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Ebook 2021 - Lei Maria da Penha - Manual Caseiro - gratuito

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Com o passar do tempo foi elaborada a Convenção sobre a eliminação de todas as 
formas de discriminação contra as mulheres, que foi promulgada pelo Decreto 26/94. 
Alguns anos depois, outras convenções foram realizadas, como, por exemplo, no ano de 1980, 
em que houve uma convenção realizada em Copenhague (Dinamarca), conhecida como a segunda 
conferência mundial sobre a mulher. 
Mais tarde, mediante uma nova conferência (conhecida como terceira conferência mundial 
sobre a mulher), realizada em 1985 no Quênia na cidade de Nairóbi. 
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No plano interamericano, podemos destacar a convenção de Belém do Pará celebrada no ano 
de 1994, visando prevenir e erradicar a violência doméstica. Essa convenção foi incorporada ao 
ordenamento pátrio pelo Decreto 1.973/96. 
Esse fenômeno é chamado pela doutrina de processo de especificação do sujeito do direito, 
conforme já apontado no item “1” de nosso material “contexto histórico”. 
Diante do exposto, contemplamos que a Lei n° 11.340/06 foi criada não apenas para atender ao 
disposto no art. 226, § 8°, da Constituição Federal, segundo o qual “o Estado assegurará a assistência 
à família na pessoa de cada um dos que a integram, criando mecanismos para coibir a violência no 
âmbito de suas relações”, mas também de modo a dar cumprimento a diversos tratados internacionais 
ratificados pela República Federativa do Brasil. 
 
4. Objetivo da Lei Maria da Penha 
A Lei Maria da Penha não possui conteúdo/natureza penal estritamente, uma vez que ela não 
prevê tipos penais que configurem violência doméstica e familiar contra a mulher. Em verdade, esta 
lei tem conteúdo processual penal (arts. 12, 15, 18, 19, 20, entre outros), mas, também trata de 
questões ligadas ao direito civil (arts. 23, 24, 25, ente outros). Assim, pode-se dizer que a lei tem 
conteúdo misto. 
Cumpre destacarmos, mais uma vez, o art. 24-A da Lei Maria da Penha nos trouxe um novo 
cenário, posto que agora temos um tipo penal na lei, que consiste no descumprimento de medida 
protetiva de urgência. 
Candidato, qual a finalidade da Lei Maria da Penha? 
Art. 1º Esta Lei cria mecanismos para coibir e prevenir a violência doméstica e familiar contra a 
mulher, nos termos do § 8º do art. 226 da Constituição Federal, da Convenção sobre a Eliminação 
de Todas as Formas de Violência contra a Mulher, da Convenção Interamericana para Prevenir, 
Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher e de outros tratados internacionais ratificados pela 
República Federativa do Brasil; dispõe sobre a criação dos Juizados de Violência Doméstica e 
Familiar contra a Mulher; e estabelece medidas de assistência e proteção às mulheres em 
situação de violência doméstica e familiar. 
 
Desse modo, temos: 
• 1º Finalidade à Coibir e prevenir a violência doméstica e familiar contra MULHER. 
• 2º Finalidade à Criação dos Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a mulher. 
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O juizado mencionado, não se confunde com os Juizados Especiais Criminais criados pela Lei 
nº 9.099 de 95. Ademais, a Lei Maria da Penha ao teor do art. 41 disciplina a vedação da incidência da 
Lei dos Juizados no caso de aplicação da Lei Maria da Penha. 
Art. 41. Aos crimes praticados com violência doméstica e familiar contra a mulher, 
independentemente da pena prevista, não se aplica a Lei no 9.099, de 26 de setembro de 
1995. 
 
