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Ebook 2021 - Lei Maria da Penha - Manual Caseiro - gratuito

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circunstâncias são as indicadas no § 9o deste 
artigo, aumenta-se a pena em 1/3 (um terço). (Incluído pela Lei nº 10.886, de 2004) 
§ 11. Na hipótese do § 9ºdeste artigo, a pena será aumentada de um terço se o crime for cometido contra 
pessoa portadora de deficiência. (Incluído pela Lei nº 11.340, de 2006). 
 
9. Juizado de Violência doméstica e familiar contra a mulher 
 
Art. 14. Os Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, órgãos da 
Justiça Ordinária com competência cível e criminal, poderão ser criados pela União, 
no Distrito Federal e nos Territórios, e pelos Estados, para o processo, o julgamento 
e a execução das causas decorrentes da prática de violência doméstica e familiar 
contra a mulher. 
Parágrafo único. Os atos processuais poderão realizar-se em horário noturno, 
conforme dispuserem as normas de organização judiciária. 
 
Juizados? Inicialmente cumpre apontarmos para o fato de que o Juizado Especial de Violência 
Doméstica e Familiar contra mulher não se confunde com os Juizados Especiais Criminais, a qual é vedada 
a aplicação pela própria Lei Maria da Penha (art. 41, Lei nº 11.340/2006). Em verdade, trata-se de órgãos 
da Justiça Comum do DF e dos Estados. Nesse juizado corre o processo de conhecimento e execução, 
possui competência cumulativa – civil e criminal. 
 
Competência para processo e julgamento de crimes e contravenções penais praticados no contexto da 
violência doméstica e familiar contra a mulher: “(...) Configurada a conduta praticada como violência 
doméstica contra a mulher, independentemente de sua classificação como crime ou contravenção, deve 
ser fixada a competência da Vara Criminal para apreciar e julgar o feito, enquanto não forem 
estruturados os Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, consoante o disposto nos 
artigos 7º e 33 da Lei Maria da Penha. (...)”. (STJ, 5ª Turma, HC 158.615/RS, Rel. Min. Jorge Mussi, 
DJE 08/04/2011). 
 
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Cumulação da competência por Varas Criminais 
 
Candidato, o que acontece no caso de Comarcas que não tem juizado especial de violência doméstica e 
familiar contra mulher? Excelência, enquanto não estruturados os Juizados de Violência Doméstica e 
Familiar contra a Mulher, as varas criminais acumularão as competências cível e criminal para conhecer 
e julgar as causas decorrentes da prática de violência doméstica e familiar contra a mulher, observadas as 
previsões do Título IV desta Lei, subsidiada pela legislação processual pertinente. Ademais, será garantido 
o direito de preferência, nas varas criminais, para o processo e o julgamento das causas referidas no caput 
do art. 33. 
Com base nesse dispositivo, no Distrito Federal o Tribunal de Justiça resolveu outorgar essa 
competência cumulativa a uma vara dos juizados especiais criminais, assim o Juiz do JECRIM ora irá julgar 
uma infração de menor potencial ofensivo, ora a violência doméstica e familiar contra a mulher. 
O Juiz do JECRIM deverá tomar muito cuidado, pois o julgamento dessas ações é completamente 
diferentes. 
 Vejamos: 
1ª Situação 2ª Situação 
Em se tratando de infração de menor potencial 
ofensivo é cabível a aplicação das medidas 
despenalizadoras (Lei 9.099/95). O juízo ad quem 
será a turma recursal (art. 98, I, da CF). 
Quando se trata de violência doméstica ou familiar 
contra mulher, o Juiz deve-se lembrar que aqui não 
se aplica a Lei 9.099/95, sendo o juízo ad quem o 
Tribunal de Justiça, ou, no caso da justiça federal, 
o TRF. 
 
 
Informativo 654 do STF - Nos locais em que ainda não tiverem sido estruturados os Juizados de Violência 
Doméstica e Familiar contra a Mulher, às varas criminais acumularão as competências cível e criminal para 
as causas decorrentes de violência doméstica e familiar contra a mulher. Esta determinação, que consta no 
art. 33 da Lei, não ofende a competência dos Estados para disciplinarem a organização judiciária local. 
Segundo o Relator, a Lei Maria da Penha não implicou obrigação, mas a FACULDADE de criação dos 
Juizados de Violência Doméstica contra a Mulher. 
 
