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Ebook 2021 - Lei Maria da Penha - Manual Caseiro - gratuito

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nos termos expressos do art. 5.º, inciso II, da 
mencionada legislação. Para a configuração de violência doméstica, basta que estejam 
presentes as hipóteses previstas no artigo 5º da Lei 11.343/2006 (Lei Maria da Penha), 
dentre as quais não se encontra a necessidade de coabitação entre autor e vítima. (5ª Turma, 
Resp 1.239.850/DF, Rel. Min. Laurita Vaz, j. 16/02/2012). 
 
Dispensa coabitação: exige o vínculo familiar (nessa hipótese específica) abrangendo os afins. 
Foi cobrado e considerado correto pela prova do TJ/RS que abrange relação padrasto/enteada (pois 
se consideram aparentados). 
 
Cumpre destacarmos que, não se pode acreditar que todo e qualquer crime envolvendo relação 
entre parentes possa dar ensejo à aplicação da Lei Maria da Penha. 
 
STJ: “(...) AMEAÇA. SOGRA E NORA. (...) A incidência da Lei n.º 11.340/2006 
reclama situação de violência praticada contra a mulher, em contexto caracterizado por 
relação de poder e submissão, praticada por homem ou mulher sobre mulher em 
situação de vulnerabilidade. Precedentes. No caso não se revela a presença dos 
requisitos cumulativos para a incidência da Lei n.º 11.340/06, a relação íntima de afeto, 
a motivação de gênero e a situação de vulnerabilidade. Concessão da ordem. Ordem 
não conhecida. Habeas corpus concedido de oficio, para declarar competente para 
processar e julgar o feito o Juizado Especial Criminal da Comarca de Santa Maria/RS”. 
(STJ, 5ª Turma, HC 175.816/RS, Rel. Min. Marco Aurélio Belizze, j. 20/06/2013, DJe 
28/06/2013). 
 
III - em qualquer relação íntima de afeto, na qual o agressor conviva ou tenha convivido com a 
ofendida, independentemente de coabitação. 
 O STJ se pronunciou acerca deste aspecto reafirmando que: 
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Súmula 600 do STJ: “Para configuração da violência doméstica e familiar prevista no artigo 5º 
da lei 11.340/2006, lei Maria da Penha, não se exige a coabitação entre autor e vítima”. 
 
Ao referir-se a qualquer relação íntima de afeto, o legislador abarcou a necessidade de o 
agressor conviver ou ter convivido com a ofendida, independentemente de coabitação. Na relação 
íntima de afeto, o importante é que haja um relacionamento entre duas pessoas, seja ele baseado na 
amizade, seja ele baseado em qualquer sentimento que um tiver pelo outro. É possível o 
reconhecimento da violência doméstica e familiar contra a mulher entre filha e mãe, desde que os 
fatos tenham sido praticados em razão da relação de intimidade e afeto existente entre ambas 
(Gabriel Habib, Leis Penais Especiais). 
 
Candidato, amante ou namorada, podem ser vítimas dessa violência? Conforme entendimento 
do STJ, a situação deverá ser analisada no caso concreto. 
Nesse sentido, vejamos um julgado. 
 
STJ: “(...) LEI MARIA DA PENHA. VIOLÊNCIA PRATICADA EM DESFAVOR DE 
EX-NAMORADA. (...) a aplicabilidade da mencionada legislação a relações íntimas de 
afeto como o namoro deve ser analisada em face do caso concreto. Não se pode ampliar 
o termo - relação íntima de afeto - para abarcar um relacionamento passageiro, fugaz ou 
esporádico. In casu, verifica-se nexo de causalidade entre a conduta criminosa e a relação 
de intimidade existente entre agressor e vítima, que estaria sendo ameaçada de morte após 
romper namoro de quase dois anos, situação apta a atrair a incidência da Lei n.º 
11.340/2006. (...)”. (STJ, 3ª Seção, CC 100.654/MG, Rel. Min. Laurita Vaz, DJe 
13/05/2009). 
 
 Embora pareça obvio tendo em vista que a Lei já traz esta informação, já foi tema de discussão 
(Convenção de Belém do Pará -Convenção Interamericana para prevenir, punir e erradicar a violência 
contra a mulher, inspiradora da Lei 11.340/06, exige a coabitação) e o STJ pacificou o entendimento. 
Exemplo. Casal de namorados que não moram juntos, cada um vive ainda com seus respectivos pais. 
 
