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Opioides (farmacologia)

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com asma. 
 
 
Farmacocinética: 
• Administração – por causa da significativa biotransformação de primeira passagem da morfina no 
fígado, as injeções intramuscular (IM), subcutânea (SC) ou intravenosa (IV) produzem as respostas 
mais confiáveis. A absorção da morfina no TGI após administração oral é lenta e, por isso, quando a 
morfina é usada por via oral é administrada para obter níveis plasmáticos mais consistentes. 
• Distribuição – a morfina entra rapidamente nos tecidos corporais, incluindo o feto da gestante. Ela 
não deve ser usada para analgesia durante o parto. Recém-nascidos de mães adictas apresentam 
dependência física de opioides, manifestando sintomas de abstinência se o opioide não for 
administrado. Apenas uma pequena fração de morfina atravessa a barreira hematencefálica, porque 
a morfina é o fármaco menos lipofílico dos opioides comuns. 
• Biotransformação – a morfina é conjugada com ácido glicurônico no fígado, formando dois 
metabólitos principais. A morfina-6-glicuronídeos, um analgésico muito potente, e a morfina-3-
glicuronídeo, que não tem atividade analgésica, mas se acredita que provoque os efeitos 
neuroexcitatórios observados com as doses altas de morfina. Os conjugados são excretados 
primariamente na urina, e pequenas quantidades aparecem na bile. A duração de ação da morfina é 
de 4 a 5 horas quando é administrada sistemicamente em indivíduos nunca expostos, mas é 
consideravelmente mais longa quando injetada por via epidural, porque sua baixa lipofilicidade 
retarda a redistribuição do espaço epidural. 
Observação: os neonatos não devem receber morfina devido à sua baixa capacidade de conjugação. 
• Efeitos adversos – 
o Com a maioria dos agonistas μ, pode ocorrer grave depressão respiratória, e a dosagem excessiva 
com opioide pode resultar em óbito. 
o O impulso respiratório pode ser suprimido em pacientes com enfisema ou cor pulmonale. Se for 
usado opioide, a respiração deve ser monitorada atentamente. 
o A elevação da pressão intracraniana, particularmente em lesões na cabeça, pode ser grave. 
o A morfina deve ser utilizada com cautela em pacientes com asma, doença hepática ou disfunção 
renal. 
• Tolerância e dependência física – uso repetido da morfina causa tolerância aos seus efeitos 
depressores respiratórios, analgésicos, eufóricos e sedativos. No entanto, normalmente não se 
desenvolve tolerância aos efeitos de constrição pupilar e de constipação. Pode ocorrer dependência 
física e psicológica com a morfina e alguns dos outros agonistas. A retirada produz uma série de 
respostas autônomas, motoras e psicológicas que incapacitam o indivíduo e causam sintomas graves, 
mas raramente causam morte. 
• Interações farmacológicas – as interações de fármacos com morfina são raras. Contudo, as suas 
ações depressivas são potenciadas pelos fenotiazínicos, pelos inibidores da monoaminoxidase 
(IMAOs) e pelos antidepressivos tricíclicos. 
• A codeína é um opioide de ocorrência natural que é um analgésico fraco em comparação com a 
morfina. Deve ser usada apenas para dor moderada. 
• A ação analgésica da codeína é derivada da sua conversão à morfina pelo sistema enzimático 
CYP2D6. A atividade do sistema CYP2D6 varia entre os pacientes, e os biotransformadores 
ultrarrápidos podem obter níveis mais altos de morfina, levando à possibilidade de dosagem 
excessiva. 
 
 
 
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• Interações de fármacos associadas com o sistema CYP2D6 podem alterar a eficácia da codeína ou 
potencialmente causar toxicidade. A codeína é usada comumente com paracetamol para combate da 
dor. 
• Ela exibe boa atividade antitussígena em doses que não causam analgesia. 
• A oxicodona é um derivado semissintético da morfina. Ela é ativa por via oral e, algumas vezes, 
formulada com ácido acetilsalicílico ou com paracetamol. 
• O efeito analgésico oral é aproximadamente o dobro da morfina. 
• A oxicodona é biotransformada pelo sistema enzimático CYP2D6 e CYP3A4 e excretada pelos rins. 
• O abuso das preparações de liberação lenta (ingestão dos comprimidos pulverizados) é associado a 
muitos óbitos. É importante que as formas com maior dose desse tipo de preparação sejam utilizadas 
apenas por pacientes com tolerância a opioides. 
• Por via parenteral, é cerca de dez vezes mais potente que a morfina. A formulação oral tem potência 
relativamente menor e é cerca de três vezes mais potente que a morfina oral. 
• A oximorfona está disponível em formulações de ação imediata e de liberação estendida. Esse 
fármaco não tem interações com outros fármacos clinicamente relevantes associados com o sistema 
enzimático CYP450. 
• A hidromorfona e hidrocodona são análogos semissintéticos da morfina e da codeína, 
respectivamente, e ativas por via oral. 
• A hidromorfona oral é cerca de 9 a 10 vezes mais potente do que a morfina. 
• Ela é preferida ante a morfina em pacientes com disfunção renal devido ao menor acúmulo de 
metabólitos ativos. 
• A hidrocodona é a hidromorfona-metil-éter, um analgésico mais fraco que a hidromorfona, com 
eficácia analgésica por via oral comparável à da morfina. Esse fármaco com frequência é associado 
com paracetamol ou ibuprofeno para combater dor intensa. Também é usado como antitussígeno. 
• A hidrocodona é biotransformada no fígado a vários metabólitos, um dos quais é a hidromorfona por 
ação da CYP2D6. 
• A biotransformação à hidromorfona pode ser afetada por interações com outros fármacos. 
• A fentanila, um opioide sintético quimicamente relacionado à meperidina, tem 100 vezes a potência 
analgésica da morfina, sendo utilizada na anestesia. Ela é altamente lipofílica e apresenta rápido 
início de ação e curta duração (15-30 min). 
• Normalmente, é administrada por via IV, epidural ou intratecal. 
• A fentanila é combinada com anestésicos locais para obter analgesia epidural para o parto e a dor 
pós-cirúrgica. 
• Fentanila por via IV é usada na anestesia por seu efeito analgésico e sedativo. 
• Também estão disponíveis uma preparação oral transmucosa e um adesivo transdérmico do fármaco. 
o A preparação transmucosa oral é utilizada no tratamento de pacientes com câncer que 
apresentam dor súbita e são tolerantes aos opioides. 
o O adesivo transdérmico deve ser utilizado com cautela, pois já ocorreu óbito devido à 
hipoventilação. 
• O uso é contraindicado em pacientes virgens aos opioides, e os adesivos não devem ser usados no 
manejo da dor aguda e pós-cirúrgica. 
• A fentanila é biotransformada em metabólitos inativos pelo sistema CYP3A4, e os fármacos que 
inibem essa isoenzima podem potencializar os seus efeitos. A fentanila e seus metabólitos são 
excretados na urina. 
A sufentanila, alfentanila e remifentanila são três agonistas opioides relacionados à fentanila. Eles 
diferem em potência e destino metabólico. 
• A sufentanila é mais potente do que a fentanila, e os outros dois são menos potentes e têm ação mais 
curta. 
• Esses fármacos são usados principalmente pelas propriedades analgésicas e sedativas durante 
procedimentos cirúrgicos que requerem anestesia. 
 
 
 
 
 
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• A metadona é um opioide sintético, eficaz por via oral, com potência analgésica variável comparada 
à da morfina 
• A metadona causa menos euforia e tem duração de ação um pouco mais longa. 
• As ações da metadona são mediadas pelos receptores µ. Além disso a metadona é antagonista no 
receptor N-metil-D-aspartato (NMDA) e inibidora da captação de norepinefrina e serotonina. Assim, 
tem eficácia no tratamento de dor nociceptiva e neuropática. 
• A metadona também é usada na retirada controlada de adictos de opioides e heroína. 
• Metadona por via oral é administrada como substituto do abuso de opioides e depois é retirada 
lentamente do paciente. A síndrome de abstinência com metadona é mais suave, mas mais longa 
(dias a semanas) do que com outros opioides. 
• Ao contrário da morfina, a metadona é bem absorvida após a administração por via