• 3º Finalidade à Estabelecer medidas de assistência. 
• 4º finalidade àEstabelecer medidas de proteção as mulheres em situação de violência doméstica. 
A primeira finalidade da legislação em estudo consiste em coibir e prevenir a violência doméstica 
e familiar contra mulher, trata-se em verdade, de uma medida de política criminal, e não restritamente do 
âmbito do direito penal. 
A Lei Maria da Penha, tem também por finalidade a criação dos juizados de violência doméstica e 
familiar contra mulher. 
No que diz respeito a essa finalidade, merece nossa atenção a questão da expressão “Juizados”, isto 
porque não se refere àquele previsto na Lei nº 9.099/95, a qual, inclusive, não deve ser aplicada nos casos 
de violência doméstica, mas criação de varas especializadas para tratar da violência doméstica e familiar. 
 
Os juizados de violência doméstica e familiar contra mulher não se confundem com os juizados 
especiais da Lei 9.099/95. 
Por fim, a lei tem por pretensão estabelecer medidas de assistência e proteção à mulher em situação 
de violência doméstica e familiar. 
No tocante a finalidade de estabelecer medidas de assistência e proteção à mulher, interessante 
trazermos o teor da Lei n. 13.894/2019, que altera o capítulo das medidas protetivas. 
Vejamos: 
Altera a Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006 (Lei Maria da Penha), para prever a competência 
dos Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher para a ação de divórcio, 
separação, anulação de casamento ou dissolução de união estável nos casos de violência e para 
tornar obrigatória a informação às vítimas acerca da possibilidade de os serviços de assistência 
judiciária ajuizarem as ações mencionadas; e altera a Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015 
(Código de Processo Civil), para prever a competência do foro do domicílio da vítima de 
violência doméstica e familiar para a ação de divórcio, separação judicial, anulação de casamento 
e reconhecimento da união estável a ser dissolvida, para determinar a intervenção obrigatória do 
Ministério Público nas ações de família em que figure como parte vítima de violência doméstica 
e familiar, e para estabelecer a prioridade de tramitação dos procedimentos judiciais em que 
figure como parte vítima de violência doméstica e familiar. 
 
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Desse modo, temos que são quatro as finalidades, nenhuma com ligação ao Direito Penal. 
 
Finalidades 
Coibir e Prevenir a Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher; 
Prestar assistência à mulher vítima de violência doméstica e familiar; 
Proteção para a Mulher Vítima; 
Criação dos Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher (não tem nada a ver com 
os Juizados da lei 9.099/95). 
 
5. Interpretação da Lei Maria da Penha 
 
Tendo em vista que a Lei Maria da Penha foi criada com a intenção de garantir maior proteção 
a mulher, ela deve ser interpretada nesse sentido. Nessa perspectiva vejamos o art. 4º: 
 
Art. 4º Na interpretação desta Lei, serão considerados os fins sociais a que ela se 
destina e, especialmente, as condições peculiares das mulheres em situação de 
violência doméstica e familiar. 
 
Corroborando ao exposto, Gabriel Habib (Leis Especiais – Vol. Único, pág. 823, 2016): 
O legislador determinou que a interpretação da presente lei atendesse aos fins a que 
ela se destina. Se a presente lei tem a finalidade de coibir a violência doméstica e 
familiar contra a mulher, os seus dispositivos devem ser interpretados de forma 
a melhor atender a essa finalidade. Na realidade, o legislador está a exigir do 
intérprete faça, em qualquer hipótese, a interpretação teleológica, que consiste na 
busca da finalidade da norma, ou seja, busca-se o que o legislador quis quando a 
elaborou. Trata-se de dispositivo desnecessário, uma vez que qualquer intérprete irá 
analisar as normas da presente lei com a interpretação voltada à proteção da mulher 
em situação de violência doméstica e familiar. 
 
6. Constitucionalidade da Lei Maria da Penha1 
 
 
1 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Constitucionalidade da Lei Maria da Penha. Buscador Dizer o Direito, Manaus. 
Disponível em: 
<https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/dfa92d8f817e5b08fcaafb50d03763cf>. Acesso em: 
21/05/2020 
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Candidato, essa distinção feita pela Lei Maria da Penha, manto de proteção dado a mais a 
vítima mulher, é considerado constitucional, é possível esse tratamento desigual no Ordenamento 
Jurídico Brasileiro? O STF decidiu que a lei maria da penha é constitucional