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Toxicologia (fármaco e antídoto)

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A toxicologia analisa os efeitos das diversas substâncias químicas sobre os organismos vivos, seja 
humano, animal ou ambiente, observando seus danos e benefícios a curto e longo prazo. 
Mesmo medicamentos destinados a tratar doenças também podem causar efeitos adversos em pacientes. 
Efeitos nocivos podem ser menores, como dor de cabeça, ou graves, como câncer e defeitos congênitos. 
A dose da substância é um fator importante na toxicologia, pois tem uma relação significativa com os 
efeitos sobre o indivíduo. Todas as substâncias têm o potencial de serem tóxicas dependendo das 
condições e doses administradas. Uma dose pequena de uma substância tóxica pode ser mortal. Da 
mesma forma, uma dose alta de uma substância de baixa toxicidade pode não ter nenhum efeito. É assim 
que um medicamento, se administrado na dose correta, pode salvar uma vida, mas em grande 
quantidade pode intoxicar um organismo. 
As toxinas podem ser inaladas, aspiradas, ingeridas por via oral, injetadas ou absorvidas pela pele. 
Uma vez no interior do organismo, alguns dos alvos comuns de toxicidades incluem o sistema nervoso 
central (SNC), os pulmões, os rins, o coração, o fígado, o sangue e até mesmo o complexo equilíbrio 
ácido/base-eletrolítico. 
O primeiro princípio para o manejo do paciente intoxicado é tratar o paciente e não o 
veneno. 
• Inicialmente, avaliam-se as vias aéreas, a respiração e a circulação, juntamente com outros efeitos 
tóxicos que colocam em risco a sobrevivência (aumento ou queda acentuados da pressão arterial, 
frequência cardíaca, respiração, temperatura corporal ou qualquer disritmia perigosa). 
• Os distúrbios eletrolíticos e acidobásicos, junto com a determinação dos níveis sanguíneos de 
paracetamol e salicilato, podem ser avaliados com os resultados laboratoriais. 
• Após a administração de oxigênio, deve-se instalar acesso intravenoso e colocar o paciente em 
monitoração cardíaca. A administração de “coquetel de coma” deve ser considerada como 
possibilidade diagnóstica e terapêutica em pacientes envenenados e com alteração do estado mental. 
Observação: o “coquetel de coma” consiste de dextrose intravenosa para combater a hipoglicemia, 
possível causa de alteração do estado mental, naloxona para tratar eventual toxicidade por opioide 
ou clonidina e tiamina contra a encefalopatia de Wernicke, causada pelo etanol. 
 
Com o paciente estabilizado, faz-se a avaliação para descontaminação. Isso pode incluir: 
• Lavagem dos olhos com solução salina ou água tépida até obter pH neutro, no caso de exposições 
oculares. 
• Lavagem da pele, em caso de exposições cutâneas 
• Descontaminação gastrintestinal (GI) com lavagem gástrica, administração de carvão ativado ou 
irrigação intestinal total (utilizando solução balanceada de eletrólitos em polietilenoglicol), no caso 
de ingestões. 
Observação: várias substâncias não se adsorvem ao carvão ativado (chumbo e outros metais pesados, 
ferro, potássio e alcoóis), limitando o uso do carvão ativado, exceto se houver substâncias coingeridas. 
 
• Hemodiálise – a eliminação de alguns medicamentos/toxinas pode ser acelerada pela hemodiálise, 
se forem atendidas certas propriedades: baixa ligação a proteínas, pequeno volume de distribuição, 
baixa massa molecular e hidrossolubilidade da substância. Alguns exemplos de medicações ou 
substâncias que podem ser removidas com a hemodiálise incluem metanol, etilenoglicol, salicilatos, 
teofilina, fenobarbital e lítio. 
Toxicologia 
BIANCA LOUVAIN 
 
 
 
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• Alcalinização urinária – a alcalinização da urina acelera a eliminação de salicilatos e do fenobarbital. 
O aumento do pH da urina com bicarbonato de sódio intravenoso ioniza a substância, evitando sua 
reabsorção e aprisionando-a na urina, para ser eliminada pelos rins. O objetivo é um pH urinário de 
7,5 a 8. Já o pH sérico não deve exceder 7,55. 
• Doses múltiplas de carvão ativado – o tratamento com doses múltiplas de carvão ativado acelera a 
eliminação de certas substâncias (teofilina, fenobarbital, digoxina, carbamazepina, ácido valproico), 
pois cria um gradiente por meio do lúmen intestinal. As medicações se deslocam das áreas de 
concentração alta para as de concentração baixa, fazendo que medicamentos já absorvidos retornem 
ao intestino para serem adsorvidos ao carvão ativado presente. Além disso, o carvão ativado bloqueia 
a reabsorção de medicações que passam pela recirculação enteroepática (como a fenitoína), 
adsorvendo a substância a ele. Ruídos intestinais devem estar presentes antes da administração de 
cada dose de carvão para assegurar os movimentos do trato GI (TGI) e evitar a obstrução. 
O paracetamol provoca intoxicação quando a sua via de biotransformação usual se torna saturada. 
Normalmente, o paracetamol é biotransformado por sulfatação, glicuronidação e N-hidroxilação pelo 
sistema CYP450. Quando é ingerida quantidade tóxica de paracetamol, os dois primeiros processos são 
saturados, e mais paracetamol é biotransformado pelo CYP450 ao metabólito hepatotóxico (N-acetil-p-
benzoquinoneimina, ou NAPQI). Em ingestões terapêuticas de paracetamol, o fígado produz glutationa, 
que desintoxica o NAPQI. Contudo, na dosagem excessiva, a glutationa se esgota, deixando o 
metabólito livre para provocar toxicidade. 
Há quatro fases típicas que descrevem a toxicidade por paracetamol: 
• Fase 1 (0 a 24hrs) – perda de apetite, náuseas, êmese e mal estar geral. 
• Fase 2 (24 a 72hrs) – dor abdominal e aumento das enzimas hepáticas. 
• Fase 3 (72 a 96hrs) – necrose hepática, icterícia, encefalopatia, insuficiência renal e morte. 
• Fase 4 (>4 dias a 2 semanas) – resolução completa dos sintomas e insuficiência orgânica. 
O antídoto para toxicidade por paracetamol, a N-acetilcisteína (NAC), que atua inicialmente 
como precursor e substituto de glutationa e auxilia com a sulfatação. Depois, a NAC pode funcionar como 
um antioxidante e ajudar na recuperação. A NAC é mais eficaz se for iniciada entre 8 e 10 horas após a 
ingestão de paracetamol. 
Metanol (álcool de madeira) e etilenoglicol: 
O metanol é encontrado em líquidos para limpar 
vidros e em combustíveis para aeromodelos. Já o 
etilenoglicol é encontrado em anticongelantes de 
radiadores. 
Esses alcoóis primários são relativamente não tóxicos 
e causam, principalmente, sedação. Contudo, o 
metanol e o etilenoglicol são oxidados em produtos 
tóxicos: ácido fórmico, no caso do metanol, e ácidos 
glicólico, glioxílico e oxálico, no caso do etilenoglicol. 
O fomepizol inibe essa via oxidativa bloqueando 
a álcool desidrogenase. Ele inibe a formação de 
metabólitos tóxicos, permitindo que o álcool 
precursor seja excretado pelos rins. 
A hemodiálise é usada com frequência para remover os ácidos tóxicos já formados. 
Além disso, são administrados cofatores para estimular a biotransformação em metabólitos não tóxicos 
(folato para o metanol, tiamina e piridoxina para o etilenoglicol). 
Se não for tratada, a ingestão de metanol pode produzir cegueira, acidose metabólica, convulsões e coma. 
A ingestão de etilenoglicol pode causar insuficiência renal, hipocalcemia, acidose metabólica e 
insuficiência cardíaca. 
Isopropanol (álcool isopropílico, álcool de fricção): 
Este álcool secundário é biotransformado em acetona via álcool desidrogenase. A acetona não pode ser 
oxidada em ácidos carboxílicos e, assim, ocorre acidemia. 
 
 
 
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O isopropanol é conhecido como depressor do SNC (é aproximadamente duas vezes mais tóxico do que o 
etanol) e irritante GI. Não é necessário antídoto para tratar a ingestão de álcool isopropílico. 
O monóxido de carbono é um gás incolor, inodoro e insípido, o que o torna imperceptível pelos indivíduos 
sem um detector apropriado. Ele é um subproduto da combustão de materiais orgânicos. 
As fontes comuns incluem automóveis, ambientes mal ventilados, lareiras, caldeiras à base de lenha, 
aquecedores ambientais a querosene, fogueiras