A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
114 pág.
Ebook 2021 - Lei Maria da Penha - Manual Caseiro - gratuito

Pré-visualização | Página 5 de 34

a 
alternativa que afirmava: 
Não se insere no âmbito da denominada Lei Maria da Penha a conduta de um agente que agride e causa 
lesões corporais em desfavor de seu companheiro, prevalecendo o agente das relações de coabitação, 
embora as lesões corporais sejam qualificadas na forma do art. 129, §9º, do Código Penal. 
 
b) Formas de violência 
 
O art. 7 da Lei Maria da Penha nos trouxe as formas de violência doméstica, que são cinco as 
listadas na legislação. Contudo, cumpre destacarmos que a própria lei faz menção ao termo “são formas 
de violência doméstica e familiar contra a mulher, entre outras...” Podemos concluir que as formas de 
violência não pertencem a um rol taxativo, mas exemplificativo. 
 
Violência 
Física
Violência 
Psicológica
Violência 
Sexual
Violência
Patrimonial 
Violência 
Moral
Manual Caseiro 
 
16 
 
 
A violência de modo geral é toda atitude que use a agressividade de forma intencional e 
excessiva para ameaçar ou cometer algum ato que resulte em acidente, morte ou trauma psicológico, 
no caso da lei em comento baseada no gênero. 
O art. 7º da Lei 11.340/2006 expõe quais são as FORMAS de violência doméstica e familiar, 
enquadrando-se a violência física, violência psicológica, violência sexual, violência patrimonial e 
violência moral. Desse modo, contemplamos que a violência doméstica e familiar pode ocorrer desde 
uma simples via de fato até a ocorrência de um feminicídio 2 (homicídio qualificado e hediondo). 
Vejamos: 
 
Art. 7º São formas de violência doméstica e familiar contra a mulher, entre outras: 
 
I - a violência física, entendida como qualquer conduta que ofenda sua integridade ou saúde 
corporal; 
 Exemplo: tapas, chutes, socos. 
II - a violência psicológica, entendida como qualquer conduta que lhe cause dano emocional e 
diminuição da autoestima ou que lhe prejudique e perturbe o pleno desenvolvimento ou que vise 
degradar ou controlar suas ações, comportamentos, crenças e decisões, mediante ameaça, 
constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, vigilância constante, perseguição 
contumaz, insulto, chantagem, violação de sua intimidade, ridicularização, exploração e 
limitação do direito de ir e vir ou qualquer outro meio que lhe cause prejuízo à saúde psicológica 
e à autodeterminação; (Redação dada pela Lei nº 13.772, de 2018). 
 Exemplo: chamar de gorda, feia, realizar perseguição. Em 2018 o legislador acrescentou a 
expressão “violação de sua intimidade”, que seria a falta de privacidade, o ato de exigir que a mulher 
lhe conceda a senha do celular para que o agressor investigue sua vida, obrigar a atender ligações em 
viva voz, etc. 
A Lei nº 13.772/2018 promoveu uma pequena mudança na Lei nº 11.340/2006 (Lei Maria da 
Penha) para deixar expresso que a violação da intimidade da mulher é uma forma de violência 
doméstica, classificada como violência psicológica. 
Vejamos: 
 
 
 
 
2 Feminicídio é o homicídio doloso praticado contra a mulher por “razões da condição de sexo feminino”, ou seja, 
desprezando, menosprezando, desconsiderando a dignidade da vítima enquanto mulher, como se as pessoas do sexo 
feminino tivessem menos direitos do que as do sexo masculino. (Dizer o Direito). 
Manual Caseiro 
 
17 
 
Antes da Lei nº 13.772/2018 ATUALMENTE 
Art. 7º São formas de violência doméstica e 
familiar contra a mulher, entre outras: 
(...) 
II - a violência psicológica, entendida como 
qualquer conduta que lhe cause dano 
emocional e diminuição da auto-estima ou que 
lhe prejudique e perturbe o pleno 
desenvolvimento ou que vise degradar ou 
controlar suas ações, comportamentos, crenças 
e decisões, mediante ameaça, 
constrangimento, humilhação, manipulação, 
isolamento, vigilância constante, perseguição 
contumaz, insulto, chantagem, ridicularização, 
exploração e limitação do direito de ir e vir ou 
qualquer outro meio que lhe cause prejuízo à 
saúde psicológica e à autodeterminação; 
Art. 7º São formas de violência doméstica e 
familiar contra a mulher, entre outras: 
(...) 
II - a violência psicológica, entendida como 
qualquer conduta que lhe cause dano emocional e 
diminuição da autoestima ou que lhe prejudique e 
perturbe o pleno desenvolvimento ou que vise 
degradar ou controlar suas ações, comportamentos, 
crenças e decisões, mediante ameaça, 
constrangimento, humilhação, manipulação, 
isolamento, vigilância constante, perseguição 
contumaz, insulto, chantagem, violação de sua 
intimidade, ridicularização, exploração e limitação 
do direito de ir e vir ou qualquer outro meio que lhe 
cause prejuízo à saúde psicológica e à 
autodeterminação; 
 
III - a violência sexual, entendida como qualquer conduta que a constranja a presenciar, a manter 
ou a participar de relação sexual não desejada, mediante intimidação, ameaça, coação ou uso da 
força; que a induza a comercializar ou a utilizar, de qualquer modo, a sua sexualidade, que a 
impeça de usar qualquer método contraceptivo ou que a force ao matrimônio, à gravidez, ao 
aborto ou à prostituição, mediante coação, chantagem, suborno ou manipulação; ou que limite 
ou anule o exercício de seus direitos sexuais e reprodutivos; 
 O caso do estupro, bem como obrigar a mulher manter relação sexual sem camisinha ou não 
usar anticoncepcionais são os mais comuns nesse aspecto. 
IV - a violência patrimonial, entendida como qualquer conduta que configure retenção, 
subtração, destruição parcial ou total de seus objetos, instrumentos de trabalho, documentos 
pessoais, bens, valores e direitos ou recursos econômicos, incluindo os destinados a satisfazer 
suas necessidades; 
 Exemplo: colocar fogo na roupa da mulher, rasgar, quebrar o celular. 
Observação. Destaca-se que 
Candidato, a violência patrimonial impede a incidência das chamadas escusas 
patrimoniais dos arts. 181 e 182 do CP? o STJ, no RHC 42.918/RS, entendeu que a Lei Maria da 
Penha não revogou as escusas absolutórias (excludente de punibilidade), que são aplicadas 
normalmente nos delitos patrimoniais ocorridos no âmbito da relação conjugal. 
No tocante a doutrina, uma primeira corrente entende que impede (Maria Berenice Dias). 
Noutra banda, uma segunda corrente entende que não impede, por si só, a incidência da escusa. Nesse 
sentido, inclusive, é a orientação do STJ. 
Manual Caseiro 
 
18 
 
 
Como #JÁCAIU esse assunto em prova de Concursos? 
 
Ano: 2019 Banca: VUNESP Órgão: TJ-AC Prova: VUNESP - 2019 - TJ-AC - Juiz de Direito 
Substituto. 
 
Em relação à violência doméstica e ao quanto previsto na Lei n° 11.340/06 (Lei Maria da Penha), 
assinale a alternativa correta. 
 
A. O crime de descumprimento de medidas protetivas de urgência é inafiançável. 
B. A violência patrimonial também pode ser considerada forma de violência doméstica e familiar 
contra a mulher. 
C. A prisão preventiva do agressor poderá ser decretada pelo juiz de ofício somente durante a instrução, 
mas não durante o inquérito policial. 
D. Configura violência doméstica e familiar contra a mulher qualquer ação ou omissão baseada no 
gênero que lhe cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano moral ou patrimonial 
em qualquer relação íntima de afeto, desde que o agressor conviva ou tenha convivido sob o mesmo 
teto com a ofendida. 
 
Gab. B. 
 
V - a violência moral, entendida como qualquer conduta que configure calúnia, difamação ou 
injúria. 
 Crimes contra a honra. 
 
Como #JÁCAIU esse assunto em prova de Concursos? 
 
Ano: 2019 Banca: MPE-SC Órgão: MPE-SC Prova: MPE-SC - 2019 - MPE-SC - Promotor de Justiça 
– Vespertina 
 
A violência moral, entendida como qualquer conduta que configure calúnia, difamação ou injúria, é 
uma das formas de violência doméstica e familiar contra a mulher, estabelecida na Lei n. 11.340/2006. 
 
Gab. Certo – Art. 7°, V. 
 
Diante da análise do dispositivo legal, contemplamos que para o reconhecimento da 
violência contra a mulher, basta a presença alternativa de um dos incisos do art. 7°, em combinação 
alternativa com