Candidato, coabitação significa morar sob o mesmo teto. É possível a aplicação da Lei Maria da 
Penha (Lei nº 11.340/2006) mesmo que não haja coabitação entre autor e vítima? 
SIM. É possível que haja violência doméstica mesmo que agressor e vítima não convivam sob o mesmo 
teto (não morem juntos). Isso porque o art. 5º, III, da Lei afirma que há violência doméstica em 
qualquer relação íntima de afeto, na qual o agressor conviva ou tenha convivido com a ofendida, 
independentemente de coabitação. 
Exemplos: 
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Ex1: violência praticada por irmão contra irmã, ainda que eles nem mais morem sob o mesmo teto 
(STJ. 5ª Turma. REsp 1239850/DF, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 16/02/2012); 
Ex2: é possível que a agressão cometida por ex-namorado configure violência doméstica contra a 
mulher ensejando a aplicação da Lei nº 11.340/2006 (STJ. 5ª Turma. HC 182.411/RS, Rel. Min. 
Adilson Vieira Macabu (Des. Conv. do TJ/RJ), julgado em 14/08/2012). 
Alguns precedentes do STJ sobre o tema: 
A Lei nº 11.340/06 buscou proteger não só a vítima que coabita com o agressor, mas também aquela 
que, no passado, já tenha convivido no mesmo domicílio, contanto que haja nexo entre a agressão e a 
relação íntima de afeto que já existiu entre os dois. STJ. 3ª Seção. CC 102.832/MG, Rel. Min. Napoleão 
Nunes Maia Filho, DJe 22/04/2009. 
A intenção do legislador, ao editar a Lei Maria da Penha, foi de dar proteção à mulher que tenha sofrido 
agressão decorrente de relacionamento amoroso, e não de relações transitórias, passageiras, sendo 
desnecessária, para a comprovação do aludido vínculo, a coabitação entre o agente e a vítima ao tempo 
do crime. STJ. 6ª Turma. HC 181.246/RS, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, DJe 06/09/2013. 
A caracterização da violência doméstica e familiar contra a mulher não depende do fato de agente e 
vítima conviverem sob o mesmo teto. 
Assim, embora a agressão tenha ocorrido em local público, ela foi nitidamente motivada pela relação 
familiar que o agente mantém com a vítima, sua irmã, circunstância que dá ensejo à incidência da Lei 
Maria da Penha. STJ. 5ª Turma. HC 280.082/RS, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 12/02/2015. 
 
Fonte: http://www.dizerodireito.com.br/2017/11/sumula-600-do-stj-comentada.html 
 
Como #JÁCAIU esse assunto em prova de Concursos? 
 
Ano: 2018 Banca: FCC Órgão: MPE-PB Prova: FCC - 2018 - MPE-PB - Promotor de Justiça Substituto 
Conforme entendimento sumulado pelo Superior Tribunal de Justiça: 
 
A. Para a configuração da violência doméstica e familiar, prevista na Lei Maria da Penha (Lei nº 
11.340/2006), não se exige a coabitação entre autor e vítima. 
B. A suspensão condicional do processo, prevista na Lei nº 9.099/1995, é aplicável na hipótese de 
delitos sujeitos ao rito da Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006). 
C. É possível a aplicação de prestação de serviços a entidades públicas, bem como a limitação 
temporária de direitos ao autor de crime, com violência ou grave ameaça no ambiente doméstico, contra 
a mulher. 
D. Permanece pública condicionada à representação a ação penal para o crime de lesão corporal leve, 
praticado contra a mulher no ambiente doméstico. 
E. A transação penal, prevista na Lei dos Juizados Especiais Criminais, é aplicável na hipótese de 
delitos sujeitos ao rito da Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006). 
 
Gab. A. Súmula 600 – STJ. 
 
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 Parágrafo único. As relações pessoais enunciadas neste artigo independem de orientação sexual. 
Independe de orientação sexual tendo em vista um casal composto por duas mulheres por 
exemplo. Desse modo, temos que é possível aplicarmos a lei maria da penha nas relações homoafetivas 
femininas. 
 
 
#JáCaiu: Foi cobrado no concurso de Juiz Substituto – MA/2008 e considerada correta a alternativa 
que afirmava: 
A patroa que ameaça sua empregada doméstica e a mulher que agride e lesiona a companheira com 
quem convive em relação homoafetiva se sujeitam às normas repressivas contidas na Lei nº 
11.340/2006, denominada de Lei Maria da Penha. 
#JáCaiu: Foi cobrado no concurso de Promotor de Justiça – DFT 2011 e considerada correta