a repercussão negativa sobre sua imagem" (REsp 752.672, Rel. Min. Humberto Gomes de Barros, DJ 29/10/2007). 8- A conta corrente aberta mediante falsificação das assinaturas dos sócios da empresa sempre teve saldo positivo, desde a abertura em 06/06/2003, e os três contratos de empréstimo vinculados à conta vinham sendo adimplidos regular e tempestivamente. Assim, considerando a peculiaridade da moldura fática dos autos, não é possível extrair o alegado prejuízo à imagem da empresa autora, eis que internamente, na instituição financeira, suas obrigações sempre foram adimplidas pontualmente e, por conseguinte, não teve seu nome incluído em qualquer cadastro de proteção ao crédito. 9- Se a abertura irregular da conta corrente não é suficiente para abalar moralmente a pessoa jurídica, que poderia, de fato, ter sua imagem maculada, quanto menos poderá acarretar prejuízo moral aos sócios. 10- A co- autora Sueli não esteve na agência na data dos fatos, assim, o suposto excesso havido pelos prepostos da CEF não tem o condão de gerar prejuízo na esfera moral da requerente. 11- O fato de ter sido acionada a polícia para apuração dos fatos, constituiu exercício regular de direito da ré. Todavia, dos depoimentos colhidos em Juízo confirmam excesso na conduta dos prepostos da CEF, que não se limitaram a solicitar a presença da autoridade policial, mas efetivamente trataram o requerente como se estelionatário fosse, expondo-o à situação vexatória, na presença de outros clientes da agência. 12- A indenização por dano moral possui caráter dúplice, tanto punitivo do agente quanto compensatório em relação à vítima da lesão, devendo esta receber uma soma que lhe compense a dor e a humilhação sofrida, a ser arbitrada segundo as circunstâncias, uma vez que não deve ser fonte de enriquecimento, nem por outro lado ser inexpressiva. 13- Verba indenizatória por danos morais fixada em R$ 5.000,00 (cinco mil reais), consideradas as circunstâncias do caso, bem como a extensão do dano. 14- Juros de mora desde o evento danoso, pela taxa SELIC, afastada sua cumulação com índices de correção monetária, sob pena de bis in idem. Precedentes: REsp 1102552/CE, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Seção, DJe 06/04/2009, Resp - EDcl 853.915, 1ª Turma, Min. Denise Arruda, DJ de 24.09.08; Resp 926.140, Min. Luiz Fux, DJ de 15.05.08; REsp 1008203, 2ª Turma, Min. Castro Meira, DJ 12.08.08; REsp 875.093, 2ª Turma, Min. Eliana Calmon, DJ de 08.08.08. 15- Denunciação à lide julgada improcedente, uma vez que o dano moral experimentado pelo autor decorreu da conduta dos prepostos da CEF que o atenderam na data dos fatos, a qual não decorre