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Ebook 2021 - Lei Maria da Penha - Manual Caseiro - gratuito

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e tem por fundamento as 
chamadas ações afirmativas, em que o Estado fornece os instrumentos para garantir a um destinatário 
certo a igualdade prevista em lei. 
Vejamos: 
 
Constitucionalidade da Lei Maria da Penha 
O STF decidiu que a Lei nº 11.340/06 (“Lei Maria da Penha”) é constitucional. Confira 
as principais conclusões sobre o tema: 
• Não há violação do princípio constitucional da igualdade no fato de a Lei nº 
11.340/06 ser voltada apenas à proteção das mulheres. 
• O art. 33 da Lei Maria da Penha determina que, nos locais em que ainda não tiverem 
sido estruturados os Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, as 
varas criminais acumularão as competências cível e criminal para as causas 
decorrentes de violência doméstica e familiar contra a mulher. Essa previsão não 
ofende a competência dos Estados para disciplinarem a organização judiciária local. 
• Aos crimes praticados com violência doméstica e familiar contra a mulher não se 
aplica a Lei dos Juizados Especiais (Lei nº 9.099/95), mesmo que a pena seja menor 
que 2 anos. 
• Toda lesão corporal, ainda que de natureza leve ou culposa, praticada contra a mulher 
no âmbito das relações domésticas é crime de ação penal INCONDICIONADA. STF. 
Plenário. ADI 4424/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 9/2/2012. 
Lei é constitucional, sendo essa a corrente acolhida pelo Supremo Tribunal Federal. Para o 
Supremo Tribunal Federal, a Lei Maria da Penha é Constitucional, tratando-se em verdade de ação 
afirmativa do Estado. Trata-se de ação afirmativa pois fornece instrumentos para garantir a um 
destinatário certo a igualdade prevista em lei. 
Nessa esteira, em 2012 o STF julgou a constitucionalidade da Lei n° 11.340/06, que trata sobre 
violência doméstica, mais conhecida como Lei Maria da Penha (STF. Plenário. ADI4424/DF, rei. Min. 
Marco Aurélio, 9/2/2012). 
No sistema de proteção especial é possível termos destinatário certo, é o que acontece com a 
Lei Maria da Penha que tem como destinatário a “figura” da mulher. Além disso, esse sistema consagra 
a igualdade substancial – através de ações afirmativas, é o caso, por exemplo, da Lei Maria da Penha. 
 
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Ações afirmativas podem ser definidas como conjunto de ações, programas e políticas especiais 
e temporárias que buscam reduzir ou minimizar os efeitos intoleráveis da discriminação em razão de 
gênero, raça, sexo, religião, deficiência física, ou outro fator de desigualdade. Buscam incluir setores 
marginalizados num patamar satisfatório de oportunidades sociais, valendo-se de mecanismos 
compensatórios. Esses programas de ação afirmativa não se colocam em rota de colisão com o 
princípio da igualdade, potencializando, pelo contrário, expectativas compensatórias e de inserção 
social de parcelas historicamente marginalizadas. Destinam-se, pois, a equacionar distorções 
arraigadas ou minorar-lhes as consequências antissociais. 
 
Informativo 654 do STF - Não há violação do princípio constitucional da igualdade no fato de a Lei 
n. 11.340/06 ser voltada apenas à proteção das mulheres. 
Teorias/Correntes em sentido contrário 
1 Corrente 2 Corrente 3 Corrente 
Viola o art. 226, §5º, CF 
(isonomia na sociedade 
conjugal); “Os direitos e 
deveres da sociedade conjugal 
são exercidos igualmente pelo 
homem e pela mulher”. Assim, 
questiona-se: se são exercidos 
igualmente, como pode a Lei nº 
11.340 de 2006 tratá-los de 
forma desigual. 
Viola o art. 226, §8º, CF 
(proteção à família – 
imperativo de tutela); “O 
estado assegurará a assistência 
a família na pessoa de cada um 
dos que a integram (proteção 
integral: homem e mulher) 
criando mecanismos para 
coibir a violência no âmbito de 
suas relações”. Não poderia a 
Lei Maria da Penha se 
preocupar apenas com uma 
parte integrante da família, 
visto que seu dever é assegurar 
de modo geral. 
Lei Maria da Penha na 
contramão da historia: as leis 
tem sido alteradas para evitar 
discriminações contra pessoas 
em geral e a Lei Maria da Penha 
reforça a discriminação contra o 
homem). 
 
 Candidato, sabendo que o sujeito passivo da lei maria da penha deve ser mulher, é possível 
a incidência dessa lei para homens? O prof. Rogério Sanches explica que é possível aplicar as 
medidas protetivas da lei maria da penha para vítimas homens desde que sejam vulneráveis. Aplica-se 
apenas as medidas protetivas. Por homens vulneráveis, podemos exemplificar, crianças/ adolescentes, 
idosos, enfermos e deficientes. Lembre-se, aplica-se as medidas protetivas, mas não a lei, pois a lei 
maria da penha pressupõe a chamada violência de gênero. 
 Mas qual a compreensão de violência de gênero? para o Prof. Rogério Sanches é a violência 
preconceito, tendo como motivação a opressão à mulher fundamento de aplicação da Lei Maria da 
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Penha. Trata-se da violência que se vale da hipossuficiência da vítima mulher, discriminação quanto 
ao sexo feminino. 
 
7. Requisitos para aplicação da Lei 
 
a) Âmbito de aplicação 
Art. 5º Para os efeitos desta Lei, configura violência doméstica e familiar contra a mulher 
qualquer ação ou omissão baseada no gênero que lhe cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual 
ou psicológico e dano moral ou patrimonial: (Vide Lei complementar nº 150, de 2015). 
I - no âmbito da unidade doméstica, compreendida como o espaço de convívio permanente de 
pessoas, com ou sem vínculo familiar, inclusive as esporadicamente agregadas; 
 
 O legislador dispensou na presente hipótese (Art. 5º, I, Lei Maria da Penha), o vínculo familiar. 
Aplicando-se no espaço doméstico/casa. Destaca-se que o autor e a vítima têm que pertencer a mesma 
unidade doméstica, não sendo necessária que a violência praticada seja apenas física. A expressão 
“esporadicamente agregada” temos como mais comum exemplo a empregada doméstica, enquanto que 
a diarista pode ou não ser enquadrada nessa situação, o caso concreto será determinante para esse 
parâmetro, por exemplo a quantidade e a frequência que esta presta os serviços. 
 Cumpre observar que a Lei Complementar 150 de 2015 dispõe sobre contrato de trabalho 
doméstico: 
Art. 27. Considera-se justa causa para os efeitos desta Lei: 
Parágrafo único. O contrato de trabalho poderá ser rescindido por culpa do empregador quando: 
VII - o empregador praticar qualquer das formas de violência doméstica ou familiar contra 
mulheres de que trata o art. 5o da Lei no 11.340, de 7 de agosto de 2006. 
 O legislador reforça a possibilidade da empregada doméstica como parte vítima na Lei Maria 
da Penha. 
II - no âmbito da família, compreendida como a comunidade formada por indivíduos que são ou 
se consideram aparentados, unidos por laços naturais, por afinidade ou por vontade expressa. 
 Neste inciso exige-se que aconteça no âmbito do vínculo familiar, que seria por meio do laço 
natural (consanguíneo), a afinidade que é tratada pelo Código Civil como: sogro e genro por exemplo 
e a vontade expressa que seria o filho adotivo. 
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Nessa hipótese, o legislador exigiu o vínculo familiar, abrangendo-se, inclusive, os enteados, 
por exemplo. 
A forma de violência independe do local, isto é, a violência não precisa ser praticada no âmbito 
da unidade doméstica. Percebam ainda que esse inciso II não necessita de coabitação entre o agente e 
a vítima. Nesse sentido, vejamos o entendimento do STJ. 
 
STJ: “(...) CRIME DE AMEAÇA PRATICADO CONTRA IRMÃ DO RÉU. (...) Na 
espécie, apurou-se que o Réu foi à casa da vítima para ameaçá-la, ocasião em que provocou 
danos em seu carro ao atirar pedras. Após, foi constatado o envio rotineiro de mensagens 
pelo telefone celular com o claro intuito de intimidá-la e forçá-la a abrir mão "do controle 
financeiro da pensão recebida pela mãe" de ambos. Nesse contexto, inarredável concluir 
pela incidência da Lei n.º 11.340/06, tendo em vista o sofrimento psicológico em tese 
sofrido por mulher em âmbito familiar,