Crimes dolosos contra a vida praticados no contexto da violência doméstica e familiar 
contra a mulher 
Em um primeiro momento cumpre recordarmos que o Tribunal do júri é composto por duas 
fases, uma primeira chamada de Iudicium Accusationis, a segunda conhecida como Iudicium Causae. 
Na primeira fase temos a participação apenas do Juiz Sumariante, que pode pronunciar, 
impronunciar, absolver sumariamente ou desclassificar. Apenas a segunda fase é que entra a atuação 
do Júri sendo composto pelo Juiz Presidente e por mais 25 jurados, 7 dos quais irão compor o Conselho 
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de sentença. Em alguns Estados essa primeira fase do Tribunal do Júri vem tramitando nos Juizados 
de violência doméstica e familiar contra a Mulher, enquanto que, em outros, a primeira fase tramita 
nas varas privativas do júri. Isso é possível, dependendo da Lei de Organização judiciária local, pois o 
que a Constituição Federal obriga é o Julgamento propriamente dito do crime doloso contra a vida pelo 
Tribunal do Júri. 
Nesse sentido, o Julgado do STJ. Vejamos: 
 
STJ: “(...) Ressalvada a competência do Júri para julgamento do crime doloso 
contra a vida, seu processamento, até a fase de pronúncia, poderá ser pelo Juizado 
de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, em atenção à Lei 11.340/06. 
(...)”. (STJ, 5ª Turma, HC 73.161/SC, Rel. Min. Jane Silva, DJ 17/09/2007). 
 
 
Informativo 748 do STF: 
Competência Para Crimes Dolosos Contra A Vida Praticados Com violência 
Doméstica 
A Lei de Organização Judiciária poderá prever que a 1ª fase do procedimento do júri 
seja realizada na Vara de Violência Doméstica em caso de crimes dolosos contra a 
vida praticados no contexto de violência doméstica. Não haverá usurpação da 
competência constitucional do júri. Apenas o julgamento propriamente dito é que, 
obrigatoriamente, deverá ser feito no Tribunal do Júri. STF.2ª Turma .HC 102150/SC, 
Rei. Min. Teori Zavascki, julgaçlo em 27/5/2014 (lnfo 748). 
Diante do exposto, contemplamos que a Constituição Federal exige é que o julgamento 
ocorra no Tribunal do Júri, de forma que nada impede que a Lei de Organização 
Judiciária delegue a primeira fase a outro juízo, como por exemplo, ao Juizado de 
Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher. 
 
 
10. Medidas tomadas pelo Delegado de Polícia: atendimento pela Autoridade Policial 
 
Os artigos que segue são de suma importância aos que prestam concurso na área policial 
(Delegado, Agente, Escrivão, Investigador)! 
Os arts. 10, 11 e 12 da Lei Maria da Penha trata das providências que devem ser tomadas pela 
autoridade policial que tenha atuação na Delegacia especializada no atendimento à mulher vítima de 
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violência doméstica e familiar contra a mulher, ou da Delegacia de Polícia comum, nos locais em que 
não houver a Delegacia especializada. Vejamos: 
 
Art. 10. Na hipótese da iminência ou da prática de violência doméstica e familiar 
contra a mulher, a autoridade policial que tomar conhecimento da ocorrência adotará, 
de imediato, as providências legais cabíveis. 
Parágrafo único. Aplica-se o disposto no caput deste artigo ao descumprimento de 
medida protetiva de urgência deferida. 
Art. 10-A. É direito da mulher em situação de violência doméstica e familiar o 
atendimento policial e pericial especializado, ininterrupto e prestado por servidores - 
preferencialmente do sexo feminino - previamente capacitados. (Incluído pela 
Lei nº 13.505, de 2017) 
§ 1º A inquirição de mulher em situação de violência doméstica e familiar ou de 
testemunha de violência doméstica, quando se tratar de crime contra a mulher, 
obedecerá às seguintes diretrizes: (Incluído pela Lei nº 13.505, de 2017) 
I - salvaguarda da integridade física, psíquica e emocional da depoente, considerada a 
sua condição peculiar de pessoa